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Wednesday, May 30, 2012

STEVEN SPIELBERG | GUERRA DOS MUNDOS




A grande obra de WELLS já foi adaptada três vezes: em 1938, ORSON WELLS causou pânico ao transmitir a história em um programa radiofônico com a equipe do Teatro Mercúrio. Um rádio-filme transmitido no Halloween, e que causou um grande tumulto e pânico em toda costa americana ao narrar de maneira jornalística uma invasão de marcianos. Alguns anos depois, a Paramount Pictures comprara os direitos autorais de Wells, e o produtor GEORGE PAL, realiza em 1952, uma fantástica visão da Guerra Fria e toda a paranóia envolvendo o período do governo de Eisenhower, estrelada por marcianos, ANN ROBINSON e GENE BARRY (que fazem uma ponta na cena final na fita de Spielberg, como os avós maternos das crianças). A terceira e menos envolvente versão é a do mago STEVEN SPIELBERG, que sendo quem é, o diretor de obras magistrais como E.T. (1982) e CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU (1977), faz esta adaptação (onde os Et´s não vem de Marte e são maus) com um mesmo disfarce político que cobre a época. Aqui, Spielberg faz o seu filme empoeirado no pós 11 de setembro que assolou o país e o mundo naquela fatídica manhã de terça-feira. Essa dor percorreu em Hollywood até aquele momento, até mesmo por volta de 2005. Assim sendo, o famoso cineasta, querendo voltar ao tipo que lhe tornou um mito, coloca o astro TOM CRUISE (MINORITY REPORT) nesta fita de ação que não faz muito o gênero ficção-científica e não tem um certo envolvimento emocional de um pai divorciado que tenta se reaproximar dos filhos (DAKOTA FANNING e JUSTIN CHATWIN) que vão passar um final de semana com o pai na costa leste, enquanto a mãe (MIRANDA OTTO [O SENHOR DOS ANÉIS]) grávida e novamente casada, vai com o marido para a casa dos pais em Boston. Neste interín, começam os ataques de naves Tripods, que atiram um raio fatal que desintegra em instantes os corpos das pessoas transformando-as em pó. Portanto na metade da fita, Cruise (do mesmo tipo de sempre) foge com os filhos desta desesperada caçada humana.Não vou negar que o filme tem algumas cenas interessantes, como a narração de MORGAN FREEMAN, citando Wells ao estilo de Orson Wells, na abertura do filme que mostra seres microscópicos e o planeta terra que se transforma num semáforo no sinal vermelho que lembra o planeta marte, e assim vai a grandes tomadas das principais metrópoles do mundo e os microcosmos da população em plongée.
Mas o filme é ríspido e contado pelo ponto de vista dos protagonistas e não vemos aquele típico filme “desaster” em grande escala. Fui com esta expectativa, afinal, a obra de Wells foi contada desta forma, em proporções épicas na versão de 52, e mesmo com as limitações da tecnologia e efeitos especiais da época. O que só o torna mais especial e um clássico da ficção-científica do cinema fantástico.
Na versão de Spielberg, os invasores saem do chão e transformam o nosso planeta como o deles (usando sangue humano – sem explicações alusão a Marte?) depois que a tempestade de raios atinge pontos do planeta. Explica-se que as naves (tripods) estavam enterradas aqui há milhões de anos, e que este ataque foi planejado do tempo em que esta civilização espacial hostil plantou essas naves em nosso lar. Mas tudo são teorias que não querem preencher em diálogos que expliquem o motivo. E, como estes seres plantaram as naves se eles não podem respirar por muito tempo em nosso planeta? Se eles estiveram aqui há muito tempo, antes de existir o ser humano, antes de nossa história começar, como eles não planejaram o inevitável? Afinal, o filme mantém a versão de Wells sobre os germes de nosso planeta terem matado as criaturas extraterrestres (ou subterrestres) como preferirem.
Na prosa de Wells, Marte estaria morrendo e os marcianos, obviamente acharam que o único planeta sustentável (risos) do sistema solar era a Terra.O que me incomodou na fita de Spielberg é a falta de coerência com a obra, transposta para a atualidade com cara de ataque terrorista à la Bin Laden. Ou seja, ele joga panos quentes numa obra magnífica, que tinha tudo para ficar mais espetacular em suas mãos, e prefere fazer um filme sem alma e que escapa totalmente do gênero da sci-fic. Onde estão os personagens cientistas que discutem o design das naves? Cadê o grupo de Ufologia que são presentes em Contatos Imediatos e até os "vilões adultos" de ET? Tudo é simplesmente limitado não só cientificamente, mesmo sendo ficcionalmente, mas dramaticamente também.
Segundo Spielberg, ele planejava o filme com Cruise há um certo tempo. Antes mesmo de tocar o projeto como produtor do diretor Jan De Bont para o filme Minority Report. Mas, depois que ROLAND EMMERICH lançou INDEPENDENCE DAY em 1996, o projeto foi adiado para não haver comparações óbvias. Ele esperou, e o resultado chegou depois que as torres gêmeas foram atingidas e um novo medo instalou-se nos EUA.Guerra Dos Mundos pode ter algumas qualidades que são a marca de Spielberg. A fotografia contra-luz e os movimentos de câmera. Ou mesmo as falas sobrepostas em cenas de maior clímax, como no momento em que Cruise vai investigar os raios no centro do bairro e as pessoas se aglomeram para ver, curiosas. Alias, devo admitir que é possível gelar o sangue quando vemos o primeiro tripod saindo do asfalto, causando uma enorme erosão que destrói uma igreja e vários veículos, que também são atirados ao longe. Mas depois não há mais nenhuma cena que vale tanto a pena, nem a da barca, e muito menos a do porão com TIM ROBBINS. Tudo é feito de maneira até asquerosa para um diretor como Spielberg. Em matéria de clichês, que os filmes de ficção-cientíca tem de melhor, até isso falta neste filme. Seria como se um filme futurista acertasse em cheio em todas as previsões que fizera, sem faltar um detalhe. Não consideraria um filme futurista como 2001 (Hotéis Hilton na Lua) ou Blade Runner (Colonizadores robóticos em pleno século XXI). Um filme como Guerra Dos Mundos tem que ter a vibe de um filme ridículo como os de Roland Emmerich. Presidentes fardados e cientistas vestidos de médicos dando suas teorias sobre o desconhecido. E, se fosse feito assim, menos família, Spielberg faria um filme melhor. O personagem do Tim Robbins, ao invés de louco poderia ser um estudioso como TRUFFAUT em Contatos Imediatos, e Cruise poderia personificar um estilo RICHARD DREYFUSS.
Obviamente que o filme não é um entretenimento tão ruim. Fica na média, o que é péssimo para alguém como Spielberg. Já que não estamos falando de um filme de Emmerich.
Pois é, nós não estamos sós e a última grande guerra da humanidade não foi iniciada por humanos.

