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Wednesday, May 30, 2012

STEVEN SPIELBERG | GUERRA DOS MUNDOS




A grande obra de WELLS já foi adaptada três vezes: em 1938, ORSON WELLS causou pânico ao transmitir a história em um programa radiofônico com a equipe do Teatro Mercúrio. Um rádio-filme transmitido no Halloween, e que causou um grande tumulto e pânico em toda costa americana ao narrar de maneira jornalística uma invasão de marcianos. Alguns anos depois, a Paramount Pictures comprara os direitos autorais de Wells, e o produtor GEORGE PAL, realiza em 1952, uma fantástica visão da Guerra Fria e toda a paranóia envolvendo o período do governo de Eisenhower, estrelada por marcianos, ANN ROBINSON e GENE BARRY (que fazem uma ponta na cena final na fita de Spielberg, como os avós maternos das crianças). A terceira e menos envolvente versão é a do mago STEVEN SPIELBERG, que sendo quem é, o diretor de obras magistrais como E.T. (1982) e CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU (1977), faz esta adaptação (onde os Et´s não vem de Marte e são maus) com um mesmo disfarce político que cobre a época. Aqui, Spielberg faz o seu filme empoeirado no pós 11 de setembro que assolou o país e o mundo naquela fatídica manhã de terça-feira. Essa dor percorreu em Hollywood até aquele momento, até mesmo por volta de 2005. Assim sendo, o famoso cineasta, querendo voltar ao tipo que lhe tornou um mito, coloca o astro TOM CRUISE (MINORITY REPORT) nesta fita de ação que não faz muito o gênero ficção-científica e não tem um certo envolvimento emocional de um pai divorciado que tenta se reaproximar dos filhos (DAKOTA FANNING e JUSTIN CHATWIN) que vão passar um final de semana com o pai na costa leste, enquanto a mãe (MIRANDA OTTO [O SENHOR DOS ANÉIS]) grávida e novamente casada, vai com o marido para a casa dos pais em Boston. Neste interín, começam os ataques de naves Tripods, que atiram um raio fatal que desintegra em instantes os corpos das pessoas transformando-as em pó. Portanto na metade da fita, Cruise (do mesmo tipo de sempre) foge com os filhos desta desesperada caçada humana.Não vou negar que o filme tem algumas cenas interessantes, como a narração de MORGAN FREEMAN, citando Wells ao estilo de Orson Wells, na abertura do filme que mostra seres microscópicos e o planeta terra que se transforma num semáforo no sinal vermelho que lembra o planeta marte, e assim vai a grandes tomadas das principais metrópoles do mundo e os microcosmos da população em plongée.
Mas o filme é ríspido e contado pelo ponto de vista dos protagonistas e não vemos aquele típico filme “desaster” em grande escala. Fui com esta expectativa, afinal, a obra de Wells foi contada desta forma, em proporções épicas na versão de 52, e mesmo com as limitações da tecnologia e efeitos especiais da época. O que só o torna mais especial e um clássico da ficção-científica do cinema fantástico.
Na versão de Spielberg, os invasores saem do chão e transformam o nosso planeta como o deles (usando sangue humano – sem explicações alusão a Marte?) depois que a tempestade de raios atinge pontos do planeta. Explica-se que as naves (tripods) estavam enterradas aqui há milhões de anos, e que este ataque foi planejado do tempo em que esta civilização espacial hostil plantou essas naves em nosso lar. Mas tudo são teorias que não querem preencher em diálogos que expliquem o motivo. E, como estes seres plantaram as naves se eles não podem respirar por muito tempo em nosso planeta? Se eles estiveram aqui há muito tempo, antes de existir o ser humano, antes de nossa história começar, como eles não planejaram o inevitável? Afinal, o filme mantém a versão de Wells sobre os germes de nosso planeta terem matado as criaturas extraterrestres (ou subterrestres) como preferirem.
Na prosa de Wells, Marte estaria morrendo e os marcianos, obviamente acharam que o único planeta sustentável (risos) do sistema solar era a Terra.O que me incomodou na fita de Spielberg é a falta de coerência com a obra, transposta para a atualidade com cara de ataque terrorista à la Bin Laden. Ou seja, ele joga panos quentes numa obra magnífica, que tinha tudo para ficar mais espetacular em suas mãos, e prefere fazer um filme sem alma e que escapa totalmente do gênero da sci-fic. Onde estão os personagens cientistas que discutem o design das naves? Cadê o grupo de Ufologia que são presentes em Contatos Imediatos e até os "vilões adultos" de ET? Tudo é simplesmente limitado não só cientificamente, mesmo sendo ficcionalmente, mas dramaticamente também.
Segundo Spielberg, ele planejava o filme com Cruise há um certo tempo. Antes mesmo de tocar o projeto como produtor do diretor Jan De Bont para o filme Minority Report. Mas, depois que ROLAND EMMERICH lançou INDEPENDENCE DAY em 1996, o projeto foi adiado para não haver comparações óbvias. Ele esperou, e o resultado chegou depois que as torres gêmeas foram atingidas e um novo medo instalou-se nos EUA.Guerra Dos Mundos pode ter algumas qualidades que são a marca de Spielberg. A fotografia contra-luz e os movimentos de câmera. Ou mesmo as falas sobrepostas em cenas de maior clímax, como no momento em que Cruise vai investigar os raios no centro do bairro e as pessoas se aglomeram para ver, curiosas. Alias, devo admitir que é possível gelar o sangue quando vemos o primeiro tripod saindo do asfalto, causando uma enorme erosão que destrói uma igreja e vários veículos, que também são atirados ao longe. Mas depois não há mais nenhuma cena que vale tanto a pena, nem a da barca, e muito menos a do porão com TIM ROBBINS. Tudo é feito de maneira até asquerosa para um diretor como Spielberg. Em matéria de clichês, que os filmes de ficção-cientíca tem de melhor, até isso falta neste filme. Seria como se um filme futurista acertasse em cheio em todas as previsões que fizera, sem faltar um detalhe. Não consideraria um filme futurista como 2001 (Hotéis Hilton na Lua) ou Blade Runner (Colonizadores robóticos em pleno século XXI). Um filme como Guerra Dos Mundos tem que ter a vibe de um filme ridículo como os de Roland Emmerich. Presidentes fardados e cientistas vestidos de médicos dando suas teorias sobre o desconhecido. E, se fosse feito assim, menos família, Spielberg faria um filme melhor. O personagem do Tim Robbins, ao invés de louco poderia ser um estudioso como TRUFFAUT em Contatos Imediatos, e Cruise poderia personificar um estilo RICHARD DREYFUSS.
Obviamente que o filme não é um entretenimento tão ruim. Fica na média, o que é péssimo para alguém como Spielberg. Já que não estamos falando de um filme de Emmerich.
Pois é, nós não estamos sós e a última grande guerra da humanidade não foi iniciada por humanos.

