skip to main |
skip to sidebar
A grande obra de WELLS já foi adaptada três vezes: em 1938, ORSON WELLS causou pânico ao transmitir a história em um programa radiofônico com a equipe do Teatro Mercúrio. Um rádio-filme transmitido no Halloween, e que causou um grande tumulto e pânico em toda costa americana ao narrar de maneira jornalística uma invasão de marcianos. Alguns anos depois, a Paramount Pictures comprara os direitos autorais de Wells, e o produtor GEORGE PAL, realiza em 1952, uma fantástica visão da Guerra Fria e toda a paranóia envolvendo o período do governo de Eisenhower, estrelada por marcianos, ANN ROBINSON e GENE BARRY (que fazem uma ponta na cena final na fita de Spielberg, como os avós maternos das crianças).
A terceira e menos envolvente versão é a do mago STEVEN SPIELBERG, que sendo quem é, o diretor de obras magistrais como E.T. (1982) e CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU (1977), faz esta adaptação (onde os Et´s não vem de Marte e são maus) com um mesmo disfarce político que cobre a época. Aqui, Spielberg faz o seu filme empoeirado no pós 11 de setembro que assolou o país e o mundo naquela fatídica manhã de terça-feira. Essa dor percorreu em Hollywood até aquele momento, até mesmo por volta de 2005. Assim sendo, o famoso cineasta, querendo voltar ao tipo que lhe tornou um mito, coloca o astro TOM CRUISE (MINORITY REPORT) nesta fita de ação que não faz muito o gênero ficção-científica e não tem um certo envolvimento emocional de um pai divorciado que tenta se reaproximar dos filhos (DAKOTA FANNING e JUSTIN CHATWIN) que vão passar um final de semana com o pai na costa leste, enquanto a mãe (MIRANDA OTTO [O SENHOR DOS ANÉIS]) grávida e novamente casada, vai com o marido para a casa dos pais em Boston. Neste interín, começam os ataques de naves Tripods, que atiram um raio fatal que desintegra em instantes os corpos das pessoas transformando-as em pó. Portanto na metade da fita, Cruise (do mesmo tipo de sempre) foge com os filhos desta desesperada caçada humana.
Não vou negar que o filme tem algumas cenas interessantes, como a narração de MORGAN FREEMAN, citando Wells ao estilo de Orson Wells, na abertura do filme que mostra seres microscópicos e o planeta terra que se transforma num semáforo no sinal vermelho que lembra o planeta marte, e assim vai a grandes tomadas das principais metrópoles do mundo e os microcosmos da população em plongée.
Mas o filme é ríspido e contado pelo ponto de vista dos protagonistas e não vemos aquele típico filme “desaster” em grande escala. Fui com esta expectativa, afinal, a obra de Wells foi contada desta forma, em proporções épicas na versão de 52, e mesmo com as limitações da tecnologia e efeitos especiais da época. O que só o torna mais especial e um clássico da ficção-científica do cinema fantástico.
Na versão de Spielberg, os invasores saem do chão e transformam o nosso planeta como o deles (usando sangue humano – sem explicações alusão a Marte?) depois que a tempestade de raios atinge pontos do planeta. Explica-se que as naves (tripods) estavam enterradas aqui há milhões de anos, e que este ataque foi planejado do tempo em que esta civilização espacial hostil plantou essas naves em nosso lar. Mas tudo são teorias que não querem preencher em diálogos que expliquem o motivo. E, como estes seres plantaram as naves se eles não podem respirar por muito tempo em nosso planeta? Se eles estiveram aqui há muito tempo, antes de existir o ser humano, antes de nossa história começar, como eles não planejaram o inevitável? Afinal, o filme mantém a versão de Wells sobre os germes de nosso planeta terem matado as criaturas extraterrestres (ou subterrestres) como preferirem.
Na prosa de Wells, Marte estaria morrendo e os marcianos, obviamente acharam que o único planeta sustentável (risos) do sistema solar era a Terra.