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EUA – 2005

AÇÃO/AVENTURA
FULLSCREEN
116 min.
COR
PARAMOUNT
12 ANOS
✩✩ REGULAR
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Tuesday, May 8, 2012

MARK HERMAN |O MENINO DO PIJAMA LISTRADO



Não entendi até agora como a crítica americana tenha desprezado esta adaptação de um best-seller escrito por JOHN BOYNE. É, sem dúvida, uma linda e comovente nova história do HOLOCAUSTO, só que dentro do espírito de A VIDA É BELA de Benigni. Ou seja, não é uma história realista, mas uma fábula, realizada com orçamento muito baixo, em locações na Hungria, com um elenco pouco conhecido (alguns atores até são irregulares), mas que nem por isso deixa de ter grande impacto emocional, provocando lágrimas, sem evitar uma contundente mensagem não realista. Talvez parte do problema seja o fato incontestável de que o crítico tenha preconceito com histórias sentimentais e que façam o público reagir emocionalmente. Uma estupidez de muitas décadas, que só aumenta a distância entre crítica e público.Este filme de MARK HERMAN (o mesmo de BRASSED OFF, LITTLE VOICE, A VOZ DA ESTRELA) definitivamente tem alguns problemas quando opta por representar todos os alemães por atores britânicos, menos a mãe do menino, que é feita pela americana, a ótima VERA FARMIGA (de AMOR SEM FRONTEIRAS e OS INFILTRADOS). O ruim é que DAVID THEWLIS, no papel do pai, militar nazista que é nomeado chefe de um campo de concentração,é mais apropriado para personagens naturalistas, atuais. Não convence muito, particularmente nas cenas finais, que caem no melodrama, e que na minha opinião, não precisava de trilha musical tão intensa acompanhada ainda por cima de uma tempestade! (choro).O roteiro tem muitas falhas, como a absurda história do tenente nazista que sem mais nem menos revela que tem um pai que emigrou. Certamente ele jamais faria isso porque sabia do destino que o aguardaria, teriam que descobrir de alguma outra maneira. O resto pode se desculpar pela fábula (como a irmã mais velha que, de uma hora para outra, vira fanática nazista só que esquecem disso, tornando-a simpática novamente). Também sugerem, mas não desenvolvem o romance dela com o tenente. Apesar disso, é curioso como nos fazem envolver com o herói, um menino solitário chamado BRUNO ( o carismático ASA BUTTERFIELD), que é carente de amigos e sonha em ser explorador e aventureiro. Quando se muda para o interior, provavelmente AUSCHWITZ, que era o único campo com quatro crematórios (o filme é vago em datas e locações), procura novas amizades, mas não desconfia que a construção vizinha seja um campo de concentração para matar judeus. Nem de onde vem aquele cheiro ruim na fumaça. Acaba conhecendo um menino judeu também solitário, que usa justamente o pijama listrado do título.O resto da história é pura tragédia, com o público adivinhando o que vai acontecer e nada podendo fazer para evitar isso. E só dessa maneira é que teria o verdadeiro impacto pretendido pelo autor. Depois de A LISTA DE SCHINDLER, ficou difícil fazer outro filme semelhante força (STANLEY KUBRICK até chegou a cancelar um projeto sobre o período). Este nem pretende chegar lá. Fica no seu quadrado como um conto de fadas às avessas, onde o sonho e aventura são esmigalhados pela dura realidade.____
INGLATERRA- 2008
DRAMA
WIDESCREEN
94 min.
COR
DISNEY
12 ANOS
✩✩✩ BOM
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Sunday, April 29, 2012

BRASIL MOSTRA O SEU CINEMA PARTE 1

