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Wednesday, May 30, 2012

STEVEN SPIELBERG | GUERRA DOS MUNDOS




A grande obra de WELLS já foi adaptada três vezes: em 1938, ORSON WELLS causou pânico ao transmitir a história em um programa radiofônico com a equipe do Teatro Mercúrio. Um rádio-filme transmitido no Halloween, e que causou um grande tumulto e pânico em toda costa americana ao narrar de maneira jornalística uma invasão de marcianos. Alguns anos depois, a Paramount Pictures comprara os direitos autorais de Wells, e o produtor GEORGE PAL, realiza em 1952, uma fantástica visão da Guerra Fria e toda a paranóia envolvendo o período do governo de Eisenhower, estrelada por marcianos, ANN ROBINSON e GENE BARRY (que fazem uma ponta na cena final na fita de Spielberg, como os avós maternos das crianças). A terceira e menos envolvente versão é a do mago STEVEN SPIELBERG, que sendo quem é, o diretor de obras magistrais como E.T. (1982) e CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU (1977), faz esta adaptação (onde os Et´s não vem de Marte e são maus) com um mesmo disfarce político que cobre a época. Aqui, Spielberg faz o seu filme empoeirado no pós 11 de setembro que assolou o país e o mundo naquela fatídica manhã de terça-feira. Essa dor percorreu em Hollywood até aquele momento, até mesmo por volta de 2005. Assim sendo, o famoso cineasta, querendo voltar ao tipo que lhe tornou um mito, coloca o astro TOM CRUISE (MINORITY REPORT) nesta fita de ação que não faz muito o gênero ficção-científica e não tem um certo envolvimento emocional de um pai divorciado que tenta se reaproximar dos filhos (DAKOTA FANNING e JUSTIN CHATWIN) que vão passar um final de semana com o pai na costa leste, enquanto a mãe (MIRANDA OTTO [O SENHOR DOS ANÉIS]) grávida e novamente casada, vai com o marido para a casa dos pais em Boston. Neste interín, começam os ataques de naves Tripods, que atiram um raio fatal que desintegra em instantes os corpos das pessoas transformando-as em pó. Portanto na metade da fita, Cruise (do mesmo tipo de sempre) foge com os filhos desta desesperada caçada humana.Não vou negar que o filme tem algumas cenas interessantes, como a narração de MORGAN FREEMAN, citando Wells ao estilo de Orson Wells, na abertura do filme que mostra seres microscópicos e o planeta terra que se transforma num semáforo no sinal vermelho que lembra o planeta marte, e assim vai a grandes tomadas das principais metrópoles do mundo e os microcosmos da população em plongée.
Mas o filme é ríspido e contado pelo ponto de vista dos protagonistas e não vemos aquele típico filme “desaster” em grande escala. Fui com esta expectativa, afinal, a obra de Wells foi contada desta forma, em proporções épicas na versão de 52, e mesmo com as limitações da tecnologia e efeitos especiais da época. O que só o torna mais especial e um clássico da ficção-científica do cinema fantástico.
Na versão de Spielberg, os invasores saem do chão e transformam o nosso planeta como o deles (usando sangue humano – sem explicações alusão a Marte?) depois que a tempestade de raios atinge pontos do planeta. Explica-se que as naves (tripods) estavam enterradas aqui há milhões de anos, e que este ataque foi planejado do tempo em que esta civilização espacial hostil plantou essas naves em nosso lar. Mas tudo são teorias que não querem preencher em diálogos que expliquem o motivo. E, como estes seres plantaram as naves se eles não podem respirar por muito tempo em nosso planeta? Se eles estiveram aqui há muito tempo, antes de existir o ser humano, antes de nossa história começar, como eles não planejaram o inevitável? Afinal, o filme mantém a versão de Wells sobre os germes de nosso planeta terem matado as criaturas extraterrestres (ou subterrestres) como preferirem.
Na prosa de Wells, Marte estaria morrendo e os marcianos, obviamente acharam que o único planeta sustentável (risos) do sistema solar era a Terra.O que me incomodou na fita de Spielberg é a falta de coerência com a obra, transposta para a atualidade com cara de ataque terrorista à la Bin Laden. Ou seja, ele joga panos quentes numa obra magnífica, que tinha tudo para ficar mais espetacular em suas mãos, e prefere fazer um filme sem alma e que escapa totalmente do gênero da sci-fic. Onde estão os personagens cientistas que discutem o design das naves? Cadê o grupo de Ufologia que são presentes em Contatos Imediatos e até os "vilões adultos" de ET? Tudo é simplesmente limitado não só cientificamente, mesmo sendo ficcionalmente, mas dramaticamente também.
Segundo Spielberg, ele planejava o filme com Cruise há um certo tempo. Antes mesmo de tocar o projeto como produtor do diretor Jan De Bont para o filme Minority Report. Mas, depois que ROLAND EMMERICH lançou INDEPENDENCE DAY em 1996, o projeto foi adiado para não haver comparações óbvias. Ele esperou, e o resultado chegou depois que as torres gêmeas foram atingidas e um novo medo instalou-se nos EUA.Guerra Dos Mundos pode ter algumas qualidades que são a marca de Spielberg. A fotografia contra-luz e os movimentos de câmera. Ou mesmo as falas sobrepostas em cenas de maior clímax, como no momento em que Cruise vai investigar os raios no centro do bairro e as pessoas se aglomeram para ver, curiosas. Alias, devo admitir que é possível gelar o sangue quando vemos o primeiro tripod saindo do asfalto, causando uma enorme erosão que destrói uma igreja e vários veículos, que também são atirados ao longe. Mas depois não há mais nenhuma cena que vale tanto a pena, nem a da barca, e muito menos a do porão com TIM ROBBINS. Tudo é feito de maneira até asquerosa para um diretor como Spielberg. Em matéria de clichês, que os filmes de ficção-cientíca tem de melhor, até isso falta neste filme. Seria como se um filme futurista acertasse em cheio em todas as previsões que fizera, sem faltar um detalhe. Não consideraria um filme futurista como 2001 (Hotéis Hilton na Lua) ou Blade Runner (Colonizadores robóticos em pleno século XXI). Um filme como Guerra Dos Mundos tem que ter a vibe de um filme ridículo como os de Roland Emmerich. Presidentes fardados e cientistas vestidos de médicos dando suas teorias sobre o desconhecido. E, se fosse feito assim, menos família, Spielberg faria um filme melhor. O personagem do Tim Robbins, ao invés de louco poderia ser um estudioso como TRUFFAUT em Contatos Imediatos, e Cruise poderia personificar um estilo RICHARD DREYFUSS.
Obviamente que o filme não é um entretenimento tão ruim. Fica na média, o que é péssimo para alguém como Spielberg. Já que não estamos falando de um filme de Emmerich.
Pois é, nós não estamos sós e a última grande guerra da humanidade não foi iniciada por humanos.

