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A grande obra de WELLS já foi adaptada três vezes: em 1938, ORSON WELLS causou pânico ao transmitir a história em um programa radiofônico com a equipe do Teatro Mercúrio. Um rádio-filme transmitido no Halloween, e que causou um grande tumulto e pânico em toda costa americana ao narrar de maneira jornalística uma invasão de marcianos. Alguns anos depois, a Paramount Pictures comprara os direitos autorais de Wells, e o produtor GEORGE PAL, realiza em 1952, uma fantástica visão da Guerra Fria e toda a paranóia envolvendo o período do governo de Eisenhower, estrelada por marcianos, ANN ROBINSON e GENE BARRY (que fazem uma ponta na cena final na fita de Spielberg, como os avós maternos das crianças).
A terceira e menos envolvente versão é a do mago STEVEN SPIELBERG, que sendo quem é, o diretor de obras magistrais como E.T. (1982) e CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU (1977), faz esta adaptação (onde os Et´s não vem de Marte e são maus) com um mesmo disfarce político que cobre a época. Aqui, Spielberg faz o seu filme empoeirado no pós 11 de setembro que assolou o país e o mundo naquela fatídica manhã de terça-feira. Essa dor percorreu em Hollywood até aquele momento, até mesmo por volta de 2005. Assim sendo, o famoso cineasta, querendo voltar ao tipo que lhe tornou um mito, coloca o astro TOM CRUISE (MINORITY REPORT) nesta fita de ação que não faz muito o gênero ficção-científica e não tem um certo envolvimento emocional de um pai divorciado que tenta se reaproximar dos filhos (DAKOTA FANNING e JUSTIN CHATWIN) que vão passar um final de semana com o pai na costa leste, enquanto a mãe (MIRANDA OTTO [O SENHOR DOS ANÉIS]) grávida e novamente casada, vai com o marido para a casa dos pais em Boston. Neste interín, começam os ataques de naves Tripods, que atiram um raio fatal que desintegra em instantes os corpos das pessoas transformando-as em pó. Portanto na metade da fita, Cruise (do mesmo tipo de sempre) foge com os filhos desta desesperada caçada humana.
Não vou negar que o filme tem algumas cenas interessantes, como a narração de MORGAN FREEMAN, citando Wells ao estilo de Orson Wells, na abertura do filme que mostra seres microscópicos e o planeta terra que se transforma num semáforo no sinal vermelho que lembra o planeta marte, e assim vai a grandes tomadas das principais metrópoles do mundo e os microcosmos da população em plongée.
Mas o filme é ríspido e contado pelo ponto de vista dos protagonistas e não vemos aquele típico filme “desaster” em grande escala. Fui com esta expectativa, afinal, a obra de Wells foi contada desta forma, em proporções épicas na versão de 52, e mesmo com as limitações da tecnologia e efeitos especiais da época. O que só o torna mais especial e um clássico da ficção-científica do cinema fantástico.
Na versão de Spielberg, os invasores saem do chão e transformam o nosso planeta como o deles (usando sangue humano – sem explicações alusão a Marte?) depois que a tempestade de raios atinge pontos do planeta. Explica-se que as naves (tripods) estavam enterradas aqui há milhões de anos, e que este ataque foi planejado do tempo em que esta civilização espacial hostil plantou essas naves em nosso lar. Mas tudo são teorias que não querem preencher em diálogos que expliquem o motivo. E, como estes seres plantaram as naves se eles não podem respirar por muito tempo em nosso planeta? Se eles estiveram aqui há muito tempo, antes de existir o ser humano, antes de nossa história começar, como eles não planejaram o inevitável? Afinal, o filme mantém a versão de Wells sobre os germes de nosso planeta terem matado as criaturas extraterrestres (ou subterrestres) como preferirem.
Na prosa de Wells, Marte estaria morrendo e os marcianos, obviamente acharam que o único planeta sustentável (risos) do sistema solar era a Terra.
