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Wednesday, May 30, 2012

STEVEN SPIELBERG | GUERRA DOS MUNDOS




A grande obra de WELLS já foi adaptada três vezes: em 1938, ORSON WELLS causou pânico ao transmitir a história em um programa radiofônico com a equipe do Teatro Mercúrio. Um rádio-filme transmitido no Halloween, e que causou um grande tumulto e pânico em toda costa americana ao narrar de maneira jornalística uma invasão de marcianos. Alguns anos depois, a Paramount Pictures comprara os direitos autorais de Wells, e o produtor GEORGE PAL, realiza em 1952, uma fantástica visão da Guerra Fria e toda a paranóia envolvendo o período do governo de Eisenhower, estrelada por marcianos, ANN ROBINSON e GENE BARRY (que fazem uma ponta na cena final na fita de Spielberg, como os avós maternos das crianças). A terceira e menos envolvente versão é a do mago STEVEN SPIELBERG, que sendo quem é, o diretor de obras magistrais como E.T. (1982) e CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU (1977), faz esta adaptação (onde os Et´s não vem de Marte e são maus) com um mesmo disfarce político que cobre a época. Aqui, Spielberg faz o seu filme empoeirado no pós 11 de setembro que assolou o país e o mundo naquela fatídica manhã de terça-feira. Essa dor percorreu em Hollywood até aquele momento, até mesmo por volta de 2005. Assim sendo, o famoso cineasta, querendo voltar ao tipo que lhe tornou um mito, coloca o astro TOM CRUISE (MINORITY REPORT) nesta fita de ação que não faz muito o gênero ficção-científica e não tem um certo envolvimento emocional de um pai divorciado que tenta se reaproximar dos filhos (DAKOTA FANNING e JUSTIN CHATWIN) que vão passar um final de semana com o pai na costa leste, enquanto a mãe (MIRANDA OTTO [O SENHOR DOS ANÉIS]) grávida e novamente casada, vai com o marido para a casa dos pais em Boston. Neste interín, começam os ataques de naves Tripods, que atiram um raio fatal que desintegra em instantes os corpos das pessoas transformando-as em pó. Portanto na metade da fita, Cruise (do mesmo tipo de sempre) foge com os filhos desta desesperada caçada humana.Não vou negar que o filme tem algumas cenas interessantes, como a narração de MORGAN FREEMAN, citando Wells ao estilo de Orson Wells, na abertura do filme que mostra seres microscópicos e o planeta terra que se transforma num semáforo no sinal vermelho que lembra o planeta marte, e assim vai a grandes tomadas das principais metrópoles do mundo e os microcosmos da população em plongée.
Mas o filme é ríspido e contado pelo ponto de vista dos protagonistas e não vemos aquele típico filme “desaster” em grande escala. Fui com esta expectativa, afinal, a obra de Wells foi contada desta forma, em proporções épicas na versão de 52, e mesmo com as limitações da tecnologia e efeitos especiais da época. O que só o torna mais especial e um clássico da ficção-científica do cinema fantástico.
Na versão de Spielberg, os invasores saem do chão e transformam o nosso planeta como o deles (usando sangue humano – sem explicações alusão a Marte?) depois que a tempestade de raios atinge pontos do planeta. Explica-se que as naves (tripods) estavam enterradas aqui há milhões de anos, e que este ataque foi planejado do tempo em que esta civilização espacial hostil plantou essas naves em nosso lar. Mas tudo são teorias que não querem preencher em diálogos que expliquem o motivo. E, como estes seres plantaram as naves se eles não podem respirar por muito tempo em nosso planeta? Se eles estiveram aqui há muito tempo, antes de existir o ser humano, antes de nossa história começar, como eles não planejaram o inevitável? Afinal, o filme mantém a versão de Wells sobre os germes de nosso planeta terem matado as criaturas extraterrestres (ou subterrestres) como preferirem.
Na prosa de Wells, Marte estaria morrendo e os marcianos, obviamente acharam que o único planeta sustentável (risos) do sistema solar era a Terra.O que me incomodou na fita de Spielberg é a falta de coerência com a obra, transposta para a atualidade com cara de ataque terrorista à la Bin Laden. Ou seja, ele joga panos quentes numa obra magnífica, que tinha tudo para ficar mais espetacular em suas mãos, e prefere fazer um filme sem alma e que escapa totalmente do gênero da sci-fic. Onde estão os personagens cientistas que discutem o design das naves? Cadê o grupo de Ufologia que são presentes em Contatos Imediatos e até os "vilões adultos" de ET? Tudo é simplesmente limitado não só cientificamente, mesmo sendo ficcionalmente, mas dramaticamente também.
Segundo Spielberg, ele planejava o filme com Cruise há um certo tempo. Antes mesmo de tocar o projeto como produtor do diretor Jan De Bont para o filme Minority Report. Mas, depois que ROLAND EMMERICH lançou INDEPENDENCE DAY em 1996, o projeto foi adiado para não haver comparações óbvias. Ele esperou, e o resultado chegou depois que as torres gêmeas foram atingidas e um novo medo instalou-se nos EUA.Guerra Dos Mundos pode ter algumas qualidades que são a marca de Spielberg. A fotografia contra-luz e os movimentos de câmera. Ou mesmo as falas sobrepostas em cenas de maior clímax, como no momento em que Cruise vai investigar os raios no centro do bairro e as pessoas se aglomeram para ver, curiosas. Alias, devo admitir que é possível gelar o sangue quando vemos o primeiro tripod saindo do asfalto, causando uma enorme erosão que destrói uma igreja e vários veículos, que também são atirados ao longe. Mas depois não há mais nenhuma cena que vale tanto a pena, nem a da barca, e muito menos a do porão com TIM ROBBINS. Tudo é feito de maneira até asquerosa para um diretor como Spielberg. Em matéria de clichês, que os filmes de ficção-cientíca tem de melhor, até isso falta neste filme. Seria como se um filme futurista acertasse em cheio em todas as previsões que fizera, sem faltar um detalhe. Não consideraria um filme futurista como 2001 (Hotéis Hilton na Lua) ou Blade Runner (Colonizadores robóticos em pleno século XXI). Um filme como Guerra Dos Mundos tem que ter a vibe de um filme ridículo como os de Roland Emmerich. Presidentes fardados e cientistas vestidos de médicos dando suas teorias sobre o desconhecido. E, se fosse feito assim, menos família, Spielberg faria um filme melhor. O personagem do Tim Robbins, ao invés de louco poderia ser um estudioso como TRUFFAUT em Contatos Imediatos, e Cruise poderia personificar um estilo RICHARD DREYFUSS.
Obviamente que o filme não é um entretenimento tão ruim. Fica na média, o que é péssimo para alguém como Spielberg. Já que não estamos falando de um filme de Emmerich.
Pois é, nós não estamos sós e a última grande guerra da humanidade não foi iniciada por humanos.