O que me incomodou na fita de Spielberg é a falta de coerência com a obra, transposta para a atualidade com cara de ataque terrorista à la Bin Laden. Ou seja, ele joga panos quentes numa obra magnífica, que tinha tudo para ficar mais espetacular em suas mãos, e prefere fazer um filme sem alma e que escapa totalmente do gênero da sci-fic. Onde estão os personagens cientistas que discutem o design das naves? Cadê o grupo de Ufologia que são presentes em Contatos Imediatos e até os "vilões adultos" de ET? Tudo é simplesmente limitado não só cientificamente, mesmo sendo ficcionalmente, mas dramaticamente também.
Segundo Spielberg, ele planejava o filme com Cruise há um certo tempo. Antes mesmo de tocar o projeto como produtor do diretor Jan De Bont para o filme Minority Report. Mas, depois que ROLAND EMMERICH lançou INDEPENDENCE DAY em 1996, o projeto foi adiado para não haver comparações óbvias. Ele esperou, e o resultado chegou depois que as torres gêmeas foram atingidas e um novo medo instalou-se nos EUA.
Guerra Dos Mundos pode ter algumas qualidades que são a marca de Spielberg. A fotografia contra-luz e os movimentos de câmera. Ou mesmo as falas sobrepostas em cenas de maior clímax, como no momento em que Cruise vai investigar os raios no centro do bairro e as pessoas se aglomeram para ver, curiosas. Alias, devo admitir que é possível gelar o sangue quando vemos o primeiro tripod saindo do asfalto, causando uma enorme erosão que destrói uma igreja e vários veículos, que também são atirados ao longe. Mas depois não há mais nenhuma cena que vale tanto a pena, nem a da barca, e muito menos a do porão com TIM ROBBINS. Tudo é feito de maneira até asquerosa para um diretor como Spielberg.
Em matéria de clichês, que os filmes de ficção-cientíca tem de melhor, até isso falta neste filme. Seria como se um filme futurista acertasse em cheio em todas as previsões que fizera, sem faltar um detalhe. Não consideraria um filme futurista como 2001 (Hotéis Hilton na Lua) ou Blade Runner (Colonizadores robóticos em pleno século XXI). Um filme como Guerra Dos Mundos tem que ter a vibe de um filme ridículo como os de Roland Emmerich. Presidentes fardados e cientistas vestidos de médicos dando suas teorias sobre o desconhecido. E, se fosse feito assim, menos família, Spielberg faria um filme melhor. O personagem do Tim Robbins, ao invés de louco poderia ser um estudioso como TRUFFAUT em Contatos Imediatos, e Cruise poderia personificar um estilo RICHARD DREYFUSS.
Obviamente que o filme não é um entretenimento tão ruim. Fica na média, o que é péssimo para alguém como Spielberg. Já que não estamos falando de um filme de Emmerich.
Pois é, nós não estamos sós e a última grande guerra da humanidade não foi iniciada por humanos.
_____
EUA – 2005
AÇÃO/AVENTURA
FULLSCREEN
116 min.
COR
PARAMOUNT
12 ANOS
✩✩ REGULAR
_____
Um cientista descobre uma maneira de se tornar invisível, mas ao fazê-lo, ele se torna um assassino insano.
A fita é uma das mais provocantes do estúdio Universal. Baseado no clássico romance de H. G. WELLS (Guerra Dos Mundos) e realizado novamente pelo autoral cineasta JAMES WHALE (FRANKENSTEIN). Além destas apresentações, O Homem Invisível, original de 1933 deu origem a várias sequências e imitações, e apresentava efeitos especiais magníficos, até hoje imitados e inigualados.
RAINS apresenta a sua brilhante voz para causar o medo, e ficou sendo a sua marca registrada. O filme só é uma extensão do fascínio que, desde os primórdios do cinema que, cineastas e o público têm pelos efeitos especiais. Só para exemplificar este histórico, filmes como VIAGEM A LUA de GEORGES MÉLIÈS e os dinossauros de stop-motion da fita O MUNDO PERDIDO (1925). Ou seja, foi o cinema mudo que montou o cenário das trucagens que culminaram nos anos vindouros. Assim sendo, para toda a magia óptica e digital que hoje tomamos por certo.