O que me incomodou na fita de Spielberg é a falta de coerência com a obra, transposta para a atualidade com cara de ataque terrorista à la Bin Laden. Ou seja, ele joga panos quentes numa obra magnífica, que tinha tudo para ficar mais espetacular em suas mãos, e prefere fazer um filme sem alma e que escapa totalmente do gênero da sci-fic. Onde estão os personagens cientistas que discutem o design das naves? Cadê o grupo de Ufologia que são presentes em Contatos Imediatos e até os "vilões adultos" de ET? Tudo é simplesmente limitado não só cientificamente, mesmo sendo ficcionalmente, mas dramaticamente também.
Segundo Spielberg, ele planejava o filme com Cruise há um certo tempo. Antes mesmo de tocar o projeto como produtor do diretor Jan De Bont para o filme Minority Report. Mas, depois que ROLAND EMMERICH lançou INDEPENDENCE DAY em 1996, o projeto foi adiado para não haver comparações óbvias. Ele esperou, e o resultado chegou depois que as torres gêmeas foram atingidas e um novo medo instalou-se nos EUA.
Guerra Dos Mundos pode ter algumas qualidades que são a marca de Spielberg. A fotografia contra-luz e os movimentos de câmera. Ou mesmo as falas sobrepostas em cenas de maior clímax, como no momento em que Cruise vai investigar os raios no centro do bairro e as pessoas se aglomeram para ver, curiosas. Alias, devo admitir que é possível gelar o sangue quando vemos o primeiro tripod saindo do asfalto, causando uma enorme erosão que destrói uma igreja e vários veículos, que também são atirados ao longe. Mas depois não há mais nenhuma cena que vale tanto a pena, nem a da barca, e muito menos a do porão com TIM ROBBINS. Tudo é feito de maneira até asquerosa para um diretor como Spielberg.
Em matéria de clichês, que os filmes de ficção-cientíca tem de melhor, até isso falta neste filme. Seria como se um filme futurista acertasse em cheio em todas as previsões que fizera, sem faltar um detalhe. Não consideraria um filme futurista como 2001 (Hotéis Hilton na Lua) ou Blade Runner (Colonizadores robóticos em pleno século XXI). Um filme como Guerra Dos Mundos tem que ter a vibe de um filme ridículo como os de Roland Emmerich. Presidentes fardados e cientistas vestidos de médicos dando suas teorias sobre o desconhecido. E, se fosse feito assim, menos família, Spielberg faria um filme melhor. O personagem do Tim Robbins, ao invés de louco poderia ser um estudioso como TRUFFAUT em Contatos Imediatos, e Cruise poderia personificar um estilo RICHARD DREYFUSS.
Obviamente que o filme não é um entretenimento tão ruim. Fica na média, o que é péssimo para alguém como Spielberg. Já que não estamos falando de um filme de Emmerich.
Pois é, nós não estamos sós e a última grande guerra da humanidade não foi iniciada por humanos.
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EUA – 2005
AÇÃO/AVENTURA
FULLSCREEN
116 min.
COR
PARAMOUNT
12 ANOS
✩✩ REGULAR
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Rapaz decide matar aula e leva o melhor amigo e a namorada para um dia inteiro de diversões, apesar do perigo de serem pegos.
“Bueller...Bueller?” Ele faltou! Quem são se lembra da chamada feita pelo professor BEM STEIN (em seu primeiro papel no cinema) e da esperta e graciosa resposta da teenager KRISTY SWANSON sobre o motivo da falta do esperto Ferris Bueller (MATTHEW BRODERICK)? Nesta clássica e deliciosa aventura sobre um rapaz que decide aproveitar uma vida inteira em apenas um dia quando mata aula. Aliás, qual adolescente nunca matou aula na vida ou mesmo pensou em dar uma escapulida do colégio de vez em quando? Igual ao provérbio teen que diz: “Quem não cola não sai da escola”. CURTINDO A VIDA ADOIDADO (Ferris Bueller´s Day Off) é a fita que melhor registra o assunto. Escrita e dirigida pelo “Steven Spielberg” das comédias para e sobre jovens, o único diretor do gênero que foi respeitado pela crítica com sucesso popular nos EUA e nas nossas sessões da tarde: JOHN HUGHES [1950-2009] (de CLUBE DOS CINCO, ESQUECERAM DE MIM, GATINHA E GATÕES etc.)