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EUA – 2005

AÇÃO/AVENTURA
FULLSCREEN
116 min.
COR
PARAMOUNT
12 ANOS
✩✩ REGULAR
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Wednesday, May 9, 2012

UNIVERSAL MONSTERS COLLECTION: CAPÍTULO DOIS





“Ouça. As crianças da noite. Que melodias elas fazem”. Esta frase ficou famosa no mundo todo, mesmo existindo inúmeras versões do clássico de BRAM STOKER (inclusive a de Francis Ford Coppola, 1992 com Gary Oldman), nenhuma é tão memorável quanto este original de 1931 realizado pelo especialista do gênero TOD BROWNING (diretor de Monstros- Freaks). Começando nas sombras dos Montes Cárpatos, na Transilvânia, ergue-se o aterrador Conde Drácula, o único BÉLA LUGOSI. Depois de uma viagem angustiante através das montanhas dos Cárpatos, na Europa Oriental, um homem chamado Renfield (Dwight Frye) entra no castelo do Conde Drácula para negociar e finalizar a transferência de Carfax Abbey em Londres para o Conde que é na verdade um imortal vampiro sanguinário. Renfield é hipnotizado e acaba enlouquecendo, transformando-se em seu servo. Ele protege o Conde de tudo, inclusive durante a sua viagem de navio de volta a Londres quando o vampiro mata a tripulação da embarcação. Chegando lá conhece duas moças, uma delas, Lucy, é transformada em vampira, mas Drácula se volta para a jovem Mina Seward que parece sua amada reencarnada. Ela é filha do Dr. Seward, que fica preocupado e chama o especialista em vampiros, Dr. Van Helsing, para diagnosticar a saúde da moça atormentada pelo morcego, que espreita na névoa. Quando o médico descobre a verdade une forças com o noivo da moça, o herói John Harker, e o Dr. Seward, para deter o vampiro, antes que Mina se torne uma morta-viva.Esta trama romântica e assustadora do autor Stoker, foi a primeira escolha do produtor e fundador dos estúdios da Universal, CARL LAEMMLE. Drácula foi o primeiro monstro do estúdio (embora exista as versões mudas de O FANTASMA DA ÓPERA e O CORCUNDA DE NOTRE-DAME) que culminou numa série de filmes do gênero após o sucesso inesperado de Tod Browning. No mesmo ano o estúdio produziu Frankenstein com Boris Karloff, dirigido por James Whale, mas Drácula foi lançado anteriormente. A fórmula era para ser lançada quando o estúdio fora fundado por Laemmle em 1915, como um filme mudo. No entanto, só foi finalmente produzido dezesseis anos depois. Drácula foi o primeiro filme de terror falado e a honra foi da atriz e sobrinha de Laemmle, CARLA LAEMMLE, que faz uma ponta dentro de uma carruagem a caminho da Transilvânia e diz: “Entre os escarpados picos debruçados sobre Borgo Pass encontram-se ruínas de castelos de uma antiga época...” [ eis a primeira fala de um filme de terror da história do cinema].
Certamente o filme é hoje em dia inocente demais e até engraçado, para os olhos desavisados da nova era, mas em 1931 as pessoas o receberam de outra forma.
O que mais me fascina é a fama do personagem, que é provavelmente a figura mais conhecida da mídia do século 20, ou melhor, de todos os tempos. Quem nunca leu o livro ou viu o filme sabe exatamente quem ele é.

O mais curioso é que Laemmle tinha sérias dúvidas quanto aos filmes de terror e não queria fazê-los, mesmo tendo um interesse maior na obra de Bram Stoker, mas certamente ele tinha outra visão, mais adulta e dramática. Graças ao seu filho CARL LAEMMLE JR., que insistiu muito em produzir estas fitas, o filme acabou sendo produzido com um roteiro diferente da visão de Laemmle-pai, que deu carta branca ao filho de ser o produtor artístico do filme e dos muitos de monstros a seguir. A universal acabou filmando Drácula três vezes. Primeiro no famoso de Browning em 31 com Lugosi, que vos falo, depois a simultânea versão em espanhol feita para o público estrangeiro (já que não existia equipamento de dublagem, a preferência foi refilmar a história nos mesmos cenários do filme com Lugosi com diretor e equipe espanhola) estrelado por CARLOS VILLARIAS como o Conde. Há cinéfilos que até acham que esta versão é até superior do ponto de vista técnico. Em seguida, veio a versão mais romântica em 1979 com FRANK LANGELLA como o clássico vampiro (a de Coppola aqui não conta porque foi feito na Columbia). Este Drácula personificado por Langella é o mais sexy e ousado, um filme atrevido.Antes de ser da Universal, Drácula foi publicado em 1897 no livro de Stoker e há mais de cem anos vem sendo sensação de fanáticos do gênero,também em eventos, feiras e convenções. Stoker escreveu um romance sobre sangue e trovadas, assim, o Conde não era, na verdade, atraente, e sim uma criatura horrenda e decrépita. O mais parecido com a visão de Stoker é um filme anterior de uma equipe de cineastas da Alemanha com o longa ‘NOSFERATU’, uma “sinfonia do horror”, como dizem. Ele continua sendo um dos filmes mais assustadores de todos os tempos e foi dirigido por F.W. MURNAU. Um exemplo clássico do expressionismo alemão. Isto é, em Nosferatu não há nada de sexual ou bonito. Ele tem a aparência de um rato e é tão mau, sem tréguas, espalhando uma praga por onde passa. O personagem do filme alemão era chamado de Conde Orlok e foi lindamente interpretado por um ator alemão de teatro chamado: MAX SCHRECK, cujo nome por uma incrível coincidência significa “terror” ou “medo” em alemão. E, sem dúvida, de todos os Dráculas da história do cinema, ele é o que mais personifica a repulsa essencial que era a intenção do criador. Bom, além disto, o estúdio PRANA FILMS que produziu Nosferatu acabou sendo processado pela viúva de Stoker pelos direitos autorais da obra. Visto que na época esta questão legal não era muito discursiva. Então, pelo processo, o filme acabou saindo do mercado e virou CULT.
Obviamente BELA LUGOSI possuía um charme do mundo antigo e acabou se tornando o Drácula mais conhecido com certa qualidade misteriosa e sedutora. Com um sotaque húngaro pesado e olhos expressivos com pouca maquiagem, Lugosi conseguiu enlouquecer as mulheres à época e deixar o público masculino nervoso. Sem mais. Também, Lugosi acabou que ficando extremamente associado ao papel a ponto de as pessoas se referirem a ele como Conde Drácula o que o fez fazer papéis semelhantes ao término da carreira que depois viria ao esquecimento, atuando em filmes baratos de ED WOOD até a sua morte. Segundo Bela: “Drácula era uma bênção e uma maldição. Drácula nunca morre”.Quando o filme foi lançado originalmente era acompanhado de um discurso final, lido pelo professor Van Helsing que levantava a mão e dizia: “Só um momento senhoras e senhores. Uma palavrinha antes de se retirarem. Esperamos que as memórias de Drácula não lhes tragam pesadelos. Portanto, só algumas palavras de consolo: quando chegarem em casa hoje, com as luzes apagadas, e estiverem com medo de olhar atrás das cortinas temendo ver um rosto aparecer na janela, bem,tentem se recompor e lembrem-se, pois afinal: ESTAS COISAS EXISTEM”!
Para mim, o único e verdadeiro Conde Vampiro.____
EUA – 1931
TERROR
74min.
PRETO E BRANCO
FULLSCREEN
12 ANOS
UNIVERSAL
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
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Thursday, April 26, 2012