Certamente os filmes sonoros da época da depressão como KING KONG (1933) e O Homem Invisível que vos falo, deram uma união extraordinária em relação a esta magia do cinema com forte drama emocional. Isto mesmo, O Homem Invisível pode ser um filme de terror tachado, e não ser fiel a obra de Wells, mas é puro drama ao mostrar a insanidade de um homem que não poupa despesas, caprichos e métodos nada ortodoxos, para conseguir o que almeja. Imaginem como é intrigante o poder da invisibilidade. O que fariam se fossem invisíveis? Poder estar em qualquer lugar sem ser visto, assaltar bancos, cometer homicídios, vigiar de perto a privacidade das pessoas. Enfim. Quanto tempo levaria para um homem agir de má fé?
O filme questiona este poder, também com muito bom humor e certa leveza, mas a premissa é um tanto pesada e as loucuras cometidas por Claude Rains é algo realmente perturbador. E, o que o filme tem de precioso é o limite da técnica cinematográfica sem perder o elemento humano, isto é, é saber fotografar os efeitos visuais em meio a inconstância do personagem principal, que é um homem comum e amável, mas também um monstro frio e sádico. Não um vampiro, um cadáver híbrido ou uma múmia amaldiçoada, e sim um homem comum que não é visto e perdeu completamente o juízo.
Whale realiza aqui uma narrativa que é muito parecida com sua obra inaugural Frankesntein. Temos um cientista enamorado, uma donzela da alta sociedade preocupada com o noivo, outro sujeito, amigo do cientista interessado na mocinha e uma criação monstruosa em meio a um laboratório químico de experimentação. Só que diferente da obra de Mary Shelly, Wells usa o herói-vilão sendo o próprio monstro, que acaba representando o lado mais sombrio que existe em todos nós.
A cena mais duradoura da fita é quando Rains se revela como o homem invisível, e vai retirando as suas faixas de gaze e dizendo: “Vocês estão loucos para saber quem eu sou não é? Bem, então eu vou lhes mostrar (tira o nariz falso) Eis um suvenir para vocês...” E com sua risada diabólica vai ficando nu aos poucos e desaparecendo diante nossos olhos.
Pois é, realmente é fascinante quando ele tira totalmente as faixas e vai rindo sem parar. Os efeitos deixa até a versão de Paul Verhoeven com Kevin Bacon no chinelo. Acreditem! Nesta parte do filme, Rains já havia assustado o vilarejo local com sua estranheza, quando uma senhora dona da hospedaria 2 estrelas (a ótima UNA O´CONNOR - foto ao lado)
é atacada pelo homem. Una é uma figura tão engraçada, que ao assisti-la rimos até o estômago doer. Sua atuação é tão caricata, exagerada que no final não há escapatória a não ser rir. Bom, quando isso acontece, Una “grita” pelos policiais que tentam agarrar o homem invisível em uma perseguição desvantajosa e impossível. É uma sequência alucinante para um filme de 1933. Ele tira tudo, e fica sem as roupas de baixo quando para provocar, sai correndo pelo ambiente apenas de camisa, que flutua magistralmente. Até que ele sai pela janela deixando um rastro de pavor na pacata cidade, e sempre com sua implacável voz.
Wells apesar de otimista com o cinema, não achava que seus livros deveriam ser adaptados em Hollywood. Isso pelo fato de que um de seus romances A ILHA DO DR. MOREAU, feito na Paramount com outro título ‘THE ISLAND OF LOST SOULS’ com Bela Lugosi, deixou Wells totalmente insatisfeito porque achou que sua obra foi transformada em um simples filme trash de terror e não foi captada a essência da ficção científica na qual Wells foi precursor na literatura. E, O Homem Invisível foi o segundo livro do autor no gênero que lhe deu reputação como “o pai da ficção científica”.
O filme também é estrelado por GLORIA STUART
como a noiva do vilão. Gloria é conhecida hoje pelo seu papel no filme de James Cameron TITANIC, na qual foi indicada ao Oscar como a “Old Rose”. E, sem a indicação nas titulagens quando assisti ao filme pela primeira vez, provavelmente não teria reconhecido à senhora que faleceu com os seus 100 anos.