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EUA – 2005

AÇÃO/AVENTURA
FULLSCREEN
116 min.
COR
PARAMOUNT
12 ANOS
✩✩ REGULAR
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Tuesday, May 8, 2012

MARK HERMAN |O MENINO DO PIJAMA LISTRADO



Não entendi até agora como a crítica americana tenha desprezado esta adaptação de um best-seller escrito por JOHN BOYNE. É, sem dúvida, uma linda e comovente nova história do HOLOCAUSTO, só que dentro do espírito de A VIDA É BELA de Benigni. Ou seja, não é uma história realista, mas uma fábula, realizada com orçamento muito baixo, em locações na Hungria, com um elenco pouco conhecido (alguns atores até são irregulares), mas que nem por isso deixa de ter grande impacto emocional, provocando lágrimas, sem evitar uma contundente mensagem não realista. Talvez parte do problema seja o fato incontestável de que o crítico tenha preconceito com histórias sentimentais e que façam o público reagir emocionalmente. Uma estupidez de muitas décadas, que só aumenta a distância entre crítica e público.Este filme de MARK HERMAN (o mesmo de BRASSED OFF, LITTLE VOICE, A VOZ DA ESTRELA) definitivamente tem alguns problemas quando opta por representar todos os alemães por atores britânicos, menos a mãe do menino, que é feita pela americana, a ótima VERA FARMIGA (de AMOR SEM FRONTEIRAS e OS INFILTRADOS). O ruim é que DAVID THEWLIS, no papel do pai, militar nazista que é nomeado chefe de um campo de concentração,é mais apropriado para personagens naturalistas, atuais. Não convence muito, particularmente nas cenas finais, que caem no melodrama, e que na minha opinião, não precisava de trilha musical tão intensa acompanhada ainda por cima de uma tempestade! (choro).O roteiro tem muitas falhas, como a absurda história do tenente nazista que sem mais nem menos revela que tem um pai que emigrou. Certamente ele jamais faria isso porque sabia do destino que o aguardaria, teriam que descobrir de alguma outra maneira. O resto pode se desculpar pela fábula (como a irmã mais velha que, de uma hora para outra, vira fanática nazista só que esquecem disso, tornando-a simpática novamente). Também sugerem, mas não desenvolvem o romance dela com o tenente. Apesar disso, é curioso como nos fazem envolver com o herói, um menino solitário chamado BRUNO ( o carismático ASA BUTTERFIELD), que é carente de amigos e sonha em ser explorador e aventureiro. Quando se muda para o interior, provavelmente AUSCHWITZ, que era o único campo com quatro crematórios (o filme é vago em datas e locações), procura novas amizades, mas não desconfia que a construção vizinha seja um campo de concentração para matar judeus. Nem de onde vem aquele cheiro ruim na fumaça. Acaba conhecendo um menino judeu também solitário, que usa justamente o pijama listrado do título.O resto da história é pura tragédia, com o público adivinhando o que vai acontecer e nada podendo fazer para evitar isso. E só dessa maneira é que teria o verdadeiro impacto pretendido pelo autor. Depois de A LISTA DE SCHINDLER, ficou difícil fazer outro filme semelhante força (STANLEY KUBRICK até chegou a cancelar um projeto sobre o período). Este nem pretende chegar lá. Fica no seu quadrado como um conto de fadas às avessas, onde o sonho e aventura são esmigalhados pela dura realidade.____
INGLATERRA- 2008
DRAMA
WIDESCREEN
94 min.
COR
DISNEY
12 ANOS
✩✩✩ BOM