ALMODÓVAR| KIKA

O Espanhol PEDRO ALMODÓVAR conduz o seu filme com um diálogo brilhante: “Matar é como cortar as unhas dos pés. No início da preguiça, mas quando se começa a cortar a coisa é mais rápida do que você imagina. Então parece que vai demorar até começar fazer tudo de novo. Mas, quando menos se espera, já cresceram tudo de novo.” A trama é fantástica, sexy, cômica e assustadora quando Kika (VERÓNICA FORQUÉ de QUE EU FIZ PARA MERECER ISTO? - Do diretor), uma maquiadora falastrona é contratada por um escritor norte-americano chamado Nicholas Pierce (o ator americano PETER COYOTE de E.T – O Extraterrestre), radicado em Madri, Espanha, para maquiar o corpo do enteado Ramón (ALEX CASANOVAS) e deixá-lo apresentável para o velório.Kika chega para fazer o serviço sem saber o que realmente iria fazer, achando que ia à casa do sedutor escritor para dar uma transada. Quando ela começa a maquiá-lo percebe que ele não está morto, pois sofre de catalepsia, e acaba despertando durante a maquiagem vendo aquele mulherão de seios fartos. De um jeito bizarro, como resultado, Kika e Ramón começam um relacionamento e vão morar juntos. Tudo vai bem e Kika faz todos os gostos sexuais do marido (ele tem excitação por fotografar enquanto transa – além de um gosto por espiar as pessoas com sua câmera [VOYEUR] – é fotógrafo e um artista que faz belas colagens femininas) até que Nicholas retorna de uma longa viagem. Para complicar mais, Almodóvar faz Kika se envolver com o americano e depois faz aparecer uma figura estranha, ANDRÉA CARACORTADA(a ótima VICTORIA ABRIL de Ata-me! e De Salto Alto), uma estranhíssima apresentadora de TV que comanda um programa sensacionalista que cobre estranhos casos criminais (versão trash de programas como Linha Direta). Ela veste um figurino extremamente bizarro com tetas ensangüentadas e, parecendo uma marciana quando dirige a sua motocicleta e sai pessoalmente gravando os crimes com uma câmera no capacete e invadindo a privacidade das pessoas. Além de ter uma cicatriz no rosto e de mostrar a sua falta de higiene pessoal (axilas peludas). Esta figura começa a suspeitar que Nicholas seja de fato um serial killer e passa a espionar a vida de todos em busca de um furo jornalístico, obsessivamente.O resultado desta salada é muita diversão com toque dramático, que envolve o caso do suicídio da mãe de Ramón, que se desencadeia na premissa.


Almodóvar é mesmo um realizador autoral, capaz de realizar a mais berrante história que queira contar. KIKA é um de meus filmes prediletos do diretor terminando a sua fase mais underground. Sua próxima fita foi A FLOR DO MEU SEGREDO (com MARISA PAREDES- 1995) começando com o tom mais drama que se sucedeu em CARNE TRÊMULA (1997 - apesar de sexy e noir) e no mundialmente premiado TUDO SOBRE MINHA MÃE (1999) e a sua outra obra prima FALE COM ELA (2002). Aqui, o atrevimento e as cenas de sexo são picantes, explícitas e sem atalhos, passando por vários caminhos que vai da comédia de humor negro para um suspense que faz várias citações ao mestre ALFRED HITCHCOCK (ele usa a trilha de Psicose do músico compositor Bernard Herrmann, por exemplo) e utiliza as cenas de assassinato e mistério no mesmo tom de Hitch. Evidente que há as cores, as mulheres e os homens desejando as mulheres e uma divertida, acreditem, sequência de estupro!Forqué não trabalhou muito com o cineasta, mas é ótima como Kika, super engraçada e sedutora. Coyote se mostra um ator versátil e surpreende nas cenas falando em espanhol (será que ele foi dublado? Comentem) e, a melhor “chica Almodóvar” Victoria Abril no papel de Andréa Caracortada, vestida com o melhor da moda excêntrica e chamativa. ROSSY DE PALMA, a chica de nariz e rosto estranho (foto acima) está na fita como uma empregada lésbica que tem queda e amor pela patroa e não esconde isso quando diz que prefere uma xoxota (risos e mais risos), ou quando é questionada sobre sua masculinidade e o porquê de não gostar de se maquiar e usar aquele bigode. A mesma responde: “Bigode não é patrimônio dos homens”. Ou seja, com este tipo de conversa entre personagens, com um roteiro repleto de criatividade cinéfila, Kika é um filme memorável, surreal e bizarro. No melhor estilo Almodóvar._____
ESPANHA -1993
COMÉDIA/DRAMA/SUSPENSE
FULLSCREEN
114 min.
COR
16 ANOS
SPECTRA NOVA
✩✩✩✩ ÓTIMO
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Saturday, November 12, 2011