Teve continuações: THE INVISIBLE MAN RETURNS (1940), THE INVISIBLE WOMAN (1940 – com uma Mulher Invisível), THE INVISIBLE AGENT (1942) e THE INVISIBLE MAN´S REGENGE (1944). Além é claro, de inúmeras outras versões que sempre provocavam com a falaciosa nudez.
Você pensa que está sozinho? Pense de novo e assista ao O HOMEM INVISÍVEL, original!
____
EUA – 1933
TERROR
71min.
PRETO E BRANCO
FULLSCREEN
12 ANOS
UNIVERSAL
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
____
___
INGLATERRA/ FRANÇA -1979
AÇÃO/ESPIONAGEM
WIDESCREEN ANAMÓRFICO
126 min.
COR
12 anos
METRO/FOX
✩✩✩ BOM
____
Bond viaja até o espaço sideral para investigar o desaparecimento de um ônibus espacial e descobre um complô maquinado pelo novo vilão, Drax, que pretende realizar um genocídio global.
O agente secreto de Ian Fleming e do produtor “Cubby” Broccoli esta radiante em MOONRAKER, um dos romances mais exóticos de 007 e ROGER MOORE brilha nas alturas ao visitar o RIO DE JANEIRO na clássica cena do Bondinho do Pão de Açúcar.
Dirigido por Lewis Gilbert ( You Only Live Twice, O Espião Que Me Amava) “O Foguete Da Morte” é um filme de ação ágil, com um roteiro um tanto fragilizado, mas que entra em total órbita levando Bond a Veneza (numa espetacular sequência de ação típica), ao Brasil e até ao espaço! E, Moore pela quarta vez une forças, agora com uma brilhante cientista americana HOLLY GOODHEAD (interpretada por LOIS CHILES) e com a própria NASA a fim de impedir que um industrial maníaco que deseja uma “nova sociedade”, DRAX o vilão da vez feito por MICHAEL LONSDALE, que pretende destruir a vida inteligente da Terra.

É inegável o carisma de Roger Moore com seu charme e graça sendo recebido pelos brasileiros, e a volta do capanga JAWS (RICHARD KIEL)
em meio a toda folia brasileira e Bond de smoking em meio ao nosso carnaval a serviço secreto de sua majestade!

Último filme do ator BERNARD LEE (1908-1981) como o chefe “M”.
São 120 minutos de pura chatice, e nunca pensei que um dia iria dizer isso de um filme do TIM BURTON que gosto muito (pô ele dirigiu EDWARD MÃOS DE TESOURA, BATMAN [1989], ED WOOD, MARTE ATACA! A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA, OS FANTASMAS SE DIVERTEM e tantas outras maravilhas como O ESTRANHO MUNDO DE JACK [produziu e idealizou]). Claro, ele errou muito nesta ladainha de fazer refilmagens de clássicos absolutos como também: A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE e ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS (decepção mais horrorshow que planeta) com seu ator-fetiche JOHNNY DEPP. Mas na mesma época deu um alívio dirigindo obras primas com mais a sua patente (PEIXE GRANDE e SWEENEY TODD).
Agora quanto a esta fita de 2001, meu Deus! Pierre Boulle, autor da obra original, deve estar se revirando em seu túmulo, já que o mesmo nunca achava que sua história daria certo para o cinema. Bom, ele viu que deu certo em 1968 quando o produtor Arthur P. Jacobs realizou aquele filme intrigante com CHARLTON HESTON (que faz uma ponta aqui não creditada como o pai macaco do vilão Thade), mas quando Burton resolveu encher linguiça com um filme quando estava sem idéias, enfim, foi minha primeira grande (a segunda foi ALICE) decepção com relação a este mágico cineasta.