Hughes era capaz de escrever um roteiro em uma semana, e não é lenda, foi exatamente o que ele fez com o scrip genial de Curtindo A Vida... Já era um gênio quando começou escrevendo para a revista NATIONAL LAMPOON´S MAGAZINE nos anos 1970. Foi ele quem descobriu as estrelas adolescentes: MOLLY RINGWALD e MACAULAY CULKIN que antes de estrelar os dois primeiros filmes da série Esqueceram de Mim (dirigido por Chris Columbus/ escrito e produzido por Hughes [é mais obra dele que de Columbus]), foi revelado no ótimo UNCLE BUCK (Quem Vê Cara Não Vê coração -1989) também estrelada pelo saudoso comediante gordão que era uma graça de simpatia JOHN CANDY (ator de outros sucessos do diretor [além de fazer uma ponta em Esqueceram de Mim 1] atuou na comédia com STEVE MARTIN “Antes Só Do Que Mal Acompanhado”). Ou seja, Hughes realiza na década de 1980 até começo dos 90 uma série de filmes que podem ser considerados, sem exageros, obras-primas das comédias juvenis. Além destes citados realizou o meu favorito MULHER NOTA MIL (Weird Science -1985) outro clássico de sua obra no mesmo ano de lançamento do Clube Dos Cincos e que além da estonteante KELLY LeBROCK em cena, sonho de todo adolescente, revelou também de uma vez por todas outro pupilo seu: ANTHONY MICHAEL HALL ( De Gatinha e Gatões e Clube Dos Cinco). Continuou com fitas como: ELA VAI TER UM BEBÊ (com KEVIN BACON e ELIZABETH McGOVERN) e dirigiu o seu último filme em 1991 com outra sessão da tarde conhecida; A MALANDRINHA (com a garotinha ALISAN PORTER e JAMES BELUSHI). Mas nada comparável ao seu filme mais popular como este, as aventuras de Ferris Bueller.
Realizado a 24 anos atrás (data de meu nascimento – 1986) eis um filme tão poderoso e gostoso de se assistir quanto comer um leite condensado Moça naquelas tardes após o colégio. É a história de nosso salvador e herói pessoal, Ferris (Broderick outra revelação do diretor), um garoto super ultra mega inteligente que conhece todos os truques para enganar os pais (ele nos diz como olhando para a câmera o tempo todo e as titulagens vão aparecendo numa espécie de lista de afazeres – eu anotei!) Assim, ele decide tirar o dia de folga (o “Day off” americano) da escola, e, em um só dia consegue almoçar em restaurantes finos (se fazendo passar pelo rei da salsicha de Chicado), ver o jogo de beisebol no Wrigley Field e cantar “Twist and Shout” dos Beatles, em um desfile alegórico na cidade (em uma das cenas mais memoráveis e marcantes do filme – a melhor cena).
Além de fazer inúmeras outras coisas como levar o amigo problemático e depressivo com ele, Cameron (o ótimo ALAN RUCK – na época com 30 anos de idade) e pegar emprestado a FERRARI do pai do amigo, e com ela, pegar a namorada na escola (depois de mais uma mentirinha) Sloane (MIA SARA) sair pela cidade para diversões e fazer raiva na irmã mais velha e mal-humorada, que sabe das tramóias do irmão, a engraçada JENNIFER GREY (de DIRTY DANCING). Ela esta farta da popularidade do irmão e faz de tudo para chamar a atenção. Quando ela acaba sendo presa na Delegacia por ter sido acusada de trote policial, conhece um adolescente pego por drogas, que é o próprio CHARLIE SHEEN em início de carreira.