RON HOWARD | O CÓDIGO DA VINCI




É curioso como esta fita realizada por RON HOWARD e BRIAN GRAZER (vencedores do premiado com o Oscar UMA MENTE BRILHANTE) esta envelhecendo mal. Parecia mesmo um furo excitante do momento quando o romance do badalado autor DAN BROWN (ANJOS & DEMÔNIOS/ FORTALEZA DIGITAL/ O SÍMBOLO PERDIDO) falava em um thriller de ficção, com fatos relacionados diretamente com a Igreja Católica, fiéis, crenças, fanatismos, símbolos etc. Quando o simbologista, meio Sherlock Holmes com Indiana Jones – ROBERT LANGDON, um interessante e acadêmico TOM HANKS, é jogado em um bizarro e misterioso assassinato.
Paralelamente Langdon conhece uma moça francesa que é neta da vítima, a criptóloga SOPHIE NEVEU, a bela AUDREY “Amelie Poulain” TAUTOU, que, com Robert, descobre pistas dentro de pinturas de Da Vinci deixadas pela vítima, um velho também misterioso e suposto avô da heroína. Para melhor descobrir a verdade, Robert e Sophie viajam de Paris a Londres, e cruzando caminhos ao mesmo tempo com aliados e vilões (ambas categorias suspeitas nesta trama) como o Sir. LEIGH TEABING , o ótimo Sir. IAN McKELLEN e o fantasma albino e aterrador SILAS (PAUL BETTANY tentando impressionar nos arquétipos dos dementes) um enviado de Deus que mata a serviço do seu mestre. Onde quer que Robert e Sophie estejam, os seus caminhos os leva a uma descoberta, que está prestes a ser revelada, fato este que poderia abalar os alicerces da história da humanidade. O filme oscila muito mal, porque na verdade quando ele vai para um ótimo e maravilhoso plot de virada, se torna novamente um pouco maçante. Tudo gira em torno de Jesus Cristo ter sido, obviamente um homem comum, que deixou uma linhagem, fruto de seu casamento com a mal falada Maria Madalena. Ela é o Santo Graal e não o suposto cálice que Cristo bebeu na última ceia. Ou seja, Brown conseguiu causar furor e diversas discussões sobre sua teoria de ficção. Mas tudo não passa de fantasia, do ponto de vista ridículo para uma trama de assassinato, conspiração, suspense policial que provoca o religioso. Todos esses elementos que culminam em uma fita de perseguição à la Hitchcock, onde o herói é o homem errado.O filme é salvo pelo reforço do elenco de peso. Hanks no seu jeito habitual consegue segurar o espectador e Tautou com sua delicadeza e ceticismo, ajuda a balançar o filme para o lado dos “não crentes”. Ian McKellen se revela um óbvio vilão que faz graça de um jeito Gay ferino. JEAN RENO é o detetive francês encarregado do caso que persegue o protagonista e sempre com aquele ar de “pau mandado”. Assim, o público (que não leu o livro) pensa que ele esconde sua vilania, que acaba sendo revelada como falsa. Paul Bettany chega a impressionar com as cenas de autoflagelação, mas no fim, o seu personagem soa clichê e artificial. Aquele típico louco que teve uma vida horrível de violência e salvo por Deus. Este tipo de louco estamos cansados de ver. E o ótimo, ALFRED MOLINA, como um Bispo obcecado por sua religião e ambicioso por bens em dinheiro que favoreceriam os seus votos com Deus. Nada de castidade, e sim, luxo e poder. Resumindo: temos um filme artificial e óbvio. O livro enquanto prosa, até poderia instigar mais a imaginação. Ler Dan Brown é assim: somos enganados! Até percebermos que ele é um exímio romancista do ponto de vista do próprio engano (com imaginação duvidosa) onde suas histórias são oscilantes para uma adaptação cinematográfica. Ao menos foi desta forma que recebi os filmes de Ron Howard (fez o mesmo com Anjos & Demônios e o resultado foi ainda mais irregular).
Brown sabe descrever tensão, suspense, tramas e muita ação. Porém, é um alienado em sua própria imaginação fazendo um paralelo absurdo com a realidade. Fica a impressão que aqui ele não explora Da Vinci - um gênio- como ele merece. As pistas que levam ao MONA LISA até A ÚLTIMA CEIA são pobres no enredo que já são solucionadas por um gênio da simbologia de maneira ríspida e clara demais para o leigo (parece tirar um sarro do público mostrando os símbolos piscando na tela). Não foi possível quebrar tanto a cuca, mesmo sem ter lido a prosa, e saber os verdadeiros culpados envolvidos deste complô. Uma salada de teorias por vezes esdrúxulas e artifícios fílmicos com muitos atalhos. A cena do assassinato no início foi estupidamente revelada. Os usos de digressões que contam um pouco a história sangrenta católica, das cruzadas, Cristo, Sophie etc. usam uma fotografia que já explica demais e chega a irritação (apesar de serem momentos curiosos para a platéia). Bastavam diálogos bons numa cena bem planejada e ora, poucos flashbacks não tão discretos e distantes como ocorre em demasia.
Não que O Código Da Vinci seja péssimo, mas não é muito bom. Embora o filme de Howard tenha ao menos prendido a atenção de outros espectadores, mas no fim, pode ser uma diversão passageira em mais um filme com Tom Hanks, um ator bem recebido pelo público brasileiro. Gostamos dele. Mas tudo não passa de uma farsa como premissa e roteiro. Intelectuais em teologia abominam o filme em sua totalidade. As críticas a Brown (e a nomes acadêmicos como Pierre Lévy) entre a massa Universitária de docentes é ate louvável. Tudo é muito por baixo do tapete, e mesmo Brown tendo o álibe da ficção, de ser um escritor de fantasia, usa panos quentes nesta mirabolante história sobre símbolos e verdades que não se sustentam como verdades, e que acabam não passando de mais uma teoria solta. Esse é o maior erro do livro e que o filme insiste em levar a cabo. Termina mostrando onde Maria Madalena (o Graal em pessoa) estaria enterrada, ficando aquele ar estranho de incredibilidade. E olha que não to falando pelo fato de envolver uma história sagrada e divina, mas pela falta de credibilidade do autor mesmo. Brown, assim como o roteirista e o diretor do filme, têm pouco tutano e segurança, afinal a trama se passa no mundo real e pecaminoso da Igreja, não? Estamos falando da história por trás da história e fica aquela sensação insegura: quanto mais você lê, menos você sabe.


O único detalhe que salva o filme (e livro) é o entendimento do Deus interior. E a explicação é dada quando o personagem de Hanks abre de coração, o seu trauma de vida, quando ficou preso em um poço quando criança e orou a Deus para sobreviver mais um dia. Isto é, a FÉ. Sem ela não vivemos. Nisso eu acredito, e também creio que deveria ser o único código do homem. Esta palavrinha é fácil de decifrar._____
EUA-2006
SUSPENSE
WIDESCREEN
174 min. Versão Estendida
149 min. Primeira Versão
COR
16 ANOS
COLUMBIA
✩✩ REGULAR
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Wednesday, November 9, 2011

ALIEN ™ | QUADRILOGIA PARTE 1



ALIEN, o 8º passageiro dirigido por RIDLEY SCOTT (Gladiador, Blade Runner) estabeleceu o elemento chave de filme sci- fiction com terror B. Embora na história do cinema haja obras como O MONSTRO DO ÁRTICO (1951) de Howard Hawks ou O MONSTRO LA LAGOA NEGRA (1954) de Jack Arnold, clássicos que já hibridizavam ficção-científica com terror. Mas, Alien foi a fita que fez com mais elegância e estilo, e que certamente, foi o filme que catapultou esta ótima mistura de gêneros.

Todos comentam a cena que a criatura sai do peito de JOHN HURT e como este momento é o mais gore e aterrador da obra. Ou mesmo das cenas sombrias e claustrofóbicas na nave com a ótima SIGOURNEY WEAVER em seu primeiro filme (fez uma ponta como figurante no clássico de Woody Allen: Annie Hall).