A trama é mais ridícula que as histórias soup opera da TV Globo ultimamente, é sobre uma estação bélica (espacial) chamada OBERON. O ano é 2029 e nesta estação são enviadas diversas missões de reconhecimento interestelar, e os chimpanzés são as cobaias. Ou seja, eles preferem mandar os bichinhos para a morte do que um piloto treinado. Se bem que o piloto não é bom, visto que ele é MARK WAHLBERG, que consegue destruir duas naves de milhões de dólares com aterrissagens medíocres (no começo e no final da fita). Em uma das missões espaciais o macaquinho se perde e o Mark Mark vai lá tentar resgatá-lo, mas ele acaba “viajando no tempo” (o Twister que leva a Dorothy de Kansas a Oz é mais dramático) e pronto, ele está em um planeta que lembra um pouco a Terra (mas não é. Que bosta!) e cai em um pântano (claro em um filme do Tim não poderia ter um deserto brilhante). Quando ele se dá conta esta no meio de uma caçada em que os humanos são capturados por macacos maus. Os bichos os prendem em jaulas, escravizam e usam esses humanos como objetos de porrada (nem mostra eles fazendo experiências científicas com as pessoas) e esse pessoal bonito e não peludo, diferente do filme original, falam um bocado! Pra quem não conhece o filme antigo, na trama os humanos eram os bichos do zoológico que não falavam e os macacos os dominantes e seres inteligentes, aqui não. Na ficção científica de Boulle esse planeta era um mundo invertido, um pouco "País Das Maravilhas", mas nem isso Burton imprimi aqui. E ainda consegue trazer um elenco apático.
Alguns atores ruins mesmo, mas outros ótimos como TIM ROTH (Pulp Fiction, Cães de Aluguel) que nada tem a fazer neste filme como o macaco vilão, Thade, um general do exército símio que deseja a todo custo exterminar toda a raça humana.
O filme também trás a primeira incursão de HELENA BONHAM CARTER em um filme de Tim, o seu futuro marido (Tim era casado com Lisa Marie que participou de quase todos filmes dele no passado, esse foi o último). Carter interpreta uma macaca boa, Ari, que sempre atende pelos humanos e que cai de desejos (weird) pelo Mark. Duas espécies diferentes com requintes sexuais. Que nojo Tim! Isso numa história do gênero é um erro. Por isso George Lucas nunca ficou confortável com o romance de Anakin com Natalie Portman e evitou as cenas em Star Wars. Existe um limite Han Solo e Princesa Léia em termos sexuais em uma fita de sci-fiction. "Fez-favôre".
O elenco continua estranho, o fortão MICHAEL CLARKE DUNCAN (perfeito em À ESPERA DE UM MILAGRE) como um gorila capanga, PAUL GIAMATTI como um orangotango fazendo gracinhas e os coadjuvantes humanos? Um pior que o outro: o velho KRIS KRISTOFFERSON, o menino LUKE EBERL e a moça sem graça e com lábios carnudos e cheios de batom, ESTELLA WARREN (gostava da Linda Harrison do original) que parece atriz pornô. É muito irritante ver esses humanos tagarelando, o que não tem nada a ver. Como eles são primatas e inferiores a esses macacos se sabem falar?
O visual aqui é muito sombrio, evidente, e tudo é "sem brilho" (literalmente) ou capricho. A cidade medieval dos macacos tem casas muito feias e até mesmo o interior da estação bélica é mal desenhada. O desfecho é muito irregular e faz com que a platéia fique sem entender. Alguém entendeu? Por favor, me expliquem! Se o de 68 trazia aquele final esplêndido e aterrador, parecia mesmo um pesadelo, o do Burton parece não querer terminar e não coloca os pingos nos “is”. Não vou alongar a minha explicação, senão acabo soltando spoiler com relação ao filme clássico e original. E para quem ainda não assistiu eu sempre recomendo a fita de 68. Aliás, será a minha próxima sessão. 
Fujam deste aqui!
ALIEN, o 8º passageiro dirigido por RIDLEY SCOTT (Gladiador, Blade Runner) estabeleceu o elemento chave de filme sci- fiction com terror B. Embora na história do cinema haja obras como O MONSTRO DO ÁRTICO (1951) de Howard Hawks ou O MONSTRO LA LAGOA NEGRA (1954) de Jack Arnold, clássicos que já hibridizavam ficção-científica com terror. Mas, Alien foi a fita que fez com mais elegância e estilo, e que certamente, foi o filme que catapultou esta ótima mistura de gêneros.