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EUA – 2005

AÇÃO/AVENTURA
FULLSCREEN
116 min.
COR
PARAMOUNT
12 ANOS
✩✩ REGULAR
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Sunday, March 4, 2012

STEVEN SPIELBERG | OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA


O que nós, cinéfilos de plantão que adoramos comer muita pipoca, podemos dizer deste filme realizado por dois cineastas idealizadores do produto na década de 70-80. SPIELBERG ( E.T.) e LUCAS ( STAR WARS)? OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA contêm os elementos clássicos dos mais gostosos filmes e seriados antigos das matinês dos anos dourados. A aventura ganhou um nome, INDIANA JONES, com esta fita de 1981 quando em 1936, um professor que estuda arqueologia chamado Indiana, ou Indy (para sempre HARRISON FORD), está se aventurando nas selvas da América do sul em busca de uma estátua de ouro (na sequência de abertura mais fantástica que já assisti). Porém, infelizmente, ele deflagra uma armadilha mortal, ou melhor, várias delas: aranhas, túneis escuros, buracos, lanças mortais, inimigos disfarçados de amigos, espinhos venenosos e até pedras gigantes! Mas, com o seu fiel chicote, ele escapa milagrosamente, sempre, e, mesmo quando tem que fugir de cobras e índios! Em seguida, o filme ganha uma segunda parte quando Indiana é interceptado pelo governo americano, indicado pelo amigo de seu pai, o professor Marcus Brody (DENHOLM ELLIOTT) para ajudar a encontrar um artefato bíblico e misterioso: “A Arca Da Aliança” que continha as escritas mais sagradas de Deus, os dez mandamentos protegido por Moisés, etc, e que, pode conter a chave para a existência humana. Uma vez que este tesouro estiver nas mãos erradas, estes poderiam dominar o mundo, claro. Assim sendo, Jones tem que se aventurar em lugares áridos como o Egito (onde está enterrada a Arca num lugar chamado: Poço Das Almas) e nas gélidas montanhas do Nepal. No entanto, ele terá que lutar contra seu inimigo, outro arqueólogo, Belloq (PAUL FREEMAN) e um bando de nazistas (Hitler aqui não aparece), a fim de alcançá-lo. Mas, Indiana conta também com amigos: o engraçado Sallah , papel que seria feito por DANNY DeVito, mas acabou ficando com o ótimo JOHN RHYS-DAVIES, fiel amigo de Jones, de longa data e uma paixão juvenil do herói, a bela Marion Ravenwood (nome da sogra do roteirista LAWRENCE KASDAN que lhe prestou uma homenagem) – interpretada pela sensacional girl Indy, KAREN ALLEN (de O CLUBE DOS CAFAJESTES). Allen é intrépida, como a personagem e sabe balançar o coração do arqueólogo e luta lindamente (principalmente quando recebe o mocinho lhe dando um soco bárbaro).O filme é pipoca pura! Impossível não comer pipoca assistindo a Caçadores... pelo menos eu não consigo. A cada revisão o filme melhora, não envelhecerá jamais. JOHN WILLIAMS compõe uma das melhores melodias musicais do cinema com o tema do herói, um sujeito de chapéu, chicote e vestimenta simples, suja. FORD substituiu o ator TOM SELLECK que tinha compromisso agendado e contrato com a série MAGNUM. Ele era a escolha de Spielberg e Harrison nem passou pela cabeça de Lucas, porque não queria um rosto familiar. Mas era para acontecer, era o destino de Selleck fazer a série Magnum que alavancou a sua carreira e Ford vestir o personagem que saí pelo mundo em busca de uma boa aventura.Indiana era o nome de um cachorro de Lucas, mas isso não pode definir tanto o personagem. Um professor nas horas vagas, um homem gentil, galanteador, que parece mesmo um James Bond da selva (aliás, a série do herói foi inspirada nos filmes do agente secreto). Todos conhecem a história de que Spielberg estava relaxando na praia com o amigo Lucas, ambos desfrutando dos milhões que Star Wars e Tubarão tinham feito como filmes blockbusters, e de que Steven queria muito dirigir um filme do 007. Daí, Lucas disse ao amigo que tinha escrito uma história melhor e mais original, sobre um certo aventureiro que sai por aí profanando tumbas pela boa causa. Um script que tinha sido colaborado pelo diretor PHILIP KAUFMAN (do premiado filme OS ELEITOS) e que primeiramente seria o diretor. Depois que Kaufman recusou, e como Lucas provou nunca gostar do métier de dirigir filmes, passou o projeto à pessoa mais ideal. O roteirista Kasdan, que Lucas ajudou na estréia na direção com o badalado cult CORPOS ARDENTES (do mesmo ano), entrou na brincadeira depois de ter feito um excelente trabalho no roteiro de O IMPÉRIO CONTRA ATACA. Kasdan não era um datilógrafo, e como na época não existiam microprocessadores, ele fez todo o roteiro do filme à mão! O trabalho não poderia ter ficado mais magnífico e dedicado. Os três: Lucas, Spielberg e Kasdan, bolaram todo o enredo e estilo do filme, que definiu a série. Rápidas gags, timing rápido e sem preocupações técnicas. Seria como entrar e sair correndo de uma locação barroca. O herói andaria a cavalo e daria vários saltos em carros em movimentos. Toda a sequência de Indy perseguindo os nazistas com a Arca em um dos caminhões é vibrante, planejado por Spielberg em storyboard magistralmente.