Provavelmente filmes sobre viagens espaciais e fantásticas aventuras nas estrelas são os mais celebrados entre os aficionados e cinéfilos e, fitas como esta, existem desde os tempos do cinema mudo. Na verdade o clássico de Méliès VIAGEM A LUA (1902) baseado na obra de Julio Verne é o primeiro filme que explora na mídia, esta fascinação pelo espaço além Terra. Certamente poucos tiveram o sucesso de 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO do mestre Kubrick (apesar de estéril e difícil) e STAR WARS a fantástica criação à La Flash Gordon de George Lucas, que em 1977 causou um impacto na bilheteria sendo o filme mais lucrativo de todos os tempos. Por isso que pareceu óbvio para os executivos de estúdio que filmes com este tema fossem os mais rentáveis. Não demorou muito para a FOX procurar outro projeto com cheiro de sucesso como foi com Star Wars. Outra obra, a de Steven Spielberg (CONTATOS IMEDIATOS DO 3º GRAU), também fazia sucesso, no entanto, de repente, surge um encontro de terceiro grau de congelar o sangue. Um filme cujo roteirista DAN O´BANNON (conhecido por ter criado a comédia dos mortos-vivos de Romero que pedem cérebros) disse ao público: “Eu os desafio a ver Alien até o final”. O´Bannon havia pensado na idéia muito antes do sucesso de Lucas. Isso ocorrera quando ele trabalhava com o diretor e colega de faculdade, John Carpenter (criador do Halloween) em uma fita de comédia que não deu muito certo, chamada DARK STAR (1974) uma sátira espacial. No filme ele foi co-diretor (com Carpenter), co-roteirista, diretor de arte, montador e coordenador de efeitos visuais. Ou seja, um cara que no começo da carreira (dirigiu sozinho A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS, 1985 um filme tão divertido quanto assustador) tinha talento. Para conceber Alien contou com a ajuda do produtor e roteirista RONALD SHUSETT (que produziu Minority Report e algumas outras fitas do gênero) que depois com ele, faria O VINGADOR DO FUTURO (Total Recall da obra de Phillip K. Dick do diretor Paul Verhoeven). Assim sendo, ambos resolvem se ajudar nos dois projetos de ficção-científica. Mas como O Vingador Do Futuro era muito caro para a época, resolvem trabalhar em Alien primeiro. Escreveram a espinha dorsal da premissa: Alien é sobre um grupo de astronautas mineradores que estão voltando para casa e recebem um pedido de SOS em um planeta desconhecido. Eles resolvem averiguar e interceptar a mensagem. A nave quebra, três deles vão pessoalmente até o local alienígena, e um deles, acaba sendo “estuprado” / “engravidado” por um hospedeiro que sai de um ovo nojento e depois salta do peito da vítima, uma criatura hostil, que sai matando todos os outros seis tripulantes dentro de uma nave que navega no espaço. Isso chamou a atenção da Fox querendo produzir rapidamente o sucessor de Star Wars e redefinir o tipo de filme.



Depois que o roteiro virou um projeto, outros cineastas entraram e reescreveram a trama, o que chateou O´Bannon que quase não foi creditado. Isso porque o roteiro foi considerado ruim, isto é, com diálogos péssimos e perfis de personagens degradantes daquele tipo de filme barato de terror, salvo apenas pela idéia central. Portanto um dos produtores e também diretor de cinema WALTER WILL (de fitas como 48 HORAS) e mais o produtor DAVID GILER acrescentaram na trama o plot do robô Ash (IAN HOLM) que tenta proteger o monstro e o mais importante, a heroína RIPLEY (que no primeiro esboço do script era um homem). Em outras palavras, a história não era mais um filme estilo Roger Corman, e sim algo mais perto dos filmes de Cecil B. DeMille, por exemplo. O que ajudou a criar a lenda e o clássico chamado ALIEN. Provavelmente quando um filme recebe tantos créditos de pessoas de todas as partes que acrescentam uma idéia incrível, o resultado é sempre um filme que marca gerações.

O problema de O´Bannon é que ele achava que o filme era só dele: “Quando vi a fila fazendo volta no Egyptian Theatre eu flutuei...era uma fila para Alien? Meu filme”! Por isso sua carreira não decolou. Mesmo quando RIDLEY SCOTT assumiu a direção e se concentrava para criar o visual do filme, O´Bannon opinava em cada detalhe. Queria ver diariamente os copiões da fita etc. O cara não assinou contrato para tal e não tinha (dentro da lei) poder para fazer o trabalho do diretor. Porém, sem notar e querendo ajuda, foi Scott com o seu imenso prazer em compartilhar idéias que deu carta branca para O´Bannon, que abusou. Aliás, Ridley Scott merece todo o crédito maior por ter realizado o filme. Foi o seu segundo longa metragem, um feito único e original, inimitável. Scott recebeu o convite da Fox depois que o belo OS DUELISTAS (1977) fez sucesso e ganhou prêmio importante em CANNES. O visual desta fita chamou atenção, o que o fez dirigir o projeto e ultrapassar as expectativas.

Os cenários (sets) eram grandiosos, assim como os modelos de maquete e todo o departamento de luz, som e efeitos especiais. Mas nada como o trabalho do artista plástico H. R. GIGER responsável por todo o visual do Alien, de todo o planeta alienígena e tudo relacionado ao monstro, como os famosos ovos. O conceito veio das ilustrações de Giger chamado "NECRONOMICON". As pinturas e ilustrações eram extremamente bizarras e com conotações sexuais. Podia notar no planeta alien formatos de vaginas e pênis gigantes que também eram relacionados a morte em meio a um universo gótico. Portanto, comparações com o universo de Star Wars seria totalmente implausível. Foi o trabalho de Giger que deu mais visão e originalidade ao filme.
O elenco os chamados “caminhoneiros do espaço” foi lindamente preenchido. Todos acertam. Além da futura estrela Weaver e dos ótimos Hurt como Kane (o cara que morre dando a luz ao alien) e Holm como o andróide humano, TOM SKERITT faz o “general” do grupo, o mocinho herói e líder. VERONICA CARTWRIGHT (de filmes como OS PÁSSAROS de Hitchcock, 1963) faz a segunda mulher que representa a histeria e o medo da platéia e a dupla HARRY DEAN STANTON, que ficou conhecido por outra famosa cena cortada da versão original (em que o Alien o mata sobre umas correntes – observada pelo gato) e o negro YAPHET KOTTO (vilão do filme de James Bond – 007 Viva E Deixe Morrer, 1972) como Parker, que representa o humor do filme e protege as mulheres quando é o último sobrevivente masculino. Torcemos por ele. Essa turma não vestia trajes espaciais o tempo todo (só quando era para pousar em um planeta estranho). Nada de vestimentas estilo NASA, mas sim jeans, camisetas, tênis e bonés de beisebol, além de fumarem muito. Era a primeira vez que o cinema mostrava pessoas descoladas e esportivas, com papos típicos de “um grupo do bolinha” que soavam machistas. Eram pessoas normais do século XX em um futuro desconhecido. Isso já deixa o filme mais interessante e na hora do Alien atacar a todos, vê-los correr pelos corredores espaciais vestidos de caminhoneiros, era algo que se destacava muito. Não há como negar que todo o visual da fita é um trabalho primoroso de Scott e equipe. Também os efeitos de fumaça, aquela atmosfera que esconde os supostos “defeitos de arte” que deixava as coisas menos verossímeis (causado pelo tempo e orçamento apertado) e o mais importante, saber trabalhar o Alien e não revelar demais o bicho. Esta estréia de Scott em Hollywood pode ser comparada com o primeiro sucesso de Spielberg. Sim, TUBARÃO e ALIEN são fitas que tem muita coisa em comum quando eles criam um suspense inteligente em um veículo blockbuster, o melhor que cineastas como Spielberg e Scott poderiam fazer, afinal, creio que ambos estudaram a cartilha de Hitchcock em não mostrar explicitamente a ameaça e fazer com que o público use a imaginação. E como Scott é um mestre da contraluz (provou depois com Blade Runner), ele evita ser muito evidente com a fera espacial. Mas, ao mesmo tempo, usa nos takes certos, que mostra com maestria todo o trabalho de Giger, como a grande cabeça da criatura e pelo menos dois closes principais nos dentes e língua, onde saíam àquelas salivas ácidas. Quer dizer, o filme é extremamente visceral o que impressiona quando vemos o bicho saltando do peito espalhando sangue por todos os lados (a reação dos atores na cena é real porque não sabiam o que ia acontecer), os ovos e todo o design orgânico (de fazer vomitar) e principalmente o bicho que sai do ovo e planta a semente no indivíduo. Um trabalho magnífico que usa moluscos marítimos e fígados de animais que compõe o interior da coisa monstrenga, que parece um aracnídeo asqueroso que invade a nossa casa e quando vamos checar para ver se o matamos, ele se mexe. É nojento demais e dá o maior medo!
O filme é melhor que a encomenda. Ridley Scott consegue fazer algo que não poderia ser refeito. Por isso as continuações tomaram outras direções. Assim quando foi lançado, o sucesso e as reações das pessoas eram as melhores. Alguns saiam correndo do cinema, outros iam aos toaletes vomitar. Entre os primeiros fãs do filme estava JAMES CAMERON, então um novato da indústria cinematográfica, mas fadado a dirigir e escrever o segundo episódio da série ALIENS (1986). Cameron tinha apenas 24 anos quando Alien conquistava seus adeptos, e Cameron pensou que fosse o melhor filme de ficção científica-terror já feito até então. Ou assumidamente o filme sci-fic/scary. Esta fascinação de Cameron e público era pelo fato do filme trazer uma filosofia global, como afirmou Cameron, que influenciou a escolha do elenco, do figurino, da aparência dos cenários gastos, os sons de correntes, a água pingando, ou seja, detalhes que faziam as pessoas acreditarem que aquilo tudo era real. Por isso o visual do filme é algo tão fascinante.