Todos comentam a cena que a criatura sai do peito de JOHN HURT e como este momento é o mais gore e aterrador da obra. Ou mesmo das cenas sombrias e claustrofóbicas na nave com a ótima SIGOURNEY WEAVER em seu primeiro filme (fez uma ponta como figurante no clássico de Woody Allen: Annie Hall).
Provavelmente filmes sobre viagens espaciais e fantásticas aventuras nas estrelas são os mais celebrados entre os aficionados e cinéfilos e, fitas como esta, existem desde os tempos do cinema mudo. Na verdade o clássico de Méliès VIAGEM A LUA (1902) baseado na obra de Julio Verne é o primeiro filme que explora na mídia, esta fascinação pelo espaço além Terra. Certamente poucos tiveram o sucesso de 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO do mestre Kubrick (apesar de estéril e difícil) e STAR WARS a fantástica criação à La Flash Gordon de George Lucas, que em 1977 causou um impacto na bilheteria sendo o filme mais lucrativo de todos os tempos. Por isso que pareceu óbvio para os executivos de estúdio que filmes com este tema fossem os mais rentáveis. Não demorou muito para a FOX procurar outro projeto com cheiro de sucesso como foi com Star Wars. Outra obra, a de Steven Spielberg (CONTATOS IMEDIATOS DO 3º GRAU), também fazia sucesso, no entanto, de repente, surge um encontro de terceiro grau de congelar o sangue. Um filme cujo roteirista DAN O´BANNON (conhecido por ter criado a comédia dos mortos-vivos de Romero que pedem cérebros) disse ao público: “Eu os desafio a ver Alien até o final”. O´Bannon havia pensado na idéia muito antes do sucesso de Lucas. Isso ocorrera quando ele trabalhava com o diretor e colega de faculdade, John Carpenter (criador do Halloween) em uma fita de comédia que não deu muito certo, chamada DARK STAR (1974) uma sátira espacial. No filme ele foi co-diretor (com Carpenter), co-roteirista, diretor de arte, montador e coordenador de efeitos visuais. Ou seja, um cara que no começo da carreira (dirigiu sozinho A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS, 1985 um filme tão divertido quanto assustador) tinha talento. Para conceber Alien contou com a ajuda do produtor e roteirista RONALD SHUSETT (que produziu Minority Report e algumas outras fitas do gênero) que depois com ele, faria O VINGADOR DO FUTURO (Total Recall da obra de Phillip K. Dick do diretor Paul Verhoeven). Assim sendo, ambos resolvem se ajudar nos dois projetos de ficção-científica. Mas como O Vingador Do Futuro era muito caro para a época, resolvem trabalhar em Alien primeiro. Escreveram a espinha dorsal da premissa: Alien é sobre um grupo de astronautas mineradores que estão voltando para casa e recebem um pedido de SOS em um planeta desconhecido. Eles resolvem averiguar e interceptar a mensagem. A nave quebra, três deles vão pessoalmente até o local alienígena, e um deles, acaba sendo “estuprado” / “engravidado” por um hospedeiro que sai de um ovo nojento e depois salta do peito da vítima, uma criatura hostil, que sai matando todos os outros seis tripulantes dentro de uma nave que navega no espaço. Isso chamou a atenção da Fox querendo produzir rapidamente o sucessor de Star Wars e redefinir o tipo de filme.