O que mais impressiona é o cenário do Poço Das Almas, repleto de cobras (e a participação de C3PO e R2D2 em um detalhe do cenário), e quase não dá para ver o vidro que separa os atores de uma naja assustadora refletindo pela câmera! Momentos gracinha de um típico filme estilo REPUBLIC PICTURES. Uma mistura de Faroeste B com seriados fantásticos antigos como ALÉM DA IMAGINAÇÃO (TWILIGHT ZONE série de TV clássica criada por Rod Serling).


Foi exigência de Spileberg que o logo da Paramount fosse apresentado com o design antigo, que se dissolve em uma montanha da selva peruana onde foi filmado (e não na Amazônia como na trama).


ALFRED MOLINA (HOMEM-ARANHA 2) em início de carreira faz Satipo, um nativo que tenta roubar Indy logo no começo. Minha cena predileta é quando o macaquinho perverso acena para cima, mas há momentos antológicos como do cara que ameaça Jones com uma espada, e o mesmo com total desdém dá um tiro sem fazer muita força. (Risos). Como dizem os produtores, Harrison estava muito cansado de tanto fazer proezas neste dia de filmagem e queria voltar logo para o Hotel.

Simplesmente gostoso rever e rever Os Caçadores... nada como duas mentes cinematográficas em plena forma criativa para fazer nascer um herói perfeito. O nosso herói, Indiana.

"Heróis, bandidos, aqueles que são bons e aqueles que são maus, todos eles são Os Caçadores Da Arca Perdida".
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EUA- 1981

AVENTURA
115 min.
COR
WIDESCREEN
LIVRE
PARAMOUNT
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
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Sunday, October 30, 2011

STEVEN SPIELBERG| A.I. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL



Um menino-robô anseia em tornar-se um menino de verdade, como o Pinóquio, para recuperar o amor de sua mãe humana. Baseado no conto de BRIAN ALDISS “Superbrinquedos Duram o Verão Todo.”
No futuro não muito longe de nosso presente, as calotas polares "irão derreter" devido ao aquecimento global e o aumento resultante das águas dos oceanos, o que "afogará" todas as principais cidades litorâneas do mundo (eles citam: Nova York, Veneza, Amsterdã...) Assim sendo, a raça humana foi recolhida para o interior dos continentes já com sua tecnologia avançada no mundo artificial, chegando ao ponto de criar a imagem de sua semelhança, isto é, robôs com inteligência artificial, realistas e domesticáveis chamados de MECAS para servirem os humanos. Uma das empresas do ramo robótico cria um robô-criança com a aparência do filho morto de um médico e cientista dono da corporação. O nome dele é DAVID, um garotinho artificial que é a primeira máquina a ter sentimentos reais, o que é um debate interminável: não acham que o robô era obsessivo demais? Se bem que o homem também é... Especialmente quando se trata de “um amor sem fim” que a pessoa tem que instalar usando um manual de instruções específico e irreversível recitando palavras doces como: tulipa, golfinho e decibel. Bom, um destes “Davids” é comprado por um casal que tem um filho com uma doença terminal e que esta no estado criogênico. A mãe é MONICA, uma mulher que no começo não esta certa quanto ao robozinho. Ela tem medo, o despreza, mas com o tempo acaba se apegando ao menino. Quando ela liga o botão de amar instantaneamente, David nutre um amor inexplicável por ela, sem fim! Ele não ama o pai e tampouco o irmão, quando o mesmo volta do coma e passa a morar na casa e ocupar o lugar do artificial de estimação.