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Wednesday, October 19, 2011

STANLEY KUBRICK EM DOSE DUPLA

GLÓRIA FEITA DE SANGUE | DR. FANTÁSTICO



AS TRINCHEIRAS DA MORTE
Quando os soldados em plena I Guerra Mundial se recusam a continuar com um ataque inimigo impossível, seus generais superiores decidem acusá-los de motim e covardia. Mas será mesmo que os pobres e inocentes soldados desertaram? 
É mais uma fita impressionante de KUBRICK, agora nos campos de batalha na França em 1916, em plena Primeira Guerra Mundial. Depois de dois filmes noir policiais: A MORTE PASSOU POR PERTO ( KILLER´S KISS , 1955) e O GRANDE GOLPE ( THE KILLING, 1956), o famoso diretor de Laranja Mecânica e Barry Lyndon conta esta história problemática e injusta sobre a guerra.
Mais uma real e dramática crítica ao assunto que foi revisitado pelo diretor em DR. FANTÁSTICO (1964) e, em NASCIDO PARA MATAR (1987). Aqui, o lendário ator KIRK DOUGLAS (em impressionante atuação, provavelmente a melhor de toda a sua carreira [é até melhor que SPARTACUS]), interpreta o Coronel DAX um homem que tem que lidar com as futilidades da guerra, sempre apresentadas pelo cineasta de uma maneira irônica, porém aqui, nem um pouco debochada como em Dr. Strangelove  ou em Full Metal Jacket. Na verdade essa trama se passa quase o tempo inteiro nas trincheiras da morte (em uma formidável sequência dentro das trincheiras que começa mostrando pelo ponto de vista subjetivo do personagem) com este coronel (Douglas) que tem que tomar decisões importantes e justas, além de lidar com a posição inimiga custando à vida de vários soldados em uma estratégia militar suicida que propositalmente se destinou ao fracasso (o problema era mais político que patriótico). Os culpados, os verdadeiros vilões eram os generais, superiores de Dax, e a fim de acobertarem o seu erro fatal, eles inventam uma contra-ofensiva a três dos próprios soldados, obviamente inocentes, e o acusam de covardia, motim e outras idiotices e injúrias. 
Praticamente o filme nem mostra um julgamento honesto, assistimos friamente, com toda aquela linguagem Kubrickiana, o assassinato de três homens inocentes, o filme inteiro. Cada acusação era mais dolorosa que vê-los, infelizmente, ao término da obra, fuzilados. Mas ao longo do filme, Douglas, com sua presença heróica faz de tudo para defender os réis, visto que, Dax era advogado na vida civil e usa os seus dotes persuasivos para dialogar contra a promotoria de farda. Mas aos poucos ele vai percebendo as tramóias e acaba sendo vencido por homens mentirosos uniformizados e corruptos para supostamente lutar e defender o seu país.
Um dos grandes momentos da fita de Kubrick
GLÓRIA FEITA DE SANGUE (ou CAMINHOS DA GLÓRIA), o nome em português já traduz muito bem, é um filme estéril. A narrativa é típica de Kubrick, sem atalhos, fria, lindamente fotografada, escrita e com planos de câmeras fantásticos, sobretudo como já havia citado as cenas dentro das trincheiras que lembram muito a sequência do labirinto no gelo em O ILUMINADO, e as cenas grandiosas e ao mesmo tempo estilizadas das batalhas. É a primeira incursão de Kubrick a uma produção maior, polêmica e seriamente dramática, baseada no romance “Paths Of Glory”, de HUMPHREY COBB. É mesmo uma obra prima, que acusa a política militar descaradamente, sem rodeios ou palavras subscritas. Uma odisséia nos campos de guerra.