O filme traz a histórica verídica de um rapaz carioca que torna-se bem sucedido traficando drogas. “Meu Nome Não É Johnny” foi um filme muito ajudado pela boa vontade criada pelo sucesso de “Tropa de Elite” (José Padilha, 2007), este filme nacional fez boa carreira comercial, graças também à presença de Selton Mello, atualmente o maior astro do cinema nacional. Obviamente o mais empático e querido ator pelo público, que não decepciona, mesmo num personagem que não acho aprofundado no roteiro, nem tem maiores chance de explicar. Baseado em fatos reais e livro de sucesso, o filme conta a história de João Guilherme Estrela, que nos anos noventa se tornou um bem sucedido traficante de drogas no Rio De Janeiro. Ganhou e gastou rios de dinheiro, porque sua casa vivia lotada de gente numa festa permanente, onde se consumia droga de graça. Chegou a vender para o exterior, mas tudo que ganhou gastou lá mesmo, na Europa. Ou seja, nunca se organizou, nunca contratou capangas, nem repassou a droga.
Ao contrário dos outros famosos traficantes (do cinema), como Denzel Washington em “O Gangster” (Ridley Scott, 2008), ou no notório Scarface com Al Pacino. Esse é em tudo e por tudo um traficante bem brasileiro e com a diferença de ser da classe média alta, escapando do olhar de filmes como Cidade De Deus ou mesmo Tropa. Só mesmo Selton Mello é capaz de dar vida a essa figura, até boêmia, já que o roteiro, a meu ver, não adota a solução mais óbvia, que seria ele mesmo contando a história, fosse em off fosse falando para a câmera.
Assim, nunca ficamos sabendo exatamente quem ele é, e o que pensa - o único momento em que o personagem se abre e mesmo aí poderia estar mentindo. Há certa polêmica sobre a lição de vida que o filme traz, para uns moralista (ele para pelos seus crimes), para outros amoral (já que mostra e desfrutando do dinheiro sujo e gozando a vida, não desenvolve dramaticamente os laços nem com os amigos, nem com a família que fica tudo como pano de fundo). O que mais me chocou, a princípio, foi a estética do filme. Todos os planos são fechados, próximos demais (às vezes parece close de novela) e a ponto de, por vezes, cortar a testa, sem a menor preocupação de colocar em cena a geografia do Rio De Janeiro que pouco se vê ou a época, ficando demais atemporal e ainda mais se tratando de uma cinebiografia.
Esteticamente, é um filme feio, que usa mal a música, que poderia ter a câmera mais nervosa e atuante, uma montagem mais criativa. Tem também uma direção extremamente irregular dos atores, que não sabe tirar a artificialidade de Cléo Pires, erra em muitos coadjuvantes e coloca uma criança nada parecida com Selton que ele vai se tornar, e só funciona ocasionalmente com participações simpáticas como a Eva Todor, sempre adorável. É mais estranho ainda que o filme tome desvios, fugindo um pouco do assunto, se tornando um filme policia diferente, como por exemplo, na adorável sequência com os dois policiais que vem roubá-lo, um bom hiato no meio da história. E, depois, vira um filme de prisão, que creio onde o público melhor reage, já que a palavra fica com um grupo de desconhecidos e muito competentes que povoam o ambiente. Mais estranho ainda é que com tantas deficiências, eu acho o filme resultante. Bom.
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BRASIL – 2008
DRAMA
WIDESCREEN
126 min.
COR
SONY/DOWNTOWN FILMES
14 ANOS
✩✩✩ BOM
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Monday, April 9, 2012