David ama somente Monica. As mudanças começam radicalmente na presença do menino real que trata o menino-robô como um superbrinquedo, apenas. Isso culmina em uma competição entre irmãos para chamar a atenção da mãe que obviamente sempre atenderá ao filho de verdade. Assim os problemas de David e sua jornada para se tornar um menino de verdade começam. A partir do segundo ato é que o filme fica ainda mais interessante. Depois de ouvir de Monica a fábula do menino de madeira (inspiração assumida para esta estória) Pinóquio, clássico de Carlo Collodi, David, de maneira inocente, cria a fantasia de que se ele pudesse localizar a fada azul e lhe pedisse para se tornar em um menino de verdade, sua mãe finalmente pudesse amá-lo. Depois o filme explica que além da faceta do garoto ser a primeira máquina a nutrir sentimentos, foi também o pioneiro a conseguir sonhar, buscar os seus sonhos e nenhuma outra máquina havia feito, experimentado, sentido isso antes de David. Tudo também é muito questionável. Será que um dia a nossa máquina de lavar irá amaciar as nossas roupas com mais carinho? Ou a cafeteira irá fazer um expresso do jeitinho que todo mundo gosta? Ou quem sabe um dia a geladeira passe a gelar a água em cubinhos de coração!? Sonhos humanos e não das máquinas, compreende?
Nós depositamos os nossos sonhos quando criamos as nossas extensões. A extensão da nossa perna, por exemplo, é o automóvel. E, um dia o homem não sonhou em voar? Resultado: a aeronave!
Além do menino-robô aparece outro Meca, JOE, um robô-prostituto que atende mulheres solitárias substituindo dildos e homens. Joe ensina ao David como o mundo dos mecas funciona e ajuda o menino a encontrar a fada azul numa aventura noir futurista. Mas ele não é o grilo falante de David, e sim o ótimo ursinho pimpão: TEDDY que também “foi” um superbrinquedo e o bichinho tem voz de adulto e aconselha David a nunca botar o dedo na tomada. Certamente os personagens são carismáticos, tão bem delineados graças ao toque original de STANLEY KUBRICK. Por falar em Kubrick, seria ele o diretor de A.I., mas infelizmente o grande cineasta nos deixou pouco depois de concluir “De Olhos Bem Fechados” e o projeto caiu no colo de SPIELBERG. Aliás, Steven tem uma relação antiga com o projeto desde 1984 quando o misterioso Kubrick lhe apresentou o projeto pela primeira vez e contou sobre essa fábula futurista de seres artificiais. Spielberg disse que foi uma das melhores histórias que alguém já lhe contou e melhor ainda que este alguém seja um Stanley Kubrick.
Era a primeira vez que Stanley, que vivia uma amizade pessoal com Steven durante 15 anos, havia compartilhado com ele uma premissa para um filme. Segundo Steven: “...ele nunca havia me mostrado “Nascido Para Matar” ou “O Iluminado”, era a primeira vez que Stanley me mostrou uma história.” O motivo era simples, Kubrick sempre achou que Spielberg era o mais adequado para esta adaptação e teve a idéia de ser apenas o co-roteirista e produtor da fita que Steven iria dirigir. Pasmo com o convite, inicialmente Spielberg aceitou, mas trocando faxes diretos com Kubrick durante 10 anos trabalhando no projeto (um era o secretário do outro e mais ninguém tinha acesso ao material), elaborando storyboards, escrevendo o script, etc, no fim, já nos anos 90, Spielberg achou que esta história era ideal para Kubrick – tinha tudo para ser um filme realizado por ele (o próprio Steven disse que preferia), só que mesmo assim, ainda quando Kubrick era vivo, o mesmo mandava a direção para Steven. Ficou um jogando o filme na mão do outro até que finalmente, já na quase pós-produção de ‘Eyes Wide Shut’, Kubrick resolveu que iria ser o diretor e Spielberg o produtor. Bom, o resto vocês já sabem, a trágica morte de Stanley Kubrick em março de 1999 comprometeu A. I. quase que para sempre. Christiane Kubrick (esposa de Stanley) pediu pessoalmente ao Spielberg que ele o fizesse, ou então, segundo ela – o que disse na entrevista a produtora BONNIE CURTIS – “Esse filme jamais verá a luz do dia Steven, se você não o dirigir.” Portanto, para homenagear o amigo, Spielberg aceitou. Esse respeito que Steven tinha por Kubrick, toda uma admiração pelo saudoso cineasta e pelo fato dele ter amado esta história é claramente visto na fita, um filme que tem muito do toque de Kubrick (nos diálogos principalmente) e acabou sendo o melhor, provavelmente único, GRANDE FILME DE STEVEN SPIELBERG no século XXI (vamos esperar pelos próximos). Acho que Steven fez o seu filme menos pessoal aqui resultando numa fita bem diferente dentro da obra do cineasta. Claro, que mesmo assim, o roteiro (reescrito inteiramente por Spielberg) teve mudanças interessantes e ele adicionou o seu toque também, contudo, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL é mais como “um filme presente” em memória de Kubrick (é dedicado para ele) que acabou sendo o responsável por adiar outros futuros projetos de Spielberg naquele período, que queria dedicar-se profundamente no filme. A.I. confirmou a aclamação de Spielberg ainda mais após o Oscar por O RESGATE DO SOLDADO RYAN (1998). Foi mesmo uma fase boa.O filme teve colaboradores de ambas às partes (de Kubrick e Spielberg) que imprimiram trabalhos inspirados em todos os departamentos artísticos. O artista conceitual CHRIS BAKER, na época contratado pessoalmente por Kubrick, continuou a trabalhar na elaboração dos ambientes futuristas. Acho os desenhos dele espetaculares que mostra um viaduto futurista com túneis em formato de faces que “engolem os automóveis” levando-os a “Rouge City” e também toda a arena do “Mercado de Peles”, uma das partes mais bacanas do filme. O produtor JAN HARLAN, de todos os filmes de Kubrick desde “Laranja Mecânica”, também produz o filme e, os artistas de sempre a serviço de Spielberg: o diretor de fotografia JANUSZ KAMINSKI sem duvida, em minha opinião, supera-se aqui colaborando com a fotografia e de todos os filmes do diretor, depois de A Lista de Schindler, é o melhor trabalho dele. A perspectiva da luz é fantástica, sobretudo no último ato.