Há momentos de muita tensão quando os prisioneiros estão implorando pela vida e pouco antes do fuzilamento, é cruel o caminho que eles fazem a glória. Pelas acusações eles foram desertores, mas na verdade, os verdadeiros heróis, manchados de sangue, o próprio sangue, estão nas páginas da história. Acho que a fita não é uma sessão para todos, além do que, ela tem tons noir, o primeiro estilo europeu no gênero guerra, e provavelmente nenhum outro diretor futuramente conseguiu acertar o tom. Kubrick discute o assunto e não está interessado em grandes tomadas aéreas ou milhares de homens se matando uns aos outros ao estilo Lewis Milestone e o seu NADA DE NOVO NO FRONT ( All Quiet on the Western Front, 1930 – Universal Pictures). Ou seja, é o close no olhar do homem. O que mente, acusa, protege e chora. Aliás, em matéria de emoção, o filme traz um dos momentos mais bárbaros em sua cena final, que mostra o grande coração que Kubrick tinha (apesar de sua fama ranzinza) quando sua então esposa CHRISTIANE KUBRICK aqui creditada como SUSANNE CRISTIAN (ainda não eram casados à época – só depois das filmagens), faz uma cantora alemã, e quando canta uma bela canção, deixa todos os homens daquela sala em prantos. Um momento digno antes de voltarem aos campos de batalha. Emocionado e espiando da janela, Dax, um Douglas que se mantêm firme, ordena que lhe dêem mais tempo aos seus homens. E o filme acaba. E Kubrick, para sempre eterno. Uma glória feita em 1957 que não morre jamais!
Christiane Kubrick deixa os soldados em prantos!
Nem se quer foi indicado ao Oscar.

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EUA – 1957
DRAMA/GUERRA
STANDARD
84 min.
P&B
MGM/UNITED ARTISTS
16 ANOS
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
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BRYNA PRODUCTIONS E UNITED ARTISTS APRESENTAM
UMA PRODUÇÃO HARRIS-KUBRICK CORPORATION
KIRK DOUGLAS EM
PATHS OF GLORY
CO-ESTRELANDO RALPH MEEKER. ADOLPHE MENJOU
COM: GEORGE MACREADY. WAYNE MORRIS. RICHARD ANDERSON
Também Estrelando Joseph Turkel. Jerry Hausner
E Susanne Christian 
Música Original por GERALD FRIED
Fotografado por GEORGE KRAUSE Montagem EVA KROLL
Direção De Arte LUDWIG REIBER Figurinos ILSE DUBOIS
Escrito por
STANLEY KUBRICK. CALDER WILLINGHAM e JIM THOMPSON
BASEADO NO ROMANCE DE HUMPHREY COBB
Produzido por JAMES B. HARRIS Dirigido por STANLEY KUBRICK
© 1957 Harris-Kubrick Production Corp./ UMA PRODUÇÃO BRYNA
Distribuído por UNITED ARTISTS