JERRY ZUCKER | G H O S T

Depois de ser morto em um assalto planejado, um jovem executivo fica preso na terra como um fantasma para proteger o único amor de sua vida.Não é piegas gostar deste filme. GHOST do Outro Lado Da Vida é bem melhor que muita fita romântica por aí. Obviamente não há nada complicado na trama de um homem chamado SAM WHEAT (PATRICK SWAYZE – [1952-2009] que já está do outro lado da vida) que é morto em um assalto planejado e vira um fantasma (Ghost), que está preso na terra. Sam era casado com Molly Jensen (DEMI MOORE – nesta época antes da plástica no nariz e linda, linda, linda), eles eram um casal apaixonado, caliente e feliz e o amor deles era algo contagioso demais, sentimos ele. Eles são jovens e acabaram de mudar para Nova York, em seu novo apartamento. Numa noite após uma sessão teatral, estão voltando para casa, cruzam um beco escuro e são assaltados. O homem (RICK AVILES), um porto-riquenho chamado Willie Lopez, mata Sam sem piedade. Tudo acontece muito rápido e Sam, depois do tiro, sai correndo atrás do gatuno e percebe que está fora de seu corpo (os efeitos especiais do filme são inocentes e até divertidos). Ele é um fantasma, mas não um espectro aterrador, continua com a mesma aparência e figurino, o filme todo. Ele se encontra preso, como sendo este fantasma e depois descobre que sua morte não foi acidental. Com muito pesar, Sam vai em busca da verdade e é revelado que seu melhor amigo em vida, Carl ( TONY GOLDWYN que faz o vilão – neto de SAMUEL GOLDWYN , lendário chefe de estúdio e produtor independente – sócio de Louis B. Mayer na METRO) é o responsável pela morte do amigo por causa de uma lavagem ilegal de dinheiro (mas sem muitos detalhes). Assim, o herói precisa proteger e avisar sua amada Molly, mas como é um fantasma e não pode ser visto por ela ou se comunicar, ele resolve usar a paranormal negra, que já foi trapaceira, Oda Mae Brown (WHOOPI GOLDBERG – vencedora de um Oscar por este papel), que trabalha como “vidente”, e que nem sabia dos seus verdadeiros poderes. Assim, com esta sujeita cômica e sensacional, Sam faz de tudo para salvar Molly.
Gosto muito da participação do ator VINCENT SCHIAVELLI (1948-2005 de UM ESTRANHO NO NINHO e AMADEUS) um sujeito feioso que faz o Fantasma do Metro e que ajuda Sam a tocar nos objetos e pessoas.