O músico compositor JOHN WILLIAMS, também deixa a sua marca e que pela primeira vez, compõe algo diferente com música eletrônica que se converge com sua típica e fantástica música operística (o tema musical em que David é deixado na floresta é impressionante) e sem contar no trabalho da equipe dos estúdios de STAN WINSTON que faz toda a parte “artificial” do filme, construindo robôs que em parte são efeitos de CGI (Teddy, quando os robôs velhos estão procurando partes no ferro velho) e em parte realmente física e que também faz um trabalho crucial colaborando na maquiagem – sobretudo do personagem JOE que mudava de colorização em cada programa. Só uma coisa que Spielberg não abriu mão e dividiu créditos, o próprio roteiro. E concordo com ele. Como Spielberg era, além de Kubrick a única pessoa a entender a premissa, passar as idéias centrais a um outro roteirista seria um erro e provavelmente o filme perderia muita coisa e aquele toque original que Spielberg queria manter. Assim, depois de anos ele sentou e escreveu um roteiro completo (só havia feito isso em CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU). Claro que Steven é um daqueles diretores como Hitchcock que sempre não leva crédito pelos roteiros de todos os seus filmes. Ele colabora sim, bastante (como todo bom e competente cineasta deve interferir), mas segundo ele, os créditos que recebeu em alguns filmes (como POLTERGEIST) não deixavam de ser colaborações, a diferença é sentar e escrever um roteiro para um filme, sozinho. Ele o fez, e acho que Spielberg imprimiu um lindo trabalho de roteiro. Felizmente ele não só preservou Kubrick (se prestar atenção nas falas e se conhece os filmes do diretor decerto saberá o que estou dizendo), como também fez mudanças necessárias. No entanto, assim como Spielberg, acredito (e acho que todos os cinéfilos também) que A.I. ficaria ainda mais espetacular e filosófico totalmente nos moldes Kubrikianos.
Quanto ao elenco, acho que localizaram as pessoas certas começando por David. Segundo Spielberg: “HALEY JOEL OSMENT foi a minha primeira e última escolha.” E não é para menos! Depois de o guri ter encantado a todos no filme de M. Night Shyamalan – O SEXTO SENTIDO (1999), era correto que Haley, naquele momento, teria que ficar com o papel. É incrível como o garoto é bom, consegue emocionar pedindo a fada que lhe transforme em um menino de verdade, ou quando é deixado na floresta sem dó nem piedade (cena difícil), e mesmo quando fica irritado quando descobre que existem outros mecas como ele em uma linha de fabricação. Mas, a cena mais emocionante é quando ele diz que Monica era a mamãe dele e a abraça.Particularmente acho esquisito o surto dele em ter que se jogar, cometendo o suicídio, isso me provoca e perturba para entender a condição de amor que ele sentia. Isso confunde e se contradiz um pouco, confesso – ainda não sei se é proposital ou o que quer dizer – mas tudo vira uma espécie de obsessão quando David não encontra respostas matemáticas para o amor não correspondido. Ele tem tiques de querer a mãe só para ele em tempo integral, mesmo sendo doce e inocente, um fofo. Provocações à parte, o filme não deixa de ser vigoroso. JUDE LAW faz muito bem o gigolô-Joe com suas dancinhas imitando Fred Astaire e certamente é um galã envolvente, continua bonito. Acho FRANCES O´CONNOR excelente, e acredito que o papel da mãe humana seja o mais complicado de fazer. Uma mulher maternal dividida entre o seu cachorrinho de estimação e o próprio filho e no fim, cortando o seu coração de uma maneira meio fria, a fim de proteger o robozinho (ela ia devolver ele a empresa que o construiu, só que lá eles iriam o destruir já que a programação não tinha volta), o abandona na floresta e não olha para trás. É bem dúbio, como o é as obras de Kubrick em cada nuance. WILLIAM HURT deixa o seu jeito habitual presente ao interpretar o cientista, gosto dele, e BRENDAN GLEESON (da série HARRY POTTER) faz uma ponta como o dono do mercado de peles que detém a artificialidade, destruindo robôs para divertimento local.
Spielberg foi criticado por não terminar o filme no anfitecóptero em que mostrava David preso olhando uma imagem da Fada Azul no fundo do oceano. Ele resolveu avançar no tempo mostrando que os seres humanos estavam extintos e que os robôs (com cara de ET`s) se tornaram os dominantes do Planeta Terra a 2 mil anos no futuro! Bom, eu gosto deste novo e último ato proposto por Spielberg e sem ele o filme teria menos ainda o seu toque. É interessante saber que os robôs tratam os humanos como nós tratamos os dinossauros, como seres pré-históricos. Assim, a fita se torna ainda mais um panfleto de ficção-científica. E, é deslumbrante também ver todos aqueles efeitos visuais e Frances O´Connor em mais um último momento em cena doméstica com Haley Joel Osment. Aqui confirma a química que eles tinham como mãe e filho, uma relação nem um pouco artificial. Emociona quando ela morre e ele volta a sonhar...