O vilão, não passa do “Principal” da escola, que parece àqueles vilões de desenho animado que se dá mal todo o tempo e mesmo assim corre atrás do Jerry ou Pica Pau a fim de pegá-lo. É o excelente JEFFREY JONES como Ed Rooney. Ele é o responsável pelas cenas mais engraçadas da fita quando vai até o subúrbio onde mora Ferris e da de cara com um cachorro, além de levar uns golpes na cara depois que invade a casa e assusta Jennifer Grey. Na verdade ele é um vilão incompleto, tanto que Hughes disse uma vez em entrevista à época que fez da cadeira do diretor, um acento insignificante e menor das habituais. Outra doçura da fita é a secretária Grace (EDDIE McCLURG) engraçadíssima escondendo diversos lápis em seu cabelo- laquê.
Bueller é um filme que como nos anteriores do diretor, por exemplo, A GAROTA DE ROSA SHOCKING (na qual foi apenas produtor e roteirista), os personagens adultos não conseguem entender o mundo dos adolescentes (neste caso de um impiedoso diretor que decide flagrar o herói). Hughes viveu toda a sua vida realizando este tipo de filme e com histórias geniais, que além de reflexivas, conseguem nos divertir já que todo adolescente se identifica com a linguagem e as declarações de Ferris.
Graças à inteligência de Hughes (principalmente nos diálogos) e a magistral interpretação de Broderick, Curtindo A Vida Adoidado é uma espécie de filme incansável, a qualquer oportunidade que tivermos de ficar uma tarde em casa, temos que parar para assisti-lo (dublado) cantando Twist And Shout e “OH YEA”. Saudades.
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EUA- 1986
COMÉDIA
102 min.
COR
LIVRE
PARAMOUNT
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
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O magnata TONY STARK constrói armadura de alta tecnologia e se torna o Homem De Ferro.
Esta foi a primeira produção da MARVEL, que se cansou de vender seus produtos para diversos estúdios e conseguiu um empréstimo para se arriscar também no difícil jogo de ser produtora de cinema – o segundo foi O INCRÍVEL HULK -. Eles se arriscaram num projeto muito aguardado com um personagem cultuado e que tem obviamente muitos fãs, mas não um herói convencional. Foi um riso, porque atualizaram a história, acrescentando uma mensagem forte contra a indústria de armas. Também foi ousada ao escolher como protagonista ROBERT DOWNEY JR. Além de fato de ele ser ou ter sido drogado, ter cumprido pena de prisão, é conhecido justamente por ter vencido, de ser um ótimo ator (que realmente é) e pelo seu tom irônico, sarcástico, que normalmente é usado para interpretar o amigo ou inimigo do mocinho, não para carregar um filme.
Embora conhecido, não era popular (como o HOMEM-ARANHA), ou especialmente bonito ou simpático. Também não me lembro de outro herói na faixa de quarenta anos e que use cavanhaque, o que fica (para o leigo da HQ) mais difícil de se identificar, de torcer por ele, do que pelo próprio Homem –Aranha. Como o próprio STAN LEE diz, ele é inspirado em HOWARD HUGHES, “um inventor, aventureiro, milionário, conquistador de mulheres e também um louco”. Seria Downey a figura mais adequada para o papel? No final das contas, estavam certos, já que o público abraçou o filme, tornando-o um grande sucesso. Pensaram como diretor antes em QUENTIN TARANTINO, JOSS WHEDON, NICK CASSAVETES, e NICOLAS CAGE e TOM CRUISE consideraram a possibilidade de estrelarem.
De qualquer forma, a adaptação é inteligente e o diretor JON FAVREAU é um sujeito talentoso e esperto. Ele, como ator, é um daqueles à la Stallone, que escreveu um roteiro que depois dirigiu, SWINGERS. Isso lhe abriu as portas para uma carreira bem sucedida em fitas como UM DUENDE EM NOVA YORK e ZATHURA, enquanto também trabalha como ator, inclusive aqui faz um guarda-costas!