É simplesmente delicioso rever e rever Ghost, o primeiro filme solo do diretor JERRY ZUCKER, dos sucessos em co-direção com o irmão David Zucker e o amigo e sócio Jim Abrahams, que começaram esta parceria em filmes de sucessos como APERTEM OS CINTOS, O PILOTO SUMIU (Airplane, 1980) e a série de TV Police Squad! (Com Leslie Nielsen, que se tornaria a trilogia CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ). Ou seja, todas fitas de comédia, que faziam paródias pastelões. É aqui que Jerry muda completamente o gosto e gênero com este belo drama romântico/espírita, que bateu recordes de bilheteria em 1990, sobretudo no Brasil. Zucker fez o melhor filme de sua carreira com este script, até então desprezado, escrito pelo vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original, BRUCE JOEL RUBIN. Depois, a carreira deste diretor se tornou medíocre (mesmo voltando a trabalhar com Whoopi). Ghost é um filme que encanta pelas cenas de amor ao som da famosa canção de Alex North e Hy Zaret: UNCHAINED MELODY, que se tornou célebre nas jukebox americanas e popular na versão dos Irmãos RIGHTEOUS , que a cantam lindamente. Se a nona sinfonia de Beethoven e Cantando na Chuva de Gene Kelly são exemplos de um lindo casamento em outras obras (vide Laranja Mecânica), Unchained Melody se tornou o filme GHOST. A letra é bem idêntica a premissa: “Oh, meu amor, minha querida. Eu anseio pelo seu toque. Há um longo e solitário tempo. O tempo passa tão devagar. E o tempo pode fazer tanto. Você ainda é minha? Eu preciso do teu amor...” Sobre este apaixonado casal, tragicamente separados pelo destino e que mesmo após a morte, permanece.

A cena de Demi e Patrick, a mais antológica, é sem dúvida quando eles começam a fazer amor pela madrugada, quando ela está tentando fazer um vaso. Como na cena de Titanic na proa, eis um momento de registro cinematográfico apaixonante, que virou também um fetiche em se lambuzar de barro e levantar a sua mulher, que se agarra em seu homem e o beija até nunca mais! Só este momento é puro cinema. Ninguém esquece.
Por mais bobo que possa parecer, o filme agrada em suas sessões da tarde e dublado ou em exibições inter -cine aos sábados agarradinho(a) a alguém muito especial comendo bombons.

É de se emocionar muito com a despedida de Patrick como Sam, quando o mesmo, cumpre a sua última missão na Terra. É de chorar de tanto rir com a presença nada impertinente da incrível Whoopi (Patrick quem insistiu a escalação dela, caso contrário não faria o filme), não só na hora em que ela faz de tudo para não entregar um cheque de 4 milhões de dólares a duas freiras, mas em todas as cenas repetindo a Demi o que Patrick, ansioso e irritado diz. “O que quer dizer idem? IDEM!” Aliás, nada como usar uma palavra que significa mais do que dizer eu te amo, já que, se você realmente ama alguém, pra quê dizer?
De um jeito ou de outro, certamente Ghost é uma história de amor carnal e espiritual. Um filme eterno. Eu gosto.


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EUA -1990

ROMANCE
126 min.
COR
WIDESCREEN
PARAMOUNT
14 ANOS
✩✩✩✩ ÓTIMO
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Saturday, March 17, 2012

JOHN CAMERON MITCHELL | SHORTBUS


Um grupo de nova-iorquinos se reúnem em um salão underground subterrâneo chamado “Shortbus” para orgias sexuais, arte, música e política.