O que Cameron fez na continuação foi realizar uma fita de ação, que nada tem a ver com o primeiro. Isso foi bom porque ALIENS parece outro filme que também fez sua história, acrescentando ação com terror e ficção-científica (embora o terror não seja o forte de Cameron). Infelizmente quando Alien se tornou série, o formato se desandou feio (o que é ALIENS VS. PREDADOR?). Outros cineastas de renome em início de carreira começaram na saga. DAVID FINCHER ( A REDE SOCIAL/CLUBE DA LUTA) faz o seu debut em ALIEN ³ (1992) e o cineasta francês JEAN-PIERRE JEUNET, realizador do adorável Cult O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN (2001) conclui o quarto capítulo na sua estréia em Hollywood com ALIEN: A RESSURREIÇÃO (1997). Mas nada comparável a primeira obra, que conseguiu fazer o público reagir perfeitamente
naquelas sessões escuras de 79.

ALIEN é um dos clássicos mais surpreendentes da década de 70. Visualmente belo e assustador. As melhores combinações da sétima arte e, provavelmente o melhor exemplo de filme de segunda linha que se transforma em uma caprichada produção que ajudou a redefinir a cinematografia. Sem exageros, de um jeito oi de outro a classe B disfarçada de classe A.



Foi lançado a versão do diretor Ridley Scott nos cinemas em 2003 com cenas adicionais o que deixa a viagem em Nostromo ainda mais angustiante. Felizmente eu pude ver esse relançamento no cinema!





TWENTIETH CENTURY FOX APRESENTA

UMA PRODUÇÃO BRANDYWINE
UM FILME DE RIDLEY SCOTT
A L I E N
Estrelando TOM SKERITT. SIGOURNEY WEAVER. VERONICA CARTWRIGHT.
HARRY DEAN STANTON. JOHN HURT. IAN HOLM e YAPHET KOTTO como PARKER
Co-estrelando:
Helen Horton como A VOZ DA NAVE MÃE e Bolaji Badejo como o ALIEN
Música de JERRY GOLDSMITH Diretor De Fotografia DEREK VANLINT
Montagem TERRY RAWLINGS Design de Produção MICHAEL SEYMOUR
Diretores De Arte ROGER CHRISTIAN. LESLIE DILLEY
Cenário IAN WHITTAKER Figurinos por JOHN MOLLO
Design do ALIEN por H. R. GIGER * Efeito do ALIEN por CARLOS RAMBALDI
Consultor Visual DAN O´BANNON Produtor Executivo RONALD SHUSETT
História de DAN O ´BANNON e RONALD SHUSETT Escrito por DAN O ´BANNON
Produzido por GORDON CARROLL. DAVID GILER e WALTER HILL
Dirigido por RIDLEY SCOTT
FOX FILM-BRANDYWINE ©1979



Saturday, October 29, 2011

HITCHCOCK EM DOSE DUPLA


Em “Os Pássaros” (The Birds – 1963) uma série de ataques de corvos, gaivotas e de outras espécies aladas começam a acontecer inexplicavelmente numa cidade litorânea depois da chegada de uma misteriosa forasteira.


Em “Lifeboat – Um Barco e Nove Destinos” (Lifeboat, 1944) sobreviventes de um ataque alemão (U-boat) ficam a mercê em um bote salva-vidas depois de naufragarem e um dos sobreviventes entre os nove e o próprio capitão alemão que ordenou o ataque.



Quando falamos em suspense, imediatamente pensamos em ALFRED HITCHCOCK que deixou no mundo do entretenimento inúmeras obras primas da sétima arte. Duas delas são excelentes passatempos e as apresento aqui neste Double Hitch!






OS PÁSSAROS é um filme inigualável e de puro terror quando Hitchcock liberta os seus terríveis bichos voadores das gaiolas, em um dos filmes mais intrigantes e horripilantes do cinema.

Tudo começa quando uma loira chamada Melanie Daniels (TIPPI HEDREN) riquinha, socialite e mimada chega numa cidade litorânea (Bodega Bay) a fim de pregar uma peça em um solteirão bonitão, Mitch Brenner (ROD TAYLOR) que ela conheceu em um pet-shop (Hitchcock faz sua aparição habitual aqui saindo da loja com dois cachorros) na cidade de São Francisco. Logo, ela é atacada por uma gaivota sem saber o motivo, algo incomum e totalmente estranho. Depois, milhares de outras espécies de pássaros aparecem na cidade e começam a bicar as pessoas alimentando-se das vítimas (o que elas adoram comer são os globos oculares), perseguem criancinhas e todos os residentes numa terrível série de ataques. De um jeito estranho, como não é possível combater as criaturas aparentemente inofensivas, Melanie e Mitch lutam por suas vidas neste cerco litoral e pacato.
É incrível como Hitchcock soube lidar com os efeitos especiais e toda a técnica do filme em uma época que não existia computação gráfica e tampouco efeito ótico. E a fita foi mesmo um projeto audacioso já que o público esperava o máximo do diretor. Depois de alcançar o sucesso mundial com Psicose em 1960, Hitch demorou muito para achar outra história e só depois de um tempo que ele viu potencial na clássica estória de DAPHNE DU MAURIER (autora de ‘REBECCA’, primeiro filme de Hitchcock em Hollywood [1940]) para o cinema, depois de ter lido em notícias reais sobre alguns casos de ataques de pássaros a seres humanos.