O protagonista Tony Stark é um fabricante de armas, que se envolve na guerra do Vietnã (aqui se torna a luta no Afeganistão que ele vai visitar para apresentar um novo tipo de arma), mas seu grupo é atacado e ele é feito de refém/prisioneiro, sendo obrigado a construir um míssil para o inimigo, mas como é muito inteligente, consegue criar uma nova fonte de energia uma espécie de homem voador, um Rocketeer que usa uma armadura de robô de última geração. Como o diretor roteirista Favreau não quis partir para a pura fantasia, mas manter um pé na realidade, no momento atual, o vilão acaba sendo um executivo que representa as grandes corporações e complexos militares – JEFF BRIDGES, com cabeça raspada. Terence Howard faz o amigo militar e o interesse romântico fica por conta de GWYNETH PALTROW, que faz a doce secretária, que é apaixonada pelo patrão, e menos sem graça do que de costume.
O filme, de vez em quando lembra ROBOCOP e a luta climática pode decepcionar já que particularmente não consegui acreditar que os inimigos aprendessem tão rápido a usar a roupa armadura.
O sucesso foi tão lógico e imediato que uma segunda parte já foi lançada. E tão boa quanto à primeira.
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EUA- 2008
AVENTURA
WIDESCREEN
126 min.
COR
PARAMOUNT
12 ANOS
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
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Quando é picado por uma aranha geneticamente modificada, um estudante nerd, tímido e desajeitado, Peter Parker, ganha super poderes e se torna o incrível Homem-Aranha. Como herói ganha o amor de sua vizinha Mary Jane Watson, que é perdidamente apaixonado e resolve proteger a cidade dos mais temíveis vilões: o primeiro deles, O Duende Verde. Baseado na HQ de Stan Lee e Steve Ditko.
Os fãs de super heróis do mundo, especialmente os mais xiitas do universo Marvel já esperavam ansiosamente o lançamento da Columbia/Sony naquele verão do início do século XXI. Assim como, Nova York, após os atentados de 11 de setembro de 2001, também ansiava por um herói. Eis que surge o longa metragem adaptado dos famosos quadrinhos de Lee e Ditko, dirigido por SAM RAIMI (Trilogia Evil Dead) que ganhou fama com a cena cortada onde o aranha fazia uma imensa teia entre as torres gêmeas (a produção foi adiada e lançada no ano seguinte após a tragédia) e, fora o falatório do beijo icônico do herói e da mocinha, de cabeça para baixo, que sustentaram a fita. O primeiro filme da trilogia original de Raimi tem falhas grotescas (na cena final no cemitério um erro de continuidade com relação a mão de Mary Jane), mas não deixa de ser uma boa diversão pipoca em dias tempestivos.
Afinal, estamos falando de uma história bacana dos quadrinhos Marvel (começando a adquirir status de produtora de filmes – após os sucessos de X-Men), onde um super-herói é na verdade um estudante nerd de óculos, atrapalhado, que ganha super poderes após uma aranha genética picá-lo. Suas primeiras preocupações são lidar com as acnes e probleminhas de “aborrescentes” antes de salvar a cidade dos vilões diabólicos. Quer impressionar a garota vizinha, M.J (KIRSTEN DUNST – ótima) e ganhar um carro novo. Bom, como Peter Parker, TOBEY MAGUIRE consegue ser perfeito, mas quando abre a boca e começa a dialogar com sua “vozinha” famosa...hum..enfim. Como aranha ele chega a impressionar ficando fisicamente apropriado e tem poucos momentos ótimos.
Assim, é Maguire que tenta convencer o público de que com grandes poderes, vem grandes responsabilidades. Frase de seu falecido Tio Ben (o veterano CLIFF ROBERTSON- marcado pelo personagem), que após sofrer um atentado criminoso em um assalto frustrado (o bandido feito por Michael Papajohn), faz com que o garoto amadureça lidando com o desejo de vingança e fazer o que é certo. Ser um super-herói. O melhor amigo é o riquinho Harry Osborne ( o agora galã JAMES FRANCO), que aparenta James Dean e um rebelde sem causa. Mimado, confuso, mas também amigo. Seu pai, o empresário e cientista Norman Osborne o negligencia sempre, e na hora da verdade, de maneira errada, se torna um bom pai. Ele é um sujeito típico para encarnar um vilão, além de ser lindamente feio (interpretado pelo ótimo WILLEM DAFOE – que participa dos três filmes), é arrogante e deseja o poder acima de tudo.