ALERTA VERMELHO: RISOS
Um general insano inicia um processo destrutivo: o holocausto nuclear em plena Guerra Fria em que uma sala de guerra com políticos (incluindo o Presidente Americano) e generais freneticamente tentam impedir a questão diplomaticamente.
DR. FANTÁSTICO é o filme enfadonho mais legal que já tive o privilégio de assistir. Aliás, em matéria de STANLEY KUBRICK, qualquer filme “chato” tem a audácia de chamar atenção. Baseado no livro RED ALERT (Alerta Vermelho) escrito por PETER GEORGE que colabora no roteiro adaptado de sua obra, o filme é uma sátira, comédia de humor negro sobre a guerra.
E não poderia ser feita no melhor período: a Guerra Fria e toda a paranóia militar e civil americana sobre o uso de bombas nucleares e uma possível Terceira Guerra Mundial que graças a Deus nunca aconteceu (mas se somarmos todas as Guerras, enfim... fiz uma piada infame). Kubrick foi genial ao abordar esta história e a fita é mais um testamento do cineasta sobre a guerra, o seu tema predileto (FEAR AND DESIRE [1953] /GLÓRIA FEITA DE SANGUE [1957] /NASCIDO PARA MATAR [1987]). Aqui, Kubrick não vai as trincheiras ou até as selvas do Vietnã e concentra a ação em uma cúpula (lindo set de KEN ADAM diretor de arte dos filmes de 007), uma espécie de “reunião de guerra” para decidir as coisas de forma diplomática e mesmo o filme, tem poucas cenas de tiroteio militar que acabam sendo estilizados.
Provavelmente a grande atração de Dr. Fantástico é a presença do fantástico PETER SELLERS em três diferentes papéis! O filme começa com este ataque nuclear acidental ("entre aspas") depois que um general louco, o ótimo STERLING HAYDEN de outro filme de Kubrick, o noir “O GRANDE GOLPE” (1956) esta convencido de que os comunas (comunistas assim chamados) estão poluindo os preciosos fluidos corporais de toda a América! Só nesta cena começo a dar risada. E me pergunto? Foi esse o motivo do general ter ordenado um ataque nuclear à União Soviética?
Ai entra em cena o genial Sellers como o Capitão Mandrake que procura desesperadamente uma maneira de suspender o ataque, nem que para isso tenha que ligar de uma cabine telefônica pública a cobrar para o Presidente ( ou seja, para ele mesmo – muitos risos nesta cena). Paralelamente o Presidente Americano (o Sellers menos engraçado) pega o telefone de emergência e tenta convencer um bêbado soviético (mais risos) que impedir o ataque seria um erro, mas na sala de reunião está presente um conselheiro pessoal do presidente, que por acaso é um “ex-nazista cientista”, o Dr. Strangelove (Sellers excelente aqui) que confirma com todas as letras em um sotaque alemão típico, a existência da tão falaciosa “Máquina do Juízo Final” (muito comentada na época da Guerra Fria) que seria uma arma final, um dispositivo secreto feitos pelos soviéticos que retaliaria toda a raça humana, garantindo assim o seu extermínio. 