Depois que o roteiro virou um projeto, outros cineastas entraram e reescreveram a trama, o que chateou O´Bannon que quase não foi creditado. Isso porque o roteiro foi considerado ruim, isto é, com diálogos péssimos e perfis de personagens degradantes daquele tipo de filme barato de terror, salvo apenas pela idéia central. Portanto um dos produtores e também diretor de cinema WALTER WILL (de fitas como 48 HORAS) e mais o produtor DAVID GILER acrescentaram na trama o plot do robô Ash (IAN HOLM) que tenta proteger o monstro e o mais importante, a heroína RIPLEY (que no primeiro esboço do script era um homem). Em outras palavras, a história não era mais um filme estilo Roger Corman, e sim algo mais perto dos filmes de Cecil B. DeMille, por exemplo. O que ajudou a criar a lenda e o clássico chamado ALIEN. Provavelmente quando um filme recebe tantos créditos de pessoas de todas as partes que acrescentam uma idéia incrível, o resultado é sempre um filme que marca gerações.
O problema de O´Bannon é que ele achava que o filme era só dele: “Quando vi a fila fazendo volta no Egyptian Theatre eu flutuei...era uma fila para Alien? Meu filme”! Por isso sua carreira não decolou. Mesmo quando RIDLEY SCOTT assumiu a direção e se concentrava para criar o visual do filme, O´Bannon opinava em cada detalhe. Queria ver diariamente os copiões da fita etc. O cara não assinou contrato para tal e não tinha (dentro da lei) poder para fazer o trabalho do diretor. Porém, sem notar e querendo ajuda, foi Scott com o seu imenso prazer em compartilhar idéias que deu carta branca para O´Bannon, que abusou. Aliás, Ridley Scott merece todo o crédito maior por ter realizado o filme. Foi o seu segundo longa metragem, um feito único e original, inimitável. Scott recebeu o convite da Fox depois que o belo OS DUELISTAS (1977) fez sucesso e ganhou prêmio importante em CANNES. O visual desta fita chamou atenção, o que o fez dirigir o projeto e ultrapassar as expectativas.
Os cenários (sets) eram grandiosos, assim como os modelos de maquete e todo o departamento de luz, som e efeitos especiais. Mas nada como o trabalho do artista plástico H. R. GIGER responsável por todo o visual do Alien, de todo o planeta alienígena e tudo relacionado ao monstro, como os famosos ovos. O conceito veio das ilustrações de Giger chamado "NECRONOMICON". As pinturas e ilustrações eram extremamente bizarras e com conotações sexuais. Podia notar no planeta alien formatos de vaginas e pênis gigantes que também eram relacionados a morte em meio a um universo gótico. Portanto, comparações com o universo de Star Wars seria totalmente implausível. Foi o trabalho de Giger que deu mais visão e originalidade ao filme.
O elenco os chamados “caminhoneiros do espaço” foi lindamente preenchido. Todos acertam. Além da futura estrela Weaver e dos ótimos Hurt como Kane (o cara que morre dando a luz ao alien) e Holm como o andróide humano, TOM SKERITT faz o “general” do grupo, o mocinho herói e líder. VERONICA CARTWRIGHT (de filmes como OS PÁSSAROS de Hitchcock, 1963) faz a segunda mulher que representa a histeria e o medo da platéia e a dupla HARRY DEAN STANTON, que ficou conhecido por outra famosa cena cortada da versão original (em que o Alien o mata sobre umas correntes – observada pelo gato) e o negro YAPHET KOTTO (vilão do filme de James Bond – 007 Viva E Deixe Morrer, 1972) como Parker, que representa o humor do filme e protege as mulheres quando é o último sobrevivente masculino. Torcemos por ele. Essa turma não vestia trajes espaciais o tempo todo (só quando era para pousar em um planeta estranho). Nada de vestimentas estilo NASA, mas sim jeans, camisetas, tênis e bonés de beisebol, além de fumarem muito. Era a primeira vez que o cinema mostrava pessoas descoladas e esportivas, com papos típicos de “um grupo do bolinha” que soavam machistas. Eram pessoas normais do século XX em um futuro desconhecido. Isso já deixa o filme mais interessante e na hora do Alien atacar a todos, vê-los correr pelos corredores espaciais vestidos de caminhoneiros, era algo que se destacava muito. Não há como negar que todo