Friday, October 28, 2011

ROBERT ZEMECKIS | DE VOLTA PARA O FUTURO - A TRILOGIA

It was time!

Em 1985 (já faz tempo), um cientista amalucado chamado “DOC” BROWN (CHRISTOPHER LLOYD) inventa o impossível: uma máquina do tempo em um DeLorean, e um rapaz chamado MARTY McFLY (MICHAEL J. FOX) acaba viajando acidentalmente para 1955 e acaba atrapalhando a linha do tempo fazendo com que sua mãe se apaixone por ele. Assim, McFly tem que corrigir esta bagunça para não colocar em risco a sua própria existência. Depois de visitar 2015, Marty deve repetir a visita que fez em 1955 para evitar maiores mudanças desastrosas em um “1985 alternativo”, sem interferir com sua primeira viagem. Isso depois que o jovem compra um almanaque de esportes com todos os resultados dos jogos desde a década de 50. Roubam sua idéia e faz com que o seu presente fique diferente. Depois de concertar mais uma bagunça (essa foi a mais “pesada”), Doc. Brown é que vai parar acidentalmente em outra época. Mais longínqua, desfrutando de uma existência pacífica no Velho Oeste Americano, em 1885, cem anos antes de seu presente. Mas o doutor esta prestes a ser morto por um fora da lei chamado “Mad Dog” Tannen (THOMAS F. WILSON). Assim, pela terceira e última vez, Marty viaja de volta no tempo para salvar o seu amigo, que além de tudo, está apaixonado por uma professora chamada CLARA CLAYTON (MARY STEENBURGEN). No fim Marty vive grandes aventuras “temporais”, mas o que ele deseja sempre é viajar DE VOLTA PARA O FUTURO.

Apresentado por STEVEN SPIELBERG, essa trilogia de filmes dirigida por ROBERT ZEMECKIS, o seu melhor afilhado dentre todos os amigos cineastas que Spielberg lançou, o cara também dirigiu os ótimos- (FORREST GUMP, NÁUFRAGO, UMA CILADA PARA ROGER RABBIT, TUDO POR UMA ESMERALDA, O EXPRESSO POLAR, A MORTE LHE CAI BEM, REVELAÇÃO, etc.) é uma das, em minha opinião, melhores e mais datadas trilogias que Hollywood já produziu. E a palavra “datada” é até simbólica e verdadeira sobre esta jornada pelo tempo. É curioso saber como os seus pais se comportavam na sua idade (entre os 15-18 anos) e a trilogia é sobre um rapaz (MICHAEL J. FOX – imortalizado por este papel) que vive a década “perdida” dos anos 80 e que nunca é o pivô e ou/ o centro das atenções das tramas. Ou seja, ele é apenas um jovem que não gosta de estar na época em que esta, e o que ele quer, sempre, é voltar para o seu futuro, estar na sua escola, beijar a sua namorada e tocar a sua guitarra. É explicável o fenomenal sucesso que De VOLTA PARA O FUTURO conseguiu obter e hoje já é um clássico querido. Impossível alguém não curtir as aventuras de Doc. Emmett Brown, um homem com as características de um Leopold Stokowski (cultuado maestro) com o seu cabelo e gestos exagerados regendo as suas idéias malucas como se conduzisse uma orquestra e Marty McFly o típico garoto que mesmo não sendo um nerd, anda de skate, toca guitarra, leva advertência, mas é amigo de um excêntrico sujeito. Será que Marty se interessava por ciência? Por ser mais assistente que só amigo do velho cientista solitário (mais na primeira fita).
A premissa é inspirada nos clássicos da literatura A MÁQUINA DO TEMPO de H. G. WELLS e UM CONTO DE NATAL de CHARLES DICKENS (que Zemeckis adaptou recentemente e que aqui levou o nome de “Os Fantasmas de Scrooge" com Jim Carrey em motion capture), mas obviamente que “De Volta Para O Futuro” teria uma explicação mais “física” para se locomover através do tempo. Nada de desejos ou digressões líricas através de sonhos, e os personagens não viajam de um ponto para o outro milagrosamente. Exemplificando: Marty e Doc não voariam com o DeLoren de Hill Valley e chegariam em 1955 na velha Londres. Assim sendo, a viagem no tempo seria instantânea, partindo e chegando no mesmo ponto geográfico aparentando diferenças do passado e futuro. É legal a idéia concebida pelos efeitos especiais, aliás todos ópticos, muito antes da era digital, em que uma trilha de fogo é deixada para trás quando o DeLorean desaparece (deixando a placa). Essa imagem é digamos “a bandeira da série”. Um efeito simples e criativo, afinal seria ridículo (como em muitos filmes sobre viagens no tempo – até mesmo as versões da obra de Wells [a obra prima no assunto]) se o carro apenas sumisse do local presente e brilhasse quando chegasse no tempo (como nos tele- transportes de Star Trek). A explicação no filme como tudo acontece é através de um plutônio que alimenta o “capacitador de fluxo” tudo construído com autonomia por este cientista de garagem. Outro ponto interessante em De Volta... é que não é um filme de ficção-científica com ênfase no hardware e sim sobre pessoas que se aventuram (na verdade nem é Sci-Fic). Zemeckis evita muitas explicações sobre como tudo funciona e o Doc Brow é até cortado quando diz: “Na minha opinião se você vai construir uma máquina do tempo em um carro por que não fazer isso com grande estilo? (DeLorean). Além disso, a construção de aço fez a dispersão do fluxo...” Bom, quem se importa? O que mais interessa é que eles conseguem fazer com que o público acredite na possibilidade destas viagens, e mesmo porque o roteiro é minucioso quanto aos detalhes sobre os acontecimentos da vida de cada indivíduo.