O filme ainda conta com a atuação exímia de GEORGE C. SCOTT (de Patton, Rebelde ou Herói? [1970]) no papel do general “Buck” que é um sujeito tipicamente americano e que dorme com a secretária que por sua vez faz atendimento telefônico seminua em sua cama de hotel tomando um bronzeado artificial. Scott tem ótimos momentos super engraçados nesta cúpula provando para o presidente ao contrário de tudo que possa vir dos soviéticos (um homem que sofre de Xenofobia), ainda mais quando um deles esta nesta reunião comendo salsicha e fumando charuto, o excelente PETER BULL como o embaixador russo Sadesky. Na verdade o filme é realmente um picadeiro onde a comédia é soberana. Ela não é típica, são piadas sutis e inteligentes com linguagem de guerra e personagens caricatos.
Peter Sellers nos melhores papéis de sua vida. Kubrick soube explorar bem o ator
Quanto a Sellers? Bom, eu particularmente gosto mais dele fazendo o Dr. Fantástico que um dia já foi nazista, mas que não deixa de ser Alemão que tem aqueles tiques saudosos “Heil Hitler” e fica numa cadeira de rodas dizendo absurdos. Muitos deles sem sentido! A fita é um verdadeiro clube do bolinha (só a personagem da secretária – única mulher que aparece) e é sem dúvida o trabalho mais pessoal de Kubrick. Uma verdadeira jornada ao próprio umbigo, um filme que o cineasta fez para si mesmo. Assim sendo, provavelmente, Dr. Fantástico seja o seu filme na qual o público, genericamente falando, tenha visto com pouca frequência. Eu mesmo só o vi duas vezes na minha vida. Acho que basta assistir a cada dois anos, dependendo do humor, visto que, é uma comédia extremamente datada, estilizada e temática.
O filme começa chato e vai melhorando aos poucos. Aqui reconhecemos os primeiros toques Kubrickiano: os típicos “Zooms”, posicionamento de câmera e a narrativa em si, inspirada no romance do ex-tenente da Força Aérea Inglesa, PETER GEORGE que publicou o seu livro “Red Alert” em 1958 com o pseudônimo de “Peter Bryant” – tempos difíceis. O curioso é o livro ter tido pouca reverberação entre os americanos, mas ter tido grande impressão nos dois maiores estrategistas de guerras nucleares britânicos, Thomas C. Schelling e Herman Kahn. Isso prova como a natureza da história serve apenas para os militares. Tudo é dito em códigos que civis nunca teriam acesso, e o filme inegavelmente, carrega a mesma cruz. 
Kubrick era um indivíduo intelectual e interessado na guerra. Portanto para ele o livro “Alerta vermelho”, assim como para os estrategistas militares, era um material de grande valia e viu-se então uma oportunidade de caçoar disso na sétima arte. Eu nunca li o livro, mas acho que ele, sendo uma obra estratégica de guerrilha, creio que não teria graça alguma. Certamente o roteiro é extremamente diferente do livro fazendo a leitura cômica mudando o tom e até mesmo o título para: DR. FANTÁSTICO Ou “Como Aprendi a parar de me preocupar e Amar a Bomba!” – subtítulo extremamente sarrista.
Enquanto Kubrick rodava LOLITA, o diretor já concebeu o seu próximo filme. Então, Dr. Fantástico também seria o projeto que confirmaria o fato de Kubrick ter se radicado na Inglaterra para sempre. Stanley conheceu o livro de George quando fez uma visita ao Instituto para Estudos Estratégicos de Londres. Lá o diretor do instituto, Allistair Buchan, mencionou o manuscrito para Kubrick.
Cena antológica!
Para reforçar a idéia apreensiva com a possibilidade de uma guerra nuclear começar por acidente ou loucura, Kubrick chamou o lendário cenógrafo KEN ADAM para trabalhar na elaboração dos sets. É mesmo um trabalho de tirar o fôlego, a cúpula de reuniões, a sala do general, os mapas estrategistas, tudo é sem dúvida um trabalho de mestre. Tudo isso remete as primeiras fitas de James Bond na qual Adam foi diretor de arte e Kubrick só o contratou (futuramente faria com ele BARRY LYNDON) depois de ter assistido e adorado 007 Contra o Satânico Dr. NO.

Esta obra me deixa estupefato. Nunca consegui amar um filme sequer do Alain Resnais (não é piada minha), mas Kubrick transforma um romance sério de suspense com tudo para ser chato em uma comédia-pesadelo fantástica com um ator tão maravilhoso como foi Peter Sellers, que é capaz de nos fazer rir com um peido.
Pickens e o seu rosto familiar


A famosa cena em que o piloto, o major “King” – feito pelo veterano astro de Western SLIM PICKENS tenta soltar a bomba nuclear montado em cima como um caubói em seu cavalo, e quando consegue o feito fica em cima dela gritando histericamente, tornou-se antológica. Assim como a sequência final ao som de “Vamos nos encontrar novamente”. Um filme que transcende a linha do tempo. E Um alerta engraçado.



Ironicamente, o filme foi apenas indicado a quatro Oscar: Filme, Direção, Ator (Sellers) e Roteiro Adaptado. Uma piada de mau gosto!
O grande set de Ken Adam
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 INGLATERRA – 1964
COMÉDIA/GUERRA
FULLSCREEN
94 min.
P&B
COLUMBIA/SONY
14 ANOS
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
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COLUMBIA PICTURES APRESENTA
UMA PRODUÇÃO DE 
STANLEY KUBRICK
PETER SELLERS. GEORGE C. SCOTT EM
DR. STRANGELOVE
OR: HOW I LEARNED TO STOP WORRYING AND LOVE THE BOMB