Depois de uma experiência frustrada com sua criação maluca, se transforma no vilão Duende Verde (que eu chamo carinhosamente de “Duente Verde”). Com o circo armado, ele voa em um planador e tem brinquedos perigosos como àquelas inexplicáveis bolas que explodem e também faz sair umas lâminas que voam parecendo mísseis teleguiados. Enfim, apesar de Raimi e os produtores tentarem fazer com que o filme pareça verossímil, é muito mais fantasia de histórias em quadrinhos para moleques de até 12 anos. Ainda mais se tratando da direção de Raimi, conhecido pelo seu humor gore e exagerado e com um timing acelerado. Mas o elenco até que reforça bastante, além do trio de jovens e um ótimo vilão, ROSEMARY HARRIS leva experiência ao set como a Tia May e J.K. SIMMONS é simplesmente perfeito como o engraçado e mão de vaca dono do Clarim Diário: J.J. Jameson (meu personagem predileto de Stan Lee). E os coadjuvantes também eu aprovo: BILL NUNN como “Robbie” (braço direito de Jameson) a secretária Betty Brant (ELIZABETH BANKS – ainda se tornando conhecida) e o irmão de Raimi, TED RAIMI como o engraçado Hoffman. Há também um personagem que os fãs desejavam ver na fita, o bad boy da escola de Peter, Flash Thompson (JOE MANGANIELLO). Ou seja, todos eles acertam porque não são personagens em destaque, mas estão lá para ilustrar melhor o universo do herói.
O Homem Aranha apareceu primeiramente no 15º e último lançamento da revista Amazing Fantasy, cuja capa datada é de agosto de 1962. Evidente que fora um sucesso inesperado e fez de Stan Lee um verdadeiro herói. Foi necessária uma espera de 40 anos para que o herói fosse finalmente para as telas. E Sam Raimi após ter realizado fitas boas como O DOM DA PREMONIÇÃO e UM PLANO SIMPLES e conhecido pelo “terrir” da trilogia “A Morte do Demônio” (com BRUCE CAMPBELL – que faz participações especiais nos três filmes do aranha. Aqui como o apresentador de luta - livre), teve uma imensa responsabilidade de super-herói para agradar a todos. Teve gente que odiou a adaptação, repúdio total, outras adoraram e alguns o acharam na média (apenas bom, como eu). Certamente o filme foi um grande sucesso de bilheteria do ano e garantiu as sequências.
Pelo menos o time que acompanhou Raimi na criação foi até certeiro. Com o suporte do premiado diretor de fotografia DON BURGESS (do premiado Filme Oscar FORREST GUMP – O Contador de Histórias), o figurinista JAMES ACHESON (de LIGAÇÕES PERIGOSAS e O ÚLTIMO IMPERADOR) e o compositor DANNY ELFMAN (dos sucessos de Tim Burton e fez trilha para o BATMAN que se tornou hino e de outro cult de Raimi [DARKMAN – VINGANÇA SEM ROSTO]).
Os efeitos especiais ficaram ao encargo de JOHN DYKSTRA (de STAR WARS) e criados no estúdio em expansão a IMAGEWORKS, da Sony. A produção começou em janeiro de 2001 em Culver City, na Califórnia, tudo até de um jeito modesto para uma super-produção.
A melhor cena do filme é o ataque do Duende na Times Square que culmina numa sequência de luta entre o Homem Aranha e o macabro verdão. Raimi faz típicas homenagens a outros heróis; Superman (quando Parker abre a camisa e mostra o uniforme por de baixo) e na hora que Mary Jane cai do edifício e o herói pega a mocinha com as teias em um estilo Batman, pouco antes de chegar ao chão e sai atirando teia que o faz voar (já que voar não é típico dele, nem do Batman, só do Super-Homem mesmo!). No final, temos um roteiro simples demais e sem ênfase dramática, escrito por DAVID KOEPP (dos filmes de Spielberg), isto é, as cenas com Tio Ben e Maguire convencendo um pouco no drama são momentos ligeiros e a transformação do herói é atípica. A produção é assinada pela experiente LAURA ZISKIN que veio da indicação ao Oscar por MELHOR É IMPOSSÍVEL (1997, de James L. Brooks) e do produtor vencedor do Oscar IAN BRYCE (de O RESGATE DO SOLDADO RYAN, 1998). São eles que sustentam AVI ARAD e Stan Lee na aventura de produtores de cinema, levando a Marvel para o status que tanto merecia, mas o filme de Raimi é apenas um bom passatempo e não uma obra prima como da concorrente DC Comics e o seu CAVALEIRO DAS TREVAS. E, também nem chega a ser uma produção a altura do clássico de Richard Donner (Superman, 1978).