Existiu um baile de encantamento do fundo do mar onde os pais de Marty se beijaram pela primeira vez. Um beijo responsável por sua existência e a de seus irmãos, e um raio que cai no relógio da Torre em 55 que ajuda a fazer com que o DeLoren volte para 1985 com o seu viajante. São essas mudanças na história - quando Marty chega na vizinhança modificando tudo, que fazem da trilogia um achado. BOB GALE (produtor e roteirista) afirma que a idéia dele e do parceiro Zemeckis era original na época. Bom, eu pesquisei bem e acredito nesta afirmação. Não achei nenhum filme ou livro que contou uma possível viagem no tempo de uma maneira tão atraente e até se preocupando com a verossimilhança dentro da idéia principal: “E se... você pudesse viajar pelo tempo?”
A partir do sucesso da primeira fita, Zemeckis concebeu a premissa em uma trilogia, e realizou simultaneamente as partes 2 e 3 com script sempre escrito por Bob Gale. Aliás, Bob e Bob (Zemeckis também é apelidado de Bob) têm uma longa carreira em parceria no passado. É deles o roteiro do maior fracasso comercial de Spielberg (1941 – UMA GUERRA MUITO LOUCA de 1979). Zemeckis já vinha com sucessos de crítica com os seus dois primeiros filmes (e também a primeira incursão de Spielberg como produtor) com FEBRE DA JUVENTUDE (1978) e CARROS USADOS (1980). Nenhum sucesso de bilheteria, portanto foi preciso o Michael Douglas, ator e produtor, convidar Zemeckis para dirigir o seu “Indiana Jones” Tudo Por Uma Esmeralda (Romancing The Stone) em 1984 para o projeto Back To The Future ganhar êxito porque até aquele momento não era suficiente apenas a proteção de Spielberg tentando convencer os estúdios. Isso pelo fato de que na época se produziam filmes adolescentes mais “picantes” e ousados, que davam retorno financeiro como: “Picardias Estudantis”, “Porky´s” ou “O Clube dos Cafajestes”. E, uma história leve (exceto pela idéia rejeitada e problemática da mãe jovem se apaixonando pelo próprio filho – sujeira demais), o filme não era tão atrativo para um estúdio investir e transformá-lo numa trademark. Foi complicado vender o roteiro, mas não foi difícil conceber a originalidade e fugir das convenções impostas pelo estilo de aventura.O filme teve várias versões da história e passou por tratamentos interessantes como, por exemplo, em um momento, uma explosão nuclear seria o elemento chave para fazer o garoto voltar para o futuro. Claro que uma idéia dessas seria caríssimo realizar em 85. No fim a idéia do raio que atinge o relógio da Torre mandando tantos gigawatts para o capacitador de fluxo foi uma idéia superior (e simbólica) e toda a sequência (não importa quantas vezes a gente assiste – mesmo se for apenas na primeira fita e nas outras que se repete) é de roer as unhas e nos fazer vibrar, ainda mais com a maravilhosa música de ALAN SILVESTRI ( que compõe em todos os filmes do diretor). Eu adoro o tema que Silvestri criou para a série e principalmente no primeiro, a escala musical garante mais status a todo o filme. Gosto também da música tema cantada por HUEY LEWIS.