Primeiramente Hitchcock planejava adaptar o conto de Du Marier para um de seus episódios de sua série de TV ALFRED HITCHCOCK PRESENTS, mas com vestígios de realidade misturados com a fantasia ele foi esperto, e teve tino comercial, em resolver explorar a trama para a tela grande. Aliás, somente Hitchcock para defender a idéia de que todos os seus filmes são puramente fantasia só que passados em um lugar verossímil, o que torna a premissa mais atraente. Quando questionavam Hitch pelo fato dele nunca ter feito um filme de época ou uma fita de faroeste ele sempre dizia: “Não vejo as pessoas irem ao banheiro em um filme de época. Não consigo acreditar nisso.” Ou: “Eu também nunca vi um vaqueiro comprar um chapéu no Velho Oeste.” Portanto fazer com que pássaros saem por aí bicando as pessoas numa cidadezinha litorânea tipicamente americana (grande parte filmada nos estúdios da Universal) é muito mais plausível, cronicamente viável na visão do mestre. O elenco foi muito bem escalado. A ótima JESSICA TANDY (Vencedora do Oscar por “Conduzindo Miss Daisy” [1989] e outros sucessos como “Tomates Verdes Fritos” [1991]) interpreta a mãe do herói com elegância, sofisticação e conservadorismo, só que uma matriarca bem diferente de uma "Sra. Bates". SUZANNE PLESHETTE faz uma professora, apaixonada pelo mocinho e que esta presa nesta cidade pouco atrativa. Fica sempre a impressão de que ela quer roubar o papel da mocinha. A garotinha, irmã de Brenner, é a estreante VERONICA CARTWRIGHT conhecida também pelo seu papel em “Alien: O 8º Passageiro” de Ridley Scott (vide abaixo). Os protagonistas tem uma química bacana. ROD TAYLOR (hoje velinho e conhecido pela ponta no filme de Tarantino “Bastardos Inglórios” como Churchill) faz Mitch com um “Q” de rebeldia e o típico macho tradicional que consegue encantar uma garota fútil e rica da cidade, a nova loira de Hitch, TIPPI HEDREN, que por acaso é a mãe de MELANIE GRIFFITH. Ela substituiu bem Grace Kelly na nova fase do diretor como a loira que desponta na premissa e é sempre o bode expiatório. Seria mesmo um fetiche do mestre? Hedren faz sua estréia no cinema nesta fita (havia estrelado apenas uma série de TV em 1951- “A Família Aldrich” e fazia trabalhos como modelo). Hedren voltou a atuar para Hitch, seu verdadeiro coach dramático, no filme seguinte: MARNIE: CONFISSÕES DE UMA LADRA (1964), filme que infelizmente foi um fracasso comercial (também co-estrelado por Sean Connery). Ela faz essa moça que não tem o que fazer, a não ser correr atrás de homens solteiros e vai parar nessa cidade pequena com aqueles maneirismos da época.

Mas como realizar cenas com passarinhos atacando os atores? Bom, antes de tudo Hitchcock sempre dizia que o diretor, para fazer um grande filme tem que ter três coisas: o roteiro, o roteiro e o roteiro! Assim, ele apenas manteve o título da autora, isto é, “Os Pássaros” e a idéia de que esses animais atacam as pessoas e resolveu começar do zero com o roteirista EVAN HUNTER, que havia escrito algumas histórias de suspense no seriado de Hitchcock para televisão. Feito o texto, Hitchcock precisava resolver o problema físico/técnico da fita. Os pássaros eram na maioria de verdade e treinados para cenas específicas. Algumas gaivotas voavam em direção a câmera quando a equipe lhe jogava comida, os corvos eram mais obedientes e inteligentes (de fato, cientificamente falando, corvos podem ser domesticados como cães e gatos) e faziam as cenas com adestradores presentes no set. Mas, em algumas cenas usavam pássaros falsos. No ataque a mocinha uma gaivota descia em cima de uma viga em direção a atriz e para fazer o sangue, simplesmente um trabalho genial de mão de obra que consistia um aderecista e uma cabeleireira que escondiam um tubo onde saia o sangue falso por um êmbolo escondido na cabeleira loira cheia de laquê de Tippi.

A cena em que as crianças saem correndo da escola fugindo de uma legião de corvos que estavam a espreita no parquinho é um dos momentos mais inesquecíveis e empolgantes da fita. Feito obviamente por um fundo separado em que os bichos voavam numa outra parte da película (só se podia fazer isso com a técnica do Chroma matte painting que consistia em separar os atores dos pássaros alargando os cenários existentes com tinta). Ou seja, eles montavam cada parte filmada da película como num quebra-cabeça para deixar no quadro todas as sequências de ataques, utilizado em 90% do filme. Esse era o efeito especial de antigamente que hoje seria resolvido facilmente por CGI. No estúdio, as crianças corriam em uma passadeira e alguns corvos fantoches eram colocados nelas para os closes e todo o fundo com milhares de pássaros eram neste esquema do Chroma. Um efeito que ainda resiste ao tempo. Na verdade todo o trabalho técnico foi levado por Hitchcock aos estúdios de Walt Disney e supervisionado por Ub Iwerks que atuou como “conselheiro fotográfico.”

A cena em que Tippi fica presa na cabine telefônica e o momento em que os moradores estão em uma lanchonete tentando explicar os ataques, são os meus momentos prediletos.

Hitchcock nunca explica o motivo do fenômeno e aguça a imaginação do espectador com diversas explicações, ora científicas, ora divinas com um bêbado caixeiro viajante exclamando: “É o fim do mundo!”. Adoro quando uma velinha fica lá explicando a existência dos milhares de pássaros que povoam o planeta Terra. Essa senhora feita por ETHEL GRIFFITS com um ótimo pensamento cético e racional, e que sempre terminava dizendo: "Isso é ridículo!" O filme consegue manter o suspense com momentos quase mudos e outros gritantes apresentando um exímio trabalho na arte do som. Aqui Hitchcock não usa trilha musical em todo o filme, e BERNARD HERRMANN não chegou a escrever uma composição sequer para esta obra. Hermann acaba trabalhando como designer de som e consultor sonoro quando ele e Hitchcock viajam para a Alemanha em 1962 e conhecem uma invenção chamada de “Tratonium” criada por Remi Gassman. Basicamente um mecanismo, precursor de muitos dos instrumentos modernos de teclas que captava sons vulgares, comuns que tocado no aparelho, era possível manipular os sons de uma maneira que poderia ter um efeito musical. Ou seja, era música eletrônica com um efeito sonoro inserido.
“Os pássaros” ultrapassa a técnica do filme, sobretudo quando se diz respeito ao olhar único de Hitchcock que usa 371 trucagens em todo a fita e cria 32 pedaços de filmes na polêmica cena final em que mostra uma legião de pássaros na varanda da casa até o horizonte. De fato, hoje um final com um efeito hipnótico e que soube evitar os clichês, já que o final original, além de caro para se fazer na época, revelava de maneira óbvia a destruição e o caos cometido pelas aves: postos de gasolina em chamas, vidros de janelas quebrados, corpos mutilados e pássaros bicando os olhos, sangue, penas para todos os lados, etc. O que torna Hitchcock especial é que ele simplesmente trabalha com a nossa imaginação e sabe como ninguém lidar com a magia do cinema, por exemplo, quando Rod Taylor finge que abre uma porta que não existe pouco antes do final e a luz do dia ilumina a casa. Isso! Esse é o efeito que a platéia não percebe e realmente acredita e que se mostra um detalhe interessante.Ele pode ter se repetido na cena em que Tippi é atacada no sótão. A coitada teve um ataque de nervos ao fazer a cena com pássaros reais, tanto que na cena seguinte em que ela é carregada e colocada no sofá depois de ser atacada, é feita por uma dublê de corpo. Tippi estava exausta! Uma sequência montada de um jeito gore igualmente à cena do chuveiro, um artifício que mostra os limites narrativos do mestre que evita cometer os mesmos erros, mas como já havia dirigido, preferiu manter a cena. Em compensação Hitchcock sabe terminar um filme, afinal não seria ridículo “o carro com os protagonistas escapando de Bodega Bay passando pela ponte Golden Gate à São Francisco e a ponte coberta de pássaros?” Hitchcock uma vez rindo com essa idéia, que inclusive chegou a ser concebida por ele.Pessoalmente, nunca um piar, bater de asas e grasnar teve um efeito tão hipnótico nesta obra de arte do mestre. Só faltou mesmo o ‘twitter’(melro azul) para compor o elenco tuitando e amedrontando os litorâneos.