Esta fita do jovem cineasta JOHN CAMERON MITCHELL que fez um filme chamado HEDWIG –ROCK, AMOR E TRAIÇÃO [2001] (na qual também foi ator), sobre uma garota punck rock transexual de Berlin Oriental que viaja com sua banda de rock para os EUA enquanto ela conta a sua trajetória de vida e do ex-namorado que roubou as suas canções, etc., era um filme até regular. É de Mitchell também a volta triunfante de NICOLE KIDMAN no pequeno RABBIT HOLE (recente produção indicada ao Oscar de atriz – “Reencontrando a Felicidade”), mas nada se compara a esta fita que passou até em Cannes e em outros Festivais de cinema contemplados. Com cenas de sexo explícito (mas também sem muitos planos ginecológicos) o filme pode causar repúdio total a algumas pessoas por acharem chocante demais e ou/ desnecessário para outros mais entendidos, que não se chocam com sexo de verdade nu e cru. Eu pertenço ao grupo do “nem fede e nem cheira”. O filme é até “funny” com as cenas “fuck”, mas está longe de ser um filhote de TINTO BRASS, cult diretor italiano que realizou fitas soft-porn como o clássico CALÍGULA (com Malcolm McDowell e grande elenco de estrelas – apesar da fita de 1979 ser uma produção de Gore Vidal e direção de atores realizada por Bob Guccione e Giancarlo Lui e Bras tendo feito apenas a fotografia principal). Ou de outros trabalhos “pornôs com história” do mesmo diretor: MONELLA, A TRAVESSA (1998) ou TODAS AS MULHERES FAZEM (1992) e o até recente LUXÚRIA (2002).

SHORTBUS poderia ser mais interessante com este sexo todo, sem atalhos e verdadeiro, se tivesse uma premissa mais envolvente e não se ligasse apenas na comédia, quase pastelão de tão absurda e no melodrama vazio. As duas coisas chegam ao extremo da irritação. O filme oscila no gozo contando a história de um grupo de pessoas da cidade de Nova York (pós 11 de setembro, ao que parece [risos]) que se reúnem em um clube exclusivo chamado Shorbus (é mesmo um “busão” apertado com muita “pegação”) para trabalhar [mais risos] as suas relações, problemas sexuais, vivendo novas experiências, e sempre das mais bizarras. É tão irônico que uma terapeuta sexual, a oriental sino-canadense SOOK-YIN LEE (que vive Sofia) não consegue ter um orgasmo, mesmo sendo perita no assunto e tendo transado aparentemente de todas as formas e posições com o marido (RAPHAEL BARKER) que obviamente fica frustrado achando que o problema é com ele e o seu pênis. Esta terapeuta atende um casal homossexual em que um deles, James (PAUL DAWSON – já no início do filme totalmente nu em uma banheira, sofrendo) esta em crise existencial e o parceiro, até simpático e fofo, Jamie (PJ DeBoy) um cara romântico e disposto a ajudar o parceiro, faz de tudo para manter o relacionamento aberto com outras pessoas – aberto para o sexo mesmo! Têm também a história de uma dominadora sexual sado-masoquista, Severin (LINDSAY BEAMISH) carente de afeto, namorado, romance e até um sexo normal (dentro dos padrões clássicos papai e mamãe). É também sobre um voyeur (PETER STICKIES) que espia James e Jamie e sabe da vida alheia de ambos, mantendo uma relação super esquisita à la James Stewart (do clássico de Hitch Janela Indiscreta) e um gay carinhoso e passivo ( vivido por JAY BRANNAN que entra na relação sexual do casal gay acima). É todo este povo que se mistura loucamente neste clube particular em que uma banda com nome muito bacana “Bitch”, toca toda a noite enquanto todo mundo esta trepando. Tem até um velinho (ALLAN MANDELL) que é amigo de todo mundo lá, um ex-prefeito aidético. Ele só observa. O dono do clube é o próprio JUSTIN BOND, um gay bastante excêntrico.


O filme já começa com transas e caretas, a dominatrix batendo em um cliente rico que se masturba e jorra sêmen em um quadro repleto de cores abstratas que se misturam com o esperma, o rapaz gay enamorado e infeliz que pratica sexo oral em si mesmo e grava tudo (descobrimos depois que ele esta editando um filme caseiro para o namorado) e a terapeuta, fingindo orgasmos depois de várias posições com o marido e mentindo para ele sobre uma cliente (na verdade ela) que nunca teve prazer vaginal.