O elenco é ótimo. ERIC STOLTZ (Pulp Fiction/A Mosca 2) fez algumas cenas e já estava escalado para interpretar Marty McFly. Só que o diretor Zemeckis sentiu que havia cometido um engano e logo o substituiu por J. Fox.
Além de Fox e Lloyd - que tem uma química incrível- LEA THOMPSON (como a mãe de Marty e sua tataravó) aparece nos três filmes, e de três maneiras diferentes acorda o rapaz que acha que está sonhando. Gosto mais de Lea no primeiro como a típica garota dos anos dourados que sonha com o seu príncipe encantado e fica fascinada, de um jeito até infantil, pelo garoto oitentista. Ela representa esta transição adolescente, já que foi nesta época em que os jovens podiam respirar um pouco mais, ter opinião formada, começar a usar jeans (embora quase não tenha muito isso em Hill Valley) e admirar os filmes de James Dean. Eram os tempos do guaraná com rolha, dos Milk shake e das Jukebox. CRISPIN GLOVER que não voltou nas continuações (porque queria receber um absurdo cachê pelo papel) faz o pai de Marty, o boboca GEORGE McFLY que vive sendo a vítima de bulliyng de um metido a valentão, Biff Tannen o ótimo THOMAS F. WILSON, que também volta como vilão nos três capítulos (em especial no terceiro como o “Mad Dog” – Cachorro Louco Tannen, o meu favorito). A namorada do herói, Jannifer Parker é feito por duas moças bonitas: primeiro pela desconhecida CLAUDIA WELLS e depois substituída estranhamente por ELISABETH SHUE, começando carreira. Isso é uma explicação de Zemeckis para o final do primeiro, na qual ele diz que nunca pretendia fazer continuações e que aquele “The End” foi acidental, senão ele não teria colocado a namorada dentro do DeLoren, o que criou um grave problema limitando as aventuras de Doc e Marty e o que testou a criatividade deles já que a série é muito contínua e vai desencadeando para a próxima premissa sem atalhos. Segundo Zemeckis: “Vocês imaginam que tipo de aventura que Doc e Marty teriam se eles estivessem sozinhos no DeLoren voador?”
Problema maior foi a saída do Crispin Glover (que ganhou alguns dólares apenas como imagem de arquivo no segundo filme). Assim DE VOLTA PARA O FUTURO PARTE II é um dos mais suspeitos filmes de Zemeckis. Além de datado e errôneo (2015 está chegando e não é daquele jeito) é o mais criativo e complexo de toda a trilogia. Mas nunca confuso! Depois de roubar um almanaque de esportes com todos os resultados e respostas dos jogos (acho que de Beisebol né?) o malvado Biff entrega para ele mesmo jovem em 1955 fazendo com que o presente de Marty fique de pernas para o ar. O Biff se torna milionário (porque apostava sempre no vencedor e nunca perdia), se casa com a mãe de Marty (“ciliconada”) e George é dado como morto (uma forma engraçada de tirar o Crispin do elenco). Aquele 1985 é violento, parecendo um filme de gangue do cultuado Walter Hill como “Selvagens da Noite” (The Warriors -1979) ou “Streets of Fire” (1984 com Michael Paré e Diane Lane). Só que o mais atrativo é a viagem para 2015 com todos os carros voadores, os skates que flutuam a meio metro do chão (HoverBoard - sucesso de vendas à época), as jaquetas que se “auto-secam”, os tênis NIKE, os novos e modernos postos TEXACOS e todos os demais consumos capitalistas com propagandas descaradas (a melhor é a da PEPSI), que é como o segundo filme é vendido.
A parte dois é um futuro estranhíssimo com Michael J. Fox (fazendo totalmente maquiado), vários papéis (porque ele tinha que fazer a própria filha?), ele: mais velho e sendo o seu filho e filha. Incomoda um pouco, mas o trabalho de câmera é pioneiro mostrando J. Fox na mesma cena nos múltiplos e bizarros papéis. Deste futuro o que mais me impressionou foram: o Michael Jackson aparecendo numa televisão recebendo as pessoas em um “Café nostálgico Anos 80” (substituindo a lanchonete do primeiro e todo aquele visual cinquentista, a ponta de Elijah Wood criança jogando um videogame do futuro e saber que haverá um “JAWS 19” (Tubarão 19) dirigido pelo filho de Spielberg, Max. Melhor ainda é ficar fascinado com a propaganda do filme neste futuro: um holograma do bicho com a musiquinha do John Williams que tenta abocanhar Marty metros a frente do cinema. E ele titubeia dizendo: “Ainda parece falso” (mas ele grita -piadinhas a granel). Essa é uma das inúmeras piadas sutis que a trilogia carrega, sobretudo nos dois primeiros (Marty tocando “Johnny Be-Good” na guitarra e o primo do Chuck Berry, Marvin, ligando para ele dizendo que havia achado o som que ele estava procurando). Mas as piadas que os filmes fazem são ótimas porque são breves homenagens a artistas que transcenderam o tempo. Sim, o segundo é o mais “invertido” da trilogia e o que teve mais efeitos visuais, mas confesso que o meu favorito é mesmo o terceiro no Velho Oeste.Eu amo faroeste, mas não só por isso. Além de ser o filme mais recreativo da trilogia, a trama não se preocupa nem um pouco em toda a sua representação, afinal está tudo registrado no passado (principalmente nos filmes de John Ford). Além do mais, previsões futurísticas acabam, com o próprio tempo, tornando-se fantasiosas demais se não for feito de uma maneira inteligente (o que foi o caso aqui). Hoje, Laranja Mecânica, por exemplo, nem é identificado (principalmente pelos mais jovens) como um filme do futuro. Sim, é um problema, e Zemeckis até critica Stanley Kubrick. Portanto fazer o terceiro filme em 1885 foi uma saída mais acertada.

Em DE VOLTA PARA O FUTURO PARTE III é a vez de conhecermos mais sobre o Doc. Brown e vê-lo se apaixonar por uma dama da época, feito lindamente por Mary Steenburgen.Marty brinca de bang bang, anda a cavalo e respira o ar puro das montanhas e desertos do oeste americano. Aqui a premissa não quer complicar muito com sub-tramas (como na segunda parte) é apenas sobre Marty indo de volta ao passado para resgatar Doc de seu cruel destino: ser morto por um fora da lei por causa da ferradura de seu cavalo que o bandido usava para se locomover e fazer os seus assaltos. Todas as explicações são inocentes e acaba tendo mais aventura. Marty fugindo de um Saloon enquanto é laçado pelos bandidos e imitando aqui Clint Eastwood em mais uma das piadas que homenageiam os filmes do passado. O mais bacana é ver que eles precisam usar a tecnologia daquela época para poder voltar ao futuro. Não há dúvidas que toda a sequência na locomotiva é deslumbrante e consegue superar a primeira sequência do relógio. Além de a terceira parte encerrar com chave de ouro, é um filme ameno e que entusiasma muito mais dizendo que o nosso futuro somos nós mesmos que fazemos.