TAMBÉM ESTRELANDO: STERLING HAYDEN. Co-estrelando: KEENAN WYNN
SLIM PICKENS. PETER BULL. JAMES EARL JONES
E TRACY REED COMO “MISS FOREIGN AFFAIRS” - A secretária
ROTEIRO DE: 
STANLEY KUBRICK. PETER GEORGE e TERRY SOUTHERN
BASEADO NO LIVRO “RED ALERT” DE PETER GEORGE
Música Original LAURIE JOHNSON Fotografia de GILBERT TAYLOR
Montagem ANTHONY HARVEY Diretor de Arte KEN ADAM
Cenografia adicional PETER MURTON
Efeitos Especiais WALLY VEEVERS Produção Associada VICTOR LYNDON
    Produzido e Dirigido por   
STANLEY KUBRICK
© 1964 HAMK FILMS LTD. COLUMBIA PICTURES

Sunday, October 9, 2011

ALIEN ™ | QUADRILOGIA PARTE 2

Depois de ter sido a única sobrevivente (com o gato) do massacre ocorrido na nave Nostromo, Ripley ficou vagando no espaço no módulo de fuga há 57 anos, quando milagrosamente foi resgatada. Ela ficou em sono criogênico, mas não esqueceu o terror que viveu nos porões claustrofóbicos daquele cargueiro espacial dos “caminhoneiros espaciais”. Mais experiente, ela esta de volta a Terra, e obviamente ninguém acredita na sua história, os chamados “burrocratas” que apenas questionam porque ela destruiu uma nave de bilhões de dólares para salvar a própria vida. Mas ela continua fiel a si e afirma que o Planeta LV 426 (já habitado por humanos) era o planeta natal deste Alien. Dias depois a colônia perde contato com a Terra, assim Ripley é convocada para ajudar um grupo de fuzileiros durões com poderosas armas de fogo ao planeta em uma missão de resgate. Acontece que um sujeito nada confiável da orla dos ricos de gravata acompanha Ripley na missão a fim de tirar algum proveito. Certamente ele sabia da história da heroína e fazia parte dos ricos e cientistas que queriam estudar as criaturas. Muito bem, visto por esta premissa nada inferior, Cameron explora ao máximo dos efeitos especiais, vencedores do Oscar, para compor o seu filme e entorpecer, satisfazendo o público.
A maternal Ripley. Por isso é guerra!
ALIENS tem muita ação e piadas a granel (presença do às vezes irritante BILL PAXTON) e impressionantes designs e maquinaria. Sigourney Weaver faz a melhor Ripley da série neste episódio, que além de saber manejar aquelas armas pesadas, fica mãe da órfã NEWT (CARRIE HENN – que só fez essa fita), uma garotinha que foi também, a única sobrevivente do Alien depois que sua família morreu, assim como toda a colônia. Mas os problemas se multiplicam quando não apenas um, mas vários Aliens tomam conta do planeta (na verdade os humanos são os invasores) e protegem a ALIEN MÃE, uma monstrenga gigantesca, e que é um trabalho maravilhoso da equipe de efeitos visuais. Certamente para o filme ficar em um mano a mano, além de ter mais monstros, Weaver faz uma Ripley mais furiosa, tornando-se a maior heroína de ação dos filmes de ficção-científica (e porque não do cinema?) nesta excelente sequência que não é um apêndice. Cameron, com suas frases prontas, gerou bordões clássicos da atriz (típico dos filmes de Cameron – vide O Exterminador do Futuro II), e, é sem dúvida uma das melhores continuações do cinema pelo fato de não dever conceitualmente ao primeiro filme, que foi muito original e virou mania.
O novo elenco é de durões: MICHAEL BIEHN que trabalhou com Cameron no primeiro Exterminador (1984), o ótimo LANCE HENRIKSEN, como Bishop, outro andróide ambíguo, só que diferente do Ian Holm, Bishop é amigo, e além do chato do Paxton, a durona lésbica Vásquez, feito por JENETTE GOLDSTEIN, deixa o filme mais armado. Aqui, o filme não tem um elenco de poucas pessoas e todo aquele suspense Hitchcockiano no espaço, visto que, já que era impossível de recriar um segundo filme como o feito por Scott, Cameron acaba dando as cartas na série fazendo algo totalmente oposto. É um Alien dirigido por James Cameron e não um Alien dirigido por Ridley Scott. Sem competições e ou/ comparações ridículas. É uma continuação que se apresenta em um filme que parece ter uma nova quilometragem. Assim sendo, os filmes seguintes, também se aproveitaram desta filosofia com resultados duvidosos.
Vai encarar vadia?