skip to main |
skip to sidebar
A grande obra de WELLS já foi adaptada três vezes: em 1938, ORSON WELLS causou pânico ao transmitir a história em um programa radiofônico com a equipe do Teatro Mercúrio. Um rádio-filme transmitido no Halloween, e que causou um grande tumulto e pânico em toda costa americana ao narrar de maneira jornalística uma invasão de marcianos. Alguns anos depois, a Paramount Pictures comprara os direitos autorais de Wells, e o produtor GEORGE PAL, realiza em 1952, uma fantástica visão da Guerra Fria e toda a paranóia envolvendo o período do governo de Eisenhower, estrelada por marcianos, ANN ROBINSON e GENE BARRY (que fazem uma ponta na cena final na fita de Spielberg, como os avós maternos das crianças).
A terceira e menos envolvente versão é a do mago STEVEN SPIELBERG, que sendo quem é, o diretor de obras magistrais como E.T. (1982) e CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU (1977), faz esta adaptação (onde os Et´s não vem de Marte e são maus) com um mesmo disfarce político que cobre a época. Aqui, Spielberg faz o seu filme empoeirado no pós 11 de setembro que assolou o país e o mundo naquela fatídica manhã de terça-feira. Essa dor percorreu em Hollywood até aquele momento, até mesmo por volta de 2005. Assim sendo, o famoso cineasta, querendo voltar ao tipo que lhe tornou um mito, coloca o astro TOM CRUISE (MINORITY REPORT) nesta fita de ação que não faz muito o gênero ficção-científica e não tem um certo envolvimento emocional de um pai divorciado que tenta se reaproximar dos filhos (DAKOTA FANNING e JUSTIN CHATWIN) que vão passar um final de semana com o pai na costa leste, enquanto a mãe (MIRANDA OTTO [O SENHOR DOS ANÉIS]) grávida e novamente casada, vai com o marido para a casa dos pais em Boston. Neste interín, começam os ataques de naves Tripods, que atiram um raio fatal que desintegra em instantes os corpos das pessoas transformando-as em pó. Portanto na metade da fita, Cruise (do mesmo tipo de sempre) foge com os filhos desta desesperada caçada humana.
Não vou negar que o filme tem algumas cenas interessantes, como a narração de MORGAN FREEMAN, citando Wells ao estilo de Orson Wells, na abertura do filme que mostra seres microscópicos e o planeta terra que se transforma num semáforo no sinal vermelho que lembra o planeta marte, e assim vai a grandes tomadas das principais metrópoles do mundo e os microcosmos da população em plongée.
Mas o filme é ríspido e contado pelo ponto de vista dos protagonistas e não vemos aquele típico filme “desaster” em grande escala. Fui com esta expectativa, afinal, a obra de Wells foi contada desta forma, em proporções épicas na versão de 52, e mesmo com as limitações da tecnologia e efeitos especiais da época. O que só o torna mais especial e um clássico da ficção-científica do cinema fantástico.
Na versão de Spielberg, os invasores saem do chão e transformam o nosso planeta como o deles (usando sangue humano – sem explicações alusão a Marte?) depois que a tempestade de raios atinge pontos do planeta. Explica-se que as naves (tripods) estavam enterradas aqui há milhões de anos, e que este ataque foi planejado do tempo em que esta civilização espacial hostil plantou essas naves em nosso lar. Mas tudo são teorias que não querem preencher em diálogos que expliquem o motivo. E, como estes seres plantaram as naves se eles não podem respirar por muito tempo em nosso planeta? Se eles estiveram aqui há muito tempo, antes de existir o ser humano, antes de nossa história começar, como eles não planejaram o inevitável? Afinal, o filme mantém a versão de Wells sobre os germes de nosso planeta terem matado as criaturas extraterrestres (ou subterrestres) como preferirem.
Na prosa de Wells, Marte estaria morrendo e os marcianos, obviamente acharam que o único planeta sustentável (risos) do sistema solar era a Terra.
O que me incomodou na fita de Spielberg é a falta de coerência com a obra, transposta para a atualidade com cara de ataque terrorista à la Bin Laden. Ou seja, ele joga panos quentes numa obra magnífica, que tinha tudo para ficar mais espetacular em suas mãos, e prefere fazer um filme sem alma e que escapa totalmente do gênero da sci-fic. Onde estão os personagens cientistas que discutem o design das naves? Cadê o grupo de Ufologia que são presentes em Contatos Imediatos e até os "vilões adultos" de ET? Tudo é simplesmente limitado não só cientificamente, mesmo sendo ficcionalmente, mas dramaticamente também.