Mesmo com um roteiro irregular, Shortbus possui uma direção de arte caprichada e vários ambientes ( a estátua da liberdade apresentada de um jeito sexy após a titulagem principal), a cidade representada por maquete, usando efeitos de transições temporais,um salão de shows com apresentações burlescas (apela também mais para o universo gay masculino) e uma banda com vocalistas e músicos dos mais diferentes. O salão de sexo tem até uma fotografia boa, em que as pessoas estão fazendo sexo, se liberando em travesseiros e colchões e lá, vários voyeurs observam a orgia. Alguns para se inspirarem em alguma escrita e ou/ leitura e outros para estimulação sexual (mas no fim é só para realizar seu fetiche) este elenco é figuração e não tem um drama a contar.
Também há um quarto só para mulheres lésbicas, que discutem as suas relações e frustrações (quase não há muitas cenas homossexual feminino). O local, ao menos, é cercado de arte. As pessoas assistem a documentários (um sobre Gertrude Stein em exibição), vídeoarte e várias outras coisas até broxantes.

A trilha musical é bem interessante, eu gosto. Toca várias músicas do folk e jazz e um pouco de rock. Isso ajuda em uma sessão que pode chegar a irritação com uma terapeuta que não consegue chegar ao clímax e vai ficando louca, usa um vibrador oval e sai dando porrada quando o marido acidentalmente mexe no controle remoto. Ou pior, o gay vazio que sofre e quer cometer suicídio, mesmo com um namorado super legal e mente aberta. Não gostei nem um pouco da caracterização e construção do perfil psicológico dos personagens, embora o filme tenha atores bonitos e até talentosos, não sabemos se estamos vendo algo interessante ou forçado. Interessante pela construção técnica e artística do filme e forçado nas condições dos personagens que culmina em “ejaculações escandalosas”.

Tudo bem é engraçado ver um ménage a trois gay em que o trio começa a cantar o hino nacional americano enquanto praticam sexo oral uns nos outros (o pênis de um vira microfone e o ânus do outro auto-falante) ou quando a terapeuta esta numa floresta procurando um local para se masturbar. Os efeitos digressivos deixam a narrativa óbvia demais, e aqui o filme debocha e despenca.
Não vão assistir pensando que irá ter uma sessão privé-chique com Sylvia Kristel (da série Emmanuelle - das noites quentes do canal Bandeirantes), Shortbus é uma comédia dramática “XXX” com estilo mais explícito que caberia no canal Showtime que adora polemizar. De qualquer forma, o filme estreou em festivais especializados (passou até na Virada Cultural de São Paulo) e não foi direto para vídeo. Mitchell conseguiu levar seu filme a um "status", sem modéstia de grandeza, o que acho justo. É bom que num filme como este, democraticamente falando, esteve em competição. Ele não é uma porcaria, mas também não é obra prima.
De certa forma compactuo da afirmação de Mitchell quanto a pornografia no cinema (aqui vista assim) quando diz: “O sexo foi desvalorizado com a pornografia”. Ou seja, os filmes pornôs são fabricados para estimular as pessoas para o sexo e ponto (direto ao assunto um entregador de pizza não tem diálogo quando faz a entrega no apartamento de uma gostosa que também não fala) e o cinema de manipular pela antiga técnica e linguagem do filme (quando Michael Douglas esta transando na pia com Glenn Close em ATRAÇÃO FATAL) e aqui ele tentou (não conseguiu) ligar as duas coisas, isto é, o sexo filmado com seriedade envolto de uma manipulação mais profunda e emocional com os personagens. Na verdade eu perco o tempo dando risada e até ficando um pouco excitado quando vejo esta fita. Não me envolvo mais dramaticamente como o faço em sessões mais célebres. Por exemplo, a fita com a espanhola PAZ VEGA: “Lúcia e o Sexo” (2001 – me excita mais e me envolve muito mais!)

Tudo aqui é meio bobinho apesar de uma veia artística por parte do diretor.



Se caso SHORTBUS não lhe servir para nada, ao menos se masturbe!

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EUA- 2006

COMÉDIA DRAMÁTICA
101 min.
COR
FULLSCREEN
18 ANOS
Disponível em DVD pelo Filmes Da Mostra (Brasil)
Canadá/EUA pela TRINK FILM
✩✩ REGULAR
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