Pode-se comparar Homem-Aranha com o Batman de 1989 realizado por Tim Burton. Um caso de um filme que deu a oportunidade de dar vida a um mito das gerações e que ainda não encontrou a sua versão definitiva. O 2 e o 3 revelam os limites de Raimi na compreensão de seu herói predileto. Um cineasta que se tornou classe A com estas produções e que faz apenas filmes que sonhava ver quando garoto. Raimi não soube partilhar com o resto do planeta, deixando o aracnídeo um pouco no limbo, aqui envelhecendo cada vez mais. Principalmente com o terceiro filme (nas próximas sessões da série heróis), Raimi decepciona.
O incrível neste filme do aranha é que ele sabe divertir. Nos faz rir e vibrar. Nova York clamava pelo herói há muito tempo e o momento não poderia ser mais correto. Das cinzas do terrorismo surge o melhor herói do universo Marvel. “We Love spidey.” Outra curiosidade: o projeto seria dirigido por JAMES CAMERON (AVATAR) foi ele que planejou a câmera para trabalhar melhor nos movimentos quando o Aranha salta e voa entre os edifícios, além de ter pré-produzido o efeito das teias. MARC WEBB (diretor de 500 DIAS COM ELA) é o responsável pelo THE AMAZING SPIDER-MAN que retorna em 2012. O mundo não vai acabar, mas veremos o ótimo Andrew Garfield como o aclamado herói.
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EUA- 2002
AVENTURA
FULLSCREEN
121 min.
COR
COLUMBIA/SONY
LIVRE
✩✩✩ BOM
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Depois de ser morto em um assalto planejado, um jovem executivo fica preso na terra como um fantasma para proteger o único amor de sua vida.
Não é piegas gostar deste filme. GHOST do Outro Lado Da Vida é bem melhor que muita fita romântica por aí. Obviamente não há nada complicado na trama de um homem chamado SAM WHEAT (PATRICK SWAYZE – [1952-2009] que já está do outro lado da vida) que é morto em um assalto planejado e vira um fantasma (Ghost), que está preso na terra. Sam era casado com Molly Jensen (DEMI MOORE – nesta época antes da plástica no nariz e linda, linda, linda), eles eram um casal apaixonado, caliente e feliz e o amor deles era algo contagioso demais, sentimos ele. Eles são jovens e acabaram de mudar para Nova York, em seu novo apartamento.
Numa noite após uma sessão teatral, estão voltando para casa, cruzam um beco escuro e são assaltados. O homem (RICK AVILES), um porto-riquenho chamado Willie Lopez, mata Sam sem piedade. Tudo acontece muito rápido e Sam, depois do tiro, sai correndo atrás do gatuno e percebe que está fora de seu corpo (os efeitos especiais do filme são inocentes e até divertidos). Ele é um fantasma, mas não um espectro aterrador, continua com a mesma aparência e figurino, o filme todo. Ele se encontra preso, como sendo este fantasma e depois descobre que sua morte não foi acidental. Com muito pesar, Sam vai em busca da verdade e é revelado que seu melhor amigo em vida, Carl ( TONY GOLDWYN que faz o vilão – neto de SAMUEL GOLDWYN , lendário chefe de estúdio e produtor independente – sócio de Louis B. Mayer na METRO) é o responsável pela morte do amigo por causa de uma lavagem ilegal de dinheiro (mas sem muitos detalhes). Assim, o herói precisa proteger e avisar sua amada Molly, mas como é um fantasma e não pode ser visto por ela ou se comunicar, ele resolve usar a paranormal negra, que já foi trapaceira, Oda Mae Brown (WHOOPI GOLDBERG – vencedora de um Oscar por este papel), que trabalha como “vidente”, e que nem sabia dos seus verdadeiros poderes. Assim, com esta sujeita cômica e sensacional, Sam faz de tudo para salvar Molly.