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EUA -1963
SUSPENSE
WIDESCREEN
120 min.
COR
UNIVERSAL – COLEÇÃO HITCHCOCK
16 ANOS
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
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Recém chegado na América, Hitchcock vivia momentos difíceis com a Segunda Guerra Mundial. Por isso fez filmes como CORRESPONDENTE ESTRANGEIRO (1940) e UM BARCO E NOVE DESTINOS, ou melhor, LIFEBOAT (1944). Esta fita foi a realização do mestre a procura de um desafio criativo após realizar diversos melodramas elaborados em sua fase britânica e no filme Rebecca, sua primeira fita americana. Em “Lifeboat” Hitchcock concentrou toda ação, e foi ousado ao fazer um filme inteiramente dentro de um barco com nove atores (o barco tinha várias réplicas no estúdio que era cortado ao meio para colocar a câmera). O projeto foi a sua única experiência nos estúdios da FOX de Zanuck, chefe do estúdio, uma espécie de David O. Selznick que adorava mexer no material artístico interferindo com o trabalho do diretor. Assim, Hitchcock prometeu nunca mais voltar à Fox depois de vários desentendimentos desagradáveis com Zanuck. Enfim, voltando ao que interessa, essa trama extraordinária sobre este bote salva vidas à deriva no Atlântico Norte foi escrita pelo novelista JOHN STEINBECK autor de VINHAS DA IRA (1940) e VIDAS AMARGAS (1955) que Hitchcock fez questão de dividir os créditos em destaque. Steinbeck foi convidado para escrever o script, mas como escrever imagens? Como romancista e não dramaturgo ele recusa-se a elaborar um texto em que personagens falam o tempo inteiro dentro de um bote salva vidas, assim sendo, para dar andamento ao trabalho, o roteirista JO SWERLING foi contratado e elaborou com Hitch todas as sequências que o diretor já havia desenhado. Na verdade Hitchcock já tinha em mente todo o filme e o elaborou com diversos esboços em storyboard.

O filme é uma obra mais cult do diretor e permanece com soberba sobre a dissecação do espírito humano e do estudo de personalidades mostrando como os indivíduos, a despeito de suas opiniões políticas e até de sobrevivência, se comportam quando tem que enfrentar circunstâncias de vida ou morte. Neste barco estão as mais diferentes figuras, uma jornalista internacional, um empresário, um operador de rádio, uma enfermeira, um mordomo, um marinheiro e um engenheiro com tendências comunistas. O problema começa quando eles puxam da água o inimigo de guerra. Um alemão que é o capitão e mandante do ataque (U-Boat), mas eles não sabem quando o resgata somente suspeitam e com o tempo vão descobrindo quem ele realmente é e a platéia fica neste suspense ao longo da fita quando acontecimentos sinistros ficam envoltos deste alemão. Um por um vai morrendo, o que ele quer é sobreviver e não importa o feito humanitário dos oito náufragos de terem permitido a sua presença a bordo.
É uma façanha de Hitch, que joga uma gama variada de pessoas sob grande estresse. Um filme tenso.

O elenco é supimpa. TALLULAH BANKHEAD um talento perdido no tempo, faz a jornalista chique que despreza o herói por quem se apaixona. Tallulah ficou conhecida por fazer isso dentro e fora das filmagens parecia que nenhum ator estava a sua altura. Reza a lenda de um incidente com ela onde, durante as filmagens, diversos membros da equipe de produção notaram que Tallulah não estava usando roupas de baixo. Quando informado da situação, Hitchcock ironizou dizendo que não sabia se este problema era algo para ser resolvido pelo pessoal de figurinos, de maquiagem ou cabeleireiros. Aliás, em matéria de frases feitas, Hitch respondeu com ironia para a jovem estrela da Fox MARY ANDERSON (a única do elenco com contrato no estúdio) que sempre procurava um elogio e perguntou ao diretor: “Qual é o meu melhor lado?” E Hitch respondeu: “Querida você está sentada nele!”


O elenco continua impecável: HUME CRONYN, HENRY HULL, WILLIAM BENDIX e principalmente WALTER SLEZAK como o Alemão que de um jeito cínico, desperta pena até mesmo da platéia. JOHN HODIAK faz o galã que tem o desprazer de beijar Tallulah.



Infelizmente Darryl F. Zanuck deixou o filme de Hitchcock morrer levando em consideração as péssimas e ridículas críticas sem cabimentos (em dias tempestivos de guerra) que diziam que o filme era um panfleto nazista. Além dele interferir na pós -produção, fato que chateou Hitch, ele não fez mais publicidade da fita e este é um filme de Alfred Hitchcock dos mais cultuados e pouco conhecidos. Na verdade ele só tem certa fama devido a carreira famosa do cineasta, senão estaria no limbo há muito tempo.


De qualquer forma LIFEBOAT é uma experiência molhada e satisfatória. Cheia de suspense, com um roteiro esplêndido e uma direção para não botar defeito. Como dizia Hitchcock: “Cinema é uma fotografia com pessoas falando.” Nada como assistir nove pessoas falando em um cubículo flutuante à beira mar.


Curiosidade: a aparição de Hitchcock nesta fita é engraçada. Já que era impossível dele aparecer em um filme que se passa somente em um barco, e como ele não queria se molhar (sugeriram que ele fizesse um corpo barrigudo flutuando) o mestre aparece em um anúncio de jornal que um dos personagens lê na embarcação. O anúncio era uma dieta de emagrecimento mostrando o perfil de Hitch antes e depois. Genial!



Dois celuloides inesquecíveis. Hitchcock é um dos poucos cineastas datados que resiste ao tempo dando sempre aquela aula de cinema.

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EUA – 1944
SUSPENSE/DRAMA
FULLSCREEN
96 min.
P & B
FOX
12 ANOS
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
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