o visual da fita é um trabalho primoroso de Scott e equipe. Também os efeitos de fumaça, aquela atmosfera que esconde os supostos “defeitos de arte” que deixava as coisas menos verossímeis (causado pelo tempo e orçamento apertado) e o mais importante, saber trabalhar o Alien e não revelar demais o bicho. Esta estréia de Scott em Hollywood pode ser comparada com o primeiro sucesso de Spielberg. Sim, TUBARÃO e ALIEN são fitas que tem muita coisa em comum quando eles criam um suspense inteligente em um veículo blockbuster, o melhor que cineastas como Spielberg e Scott poderiam fazer, afinal, creio que ambos estudaram a cartilha de Hitchcock em não mostrar explicitamente a ameaça e fazer com que o público use a imaginação. E como Scott é um mestre da contraluz (provou depois com Blade Runner), ele evita ser muito evidente com a fera espacial. Mas, ao mesmo tempo, usa nos takes certos, que mostra com maestria todo o trabalho de Giger, como a grande cabeça da criatura e pelo menos dois closes principais nos dentes e língua, onde saíam àquelas salivas ácidas. Quer dizer, o filme é extremamente visceral o que impressiona quando vemos o bicho saltando do peito espalhando sangue por todos os lados (a reação dos atores na cena é real porque não sabiam o que ia acontecer), os ovos e todo o design orgânico (de fazer vomitar) e principalmente o bicho que sai do ovo e planta a semente no indivíduo. Um trabalho magnífico que usa moluscos marítimos e fígados de animais que compõe o interior da coisa monstrenga, que parece um aracnídeo asqueroso que invade a nossa casa e quando vamos checar para ver se o matamos, ele se mexe. É nojento demais e dá o maior medo!
O filme é melhor que a encomenda. Ridley Scott consegue fazer algo que não poderia ser refeito. Por isso as continuações tomaram outras direções. Assim quando foi lançado, o sucesso e as reações das pessoas eram as melhores. Alguns saiam correndo do cinema, outros iam aos toaletes vomitar. Entre os primeiros fãs do filme estava JAMES CAMERON, então um novato da indústria cinematográfica, mas fadado a dirigir e escrever o segundo episódio da série ALIENS (1986). Cameron tinha apenas 24 anos quando Alien conquistava seus adeptos, e Cameron pensou que fosse o melhor filme de ficção científica-terror já feito até então. Ou assumidamente o filme sci-fic/scary. Esta fascinação de Cameron e público era pelo fato do filme trazer uma filosofia global, como afirmou Cameron, que influenciou a escolha do elenco, do figurino, da aparência dos cenários gastos, os sons de correntes, a água pingando, ou seja, detalhes que faziam as pessoas acreditarem que aquilo tudo era real. Por isso o visual do filme é algo tão fascinante.
O que Cameron fez na continuação foi realizar uma fita de ação, que nada tem a ver com o primeiro. Isso foi bom porque ALIENS parece outro filme que também fez sua história, acrescentando ação com terror e ficção-científica (embora o terror não seja o forte de Cameron). Infelizmente quando Alien se tornou série, o formato se desandou feio (o que é ALIENS VS. PREDADOR?). Outros cineastas de renome em início de carreira começaram na saga. DAVID FINCHER ( A REDE SOCIAL/CLUBE DA LUTA) faz o seu debut em ALIEN ³ (1992) e o cineasta francês JEAN-PIERRE JEUNET, realizador do adorável Cult O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN (2001) conclui o quarto capítulo na sua estréia em Hollywood com ALIEN: A RESSURREIÇÃO (1997). Mas nada comparável a primeira obra, que conseguiu fazer o público reagir perfeitamente naquelas sessões escuras de 79.
ALIEN é um dos clássicos mais surpreendentes da década de 70. Visualmente belo e assustador. As melhores combinações da sétima arte e, provavelmente o melhor exemplo de filme de segunda linha que se transforma em uma caprichada produção que ajudou a redefinir a cinematografia. Sem exageros, de um jeito oi de outro a classe B disfarçada de classe A.
Foi lançado a versão do diretor Ridley Scott nos cinemas em 2003 com cenas adicionais o que deixa a viagem em Nostromo ainda mais angustiante. Felizmente eu pude ver esse relançamento no cinema!