Gosto muito da participação do ator VINCENT SCHIAVELLI (1948-2005 de UM ESTRANHO NO NINHO e AMADEUS) um sujeito feioso que faz o Fantasma do Metro e que ajuda Sam a tocar nos objetos e pessoas.
É simplesmente delicioso rever e rever Ghost, o primeiro filme solo do diretor JERRY ZUCKER, dos sucessos em co-direção com o irmão David Zucker e o amigo e sócio Jim Abrahams, que começaram esta parceria em filmes de sucessos como APERTEM OS CINTOS, O PILOTO SUMIU (Airplane, 1980) e a série de TV Police Squad! (Com Leslie Nielsen, que se tornaria a trilogia CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ). Ou seja, todas fitas de comédia, que faziam paródias pastelões. É aqui que Jerry muda completamente o gosto e gênero com este belo drama romântico/espírita, que bateu recordes de bilheteria em 1990, sobretudo no Brasil. Zucker fez o melhor filme de sua carreira com este script, até então desprezado, escrito pelo vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original, BRUCE JOEL RUBIN. Depois, a carreira deste diretor se tornou medíocre (mesmo voltando a trabalhar com Whoopi). Ghost é um filme que encanta pelas cenas de amor ao som da famosa canção de Alex North e Hy Zaret: UNCHAINED MELODY, que se tornou célebre nas jukebox americanas e popular na versão dos Irmãos RIGHTEOUS , que a cantam lindamente. Se a nona sinfonia de Beethoven e Cantando na Chuva de Gene Kelly são exemplos de um lindo casamento em outras obras (vide Laranja Mecânica), Unchained Melody se tornou o filme GHOST. A letra é bem idêntica a premissa: “Oh, meu amor, minha querida. Eu anseio pelo seu toque. Há um longo e solitário tempo. O tempo passa tão devagar. E o tempo pode fazer tanto. Você ainda é minha? Eu preciso do teu amor...” Sobre este apaixonado casal, tragicamente separados pelo destino e que mesmo após a morte, permanece.
A cena de Demi e Patrick, a mais antológica, é sem dúvida quando eles começam a fazer amor pela madrugada, quando ela está tentando fazer um vaso. Como na cena de Titanic na proa, eis um momento de registro cinematográfico apaixonante, que virou também um fetiche em se lambuzar de barro e levantar a sua mulher, que se agarra em seu homem e o beija até nunca mais! Só este momento é puro cinema. Ninguém esquece.
Por mais bobo que possa parecer, o filme agrada em suas sessões da tarde e dublado ou em exibições inter -cine aos sábados agarradinho(a) a alguém muito especial comendo bombons.
É de se emocionar muito com a despedida de Patrick como Sam, quando o mesmo, cumpre a sua última missão na Terra. É de chorar de tanto rir com a presença nada impertinente da incrível Whoopi (Patrick quem insistiu a escalação dela, caso contrário não faria o filme), não só na hora em que ela faz de tudo para não entregar um cheque de 4 milhões de dólares a duas freiras, mas em todas as cenas repetindo a Demi o que Patrick, ansioso e irritado diz. “O que quer dizer idem? IDEM!” Aliás, nada como usar uma palavra que significa mais do que dizer eu te amo, já que, se você realmente ama alguém, pra quê dizer?
De um jeito ou de outro, certamente Ghost é uma história de amor carnal e espiritual. Um filme eterno. Eu gosto.
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EUA -1990
ROMANCE
126 min.
COR
WIDESCREEN
PARAMOUNT
14 ANOS
✩✩✩✩ ÓTIMO
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