Segundo Spielberg, ele planejava o filme com Cruise há um certo tempo. Antes mesmo de tocar o projeto como produtor do diretor Jan De Bont para o filme Minority Report. Mas, depois que ROLAND EMMERICH lançou INDEPENDENCE DAY em 1996, o projeto foi adiado para não haver comparações óbvias. Ele esperou, e o resultado chegou depois que as torres gêmeas foram atingidas e um novo medo instalou-se nos EUA.
Guerra Dos Mundos pode ter algumas qualidades que são a marca de Spielberg. A fotografia contra-luz e os movimentos de câmera. Ou mesmo as falas sobrepostas em cenas de maior clímax, como no momento em que Cruise vai investigar os raios no centro do bairro e as pessoas se aglomeram para ver, curiosas. Alias, devo admitir que é possível gelar o sangue quando vemos o primeiro tripod saindo do asfalto, causando uma enorme erosão que destrói uma igreja e vários veículos, que também são atirados ao longe. Mas depois não há mais nenhuma cena que vale tanto a pena, nem a da barca, e muito menos a do porão com TIM ROBBINS. Tudo é feito de maneira até asquerosa para um diretor como Spielberg.
Em matéria de clichês, que os filmes de ficção-cientíca tem de melhor, até isso falta neste filme. Seria como se um filme futurista acertasse em cheio em todas as previsões que fizera, sem faltar um detalhe. Não consideraria um filme futurista como 2001 (Hotéis Hilton na Lua) ou Blade Runner (Colonizadores robóticos em pleno século XXI). Um filme como Guerra Dos Mundos tem que ter a vibe de um filme ridículo como os de Roland Emmerich. Presidentes fardados e cientistas vestidos de médicos dando suas teorias sobre o desconhecido. E, se fosse feito assim, menos família, Spielberg faria um filme melhor. O personagem do Tim Robbins, ao invés de louco poderia ser um estudioso como TRUFFAUT em Contatos Imediatos, e Cruise poderia personificar um estilo RICHARD DREYFUSS.
Obviamente que o filme não é um entretenimento tão ruim. Fica na média, o que é péssimo para alguém como Spielberg. Já que não estamos falando de um filme de Emmerich.
Pois é, nós não estamos sós e a última grande guerra da humanidade não foi iniciada por humanos.
_____
EUA – 2005
AÇÃO/AVENTURA
FULLSCREEN
116 min.
COR
PARAMOUNT
12 ANOS
✩✩ REGULAR
_____
Baseado na obra de GASTON LEROUX “Le Fantôme De L ´Opéra”. O musical do aclamado ANDREW LLOYD WEBBER (CATS) sobre um desfigurado gênio musical, escondido em um Teatro de Ópera em Paris, que aterroriza a companhia teatral para o benefício de uma jovem corista e futura estrela a quem ele treina e ama.
Finalmente posso dizer que JOEL SCHUMACHER fez um grande filme. Um musical baseado na famosa peça da Broadway do magistral ANDREW LLOYD WEBBER, criador de outras adaptações literárias para musicais do Teatro como CATS e EVITA e já traduzido para várias línguas e sucesso em diversos países. O Fantasma, uma obra prima original do francês Leroux que já foi adaptada para o cinema diversas vezes, em especial pela Universal Pictures no filme mudo de 1925 (ainda a versão mais fiel e que teve supervisão do próprio autor) e uma versão colorida e simpática em 1943 estrelada por CLAUDE RAINS. Aqui, na versão de 2004, Schumacher se mantêm fiel a obra musical do amigo Lloyd Webber, fazendo todo o possível para que a fita tenha a cara da peça dirigida por HAROLD PRINCE, como no palco. O resultado pode parecer até artificial em alguns momentos de maior tensão e cenas de ação (um erro limitado que não se adéqua ao cinema), mas pelo menos tem a sorte de ter um elenco afiado, figurinos fantásticos e um timing perfeito para um arrebatador musical. É mesmo um espetáculo.
Schumacher planejava fazer o filme na época em que a peça estreou, em 1986, e seria estrelado pela então mulher de Webber, a cantora SARAH BRIGHTMAN como a solista Christine Daae e MICHAEL CRAWFORD como o Fantasma. A versão da música tema cantada por eles é a mais famosa e tornou-se clássica. Mas o projeto cinematográfico não aconteceu e Schumacher engavetou o roteiro durante muitos anos. Se tornou um diretor de filmes medíocres como BATMAN & ROBIN e até cults fantásticos como OS GAROTOS PERDIDOS. Ainda que aponte talento em filmes como POR UM FIO e TIGERLAND com Colin Farrell, nada podia se esperar dele com um espetáculo como este. As músicas são excelentes, com letras excitantes e aterradoras sobre este trágico homem deformado conhecido como “O Fantasma Da Ópera”, um gênio da arte que aterroriza o elenco e equipe francesa de um Teatro famoso na bela Paris enquanto ensinava uma menina do coro na qual se apaixonou perdidamente. Ele ordena e ameaça em cartas que envia aos administradores do espetáculo. A soprano é uma cantora lírica italiana temperamental e chata, Carlotta, figura que o Fantasma despreza como a estrela de suas óperas. Assim, ele resolve montar novos espetáculos e Christine, sua amada, como a verdadeira estrela. Depois de muitos confrontos, a sua pupila acaba se entregando a uma amor de infância com o jovem Visconde de Chagny, o novo patrocinador do Teatro, relação que desperta vingança no coração destruído do podre e desprezado Fantasma. Ou seja, temos aqui uma premissa clássica. Romântica, aterrorizante e na qual, o mocinho defende a sua bela e enfrenta o monstro chegando em um cavalo branco como um verdadeiro príncipe para um duelo de capa e espada. A versão da Universal com o homem das mil faces Lon Chaney era mais para o lado do terror do que para o romance. Webber cria uma tensão erótica e infantil onde a jovem solista acredita em seu anjo da guarda, o espírito de seu falecido pai que desceu dos céus para ensiná-la os caminhos da música. Na verdade era o Fantasma que ficava a espreita, nas sombras, sendo o seu tutor e mestre. Mas este monstro se apaixona pela garota, uma verdadeira virgem e inocente e desperta nela os desejos carnais e aguça a verdadeira mulher que existe dentro dela.
É realmente encantador poder deslumbrar a direção de arte, a música clássica e a relação deste triângulo amoroso. GERARD BUTLER (300) se mostra um ator e cantor esplêndido. Galã ele está perfeito como o Fantasma que mesmo deformado, desperta prazeres irresistíveis (como a carreira deste ator ficou triste depois deste filme). EMMY ROSSUM faz Christine lindamente. Seus lábios, seu busto e aquele rosto angelical são perfeitos para a mocinha e, finalmente o mocinho Raoul Chagny é o gatíssimo PATRICK WILSON (de PECADOS ÍNTIMOS). E o que dizer da chatérrima Carlotta? Interpretada pela ótima MINNIE DRIVER, que consegue tirar algumas risadas do público com a sua irritante voz operística. Ainda no elenco o reforço da veterana MIRANDA RICHARDSON a mulher que treina as garotas do coro e protege o Fantasma do mundo além do Teatro.
A sequência do baile de máscaras é um dos melhores momentos da fita, pra quem busca prestigiar um show de cores e fantasias. Um traço imageticamente plástico de Schumacher que começou a carreira como figurinista. O único errinho do filme é ele querer ser por vezes literal e efêmero como no palco. Pra quem já assistiu à peça, como eu, certamente irá sentir algumas marcações do Teatro e limitações de espaço que em um filme devem ser desprezadas. Sobretudo na cena em que o Fantasma leva Christine através do espelho para o seu refúgio com a famosa música tema até o término do ato, em que ela desmaia nos braços do Fantôme. Resumindo: é tudo um pouco artificial e estilizado para um registro cinematográfico. Mas nada que atrapalhe a sessão, e pra quem não viu a peça, creio que não irá se incomodar com detalhes do gênero.
Graças ao bom senso do diretor, o filme salta para outros ares mostrando com uma bela fotografia em preto e branco os personagens envelhecidos, recordando o passado trágico naquele Teatro e também culminando em cenas de amor na neve e duelos de espadas em um cemitério em pleno inverno fazendo uma ligeira homenagem aos filmes de Errol Flynn e Douglas Fairbanks.
A peça teatral no Brasil também foi um grande sucesso de bilheteria com um elenco ótimo e fixo: SAULO VASCONCELOS sempre encantando no papel do Fantasma, NANDO PRADO como Raoul e EDNA D´OLIVEIRA como Carlotta e, alternando no papel de Christine, SARA SARRES e KIARA SASSO (eu assisti a montagem no Teatro Abril com a ótima Sasso – linda em cena).
Outro momento fantástico da história, tanto no livro como no espetáculo e filme, é a cena do enorme lustre que despenca do Teatro em cima da platéia que sai correndo aterrorizada e com um “alegreto” musicalmente fantástico!
Um slogan da peça dizia: “Você assistiu na sua casa, agora assista na minha.”
O Fantasma Da Ópera, eu sempre recomendo para os amantes da sétima e de todas as artes: música dança desenho/pintura, escultura, teatro, literatura e o cinema. Híbridos a história do Anjo Da Música mascarado. “O Fantasma da Ópera está aqui”!
Indicado a 3 Oscars (Direção de Arte, Música e Fotografia).
____
EUA/INGLATERRA – 2004
MUSICAL
WIDESCREEN
141 min.
COR
UNIVERSAL (BRASIL)
WARNER (EUA)
14 ANOS
✩✩✩✩ ÓTIMO
_____
“Ouça. As crianças da noite. Que melodias elas fazem”. Esta frase ficou famosa no mundo todo, mesmo existindo inúmeras versões do clássico de BRAM STOKER (inclusive a de Francis Ford Coppola, 1992 com Gary Oldman), nenhuma é tão memorável quanto este original de 1931 realizado pelo especialista do gênero TOD BROWNING (diretor de Monstros- Freaks). Começando nas sombras dos Montes Cárpatos, na Transilvânia, ergue-se o aterrador Conde Drácula, o único BÉLA LUGOSI.
Depois de uma viagem angustiante através das montanhas dos Cárpatos, na Europa Oriental, um homem chamado Renfield (Dwight Frye) entra no castelo do Conde Drácula para negociar e finalizar a transferência de Carfax Abbey em Londres para o Conde que é na verdade um imortal vampiro sanguinário. Renfield é hipnotizado e acaba enlouquecendo, transformando-se em seu servo. Ele protege o Conde de tudo, inclusive durante a sua viagem de navio de volta a Londres quando o vampiro mata a tripulação da embarcação. Chegando lá conhece duas moças, uma delas, Lucy, é transformada em vampira, mas Drácula se volta para a jovem Mina Seward que parece sua amada reencarnada. Ela é filha do Dr. Seward, que fica preocupado e chama o especialista em vampiros, Dr. Van Helsing, para diagnosticar a saúde da moça atormentada pelo morcego, que espreita na névoa. Quando o médico descobre a verdade une forças com o noivo da moça, o herói John Harker, e o Dr. Seward, para deter o vampiro, antes que Mina se torne uma morta-viva.
Esta trama romântica e assustadora do autor Stoker, foi a primeira escolha do produtor e fundador dos estúdios da Universal, CARL LAEMMLE. Drácula foi o primeiro monstro do estúdio (embora exista as versões mudas de O FANTASMA DA ÓPERA e O CORCUNDA DE NOTRE-DAME) que culminou numa série de filmes do gênero após o sucesso inesperado de Tod Browning. No mesmo ano o estúdio produziu Frankenstein com Boris Karloff, dirigido por James Whale, mas Drácula foi lançado anteriormente. A fórmula era para ser lançada quando o estúdio fora fundado por Laemmle em 1915, como um filme mudo. No entanto, só foi finalmente produzido dezesseis anos depois. Drácula foi o primeiro filme de terror falado e a honra foi da atriz e sobrinha de Laemmle, CARLA LAEMMLE, que faz uma ponta dentro de uma carruagem a caminho da Transilvânia e diz: “Entre os escarpados picos debruçados sobre Borgo Pass encontram-se ruínas de castelos de uma antiga época...” [ eis a primeira fala de um filme de terror da história do cinema].
Certamente o filme é hoje em dia inocente demais e até engraçado, para os olhos desavisados da nova era, mas em 1931 as pessoas o receberam de outra forma.
O que mais me fascina é a fama do personagem, que é provavelmente a figura mais conhecida da mídia do século 20, ou melhor, de todos os tempos. Quem nunca leu o livro ou viu o filme sabe exatamente quem ele é.
O mais curioso é que Laemmle tinha sérias dúvidas quanto aos filmes de terror e não queria fazê-los, mesmo tendo um interesse maior na obra de Bram Stoker, mas certamente ele tinha outra visão, mais adulta e dramática. Graças ao seu filho CARL LAEMMLE JR., que insistiu muito em produzir estas fitas, o filme acabou sendo produzido com um roteiro diferente da visão de Laemmle-pai, que deu carta branca ao filho de ser o produtor artístico do filme e dos muitos de monstros a seguir. A universal acabou filmando Drácula três vezes. Primeiro no famoso de Browning em 31 com Lugosi, que vos falo, depois a simultânea versão em espanhol feita para o público estrangeiro (já que não existia equipamento de dublagem, a preferência foi refilmar a história nos mesmos cenários do filme com Lugosi com diretor e equipe espanhola) estrelado por CARLOS VILLARIAS como o Conde. Há cinéfilos que até acham que esta versão é até superior do ponto de vista técnico. Em seguida, veio a versão mais romântica em 1979 com FRANK LANGELLA como o clássico vampiro (a de Coppola aqui não conta porque foi feito na Columbia). Este Drácula personificado por Langella é o mais sexy e ousado, um filme atrevido.
Antes de ser da Universal, Drácula foi publicado em 1897 no livro de Stoker e há mais de cem anos vem sendo sensação de fanáticos do gênero,também em eventos, feiras e convenções. Stoker escreveu um romance sobre sangue e trovadas, assim, o Conde não era, na verdade, atraente, e sim uma criatura horrenda e decrépita. O mais parecido com a visão de Stoker é um filme anterior de uma equipe de cineastas da Alemanha com o longa ‘NOSFERATU’, uma “sinfonia do horror”, como dizem. Ele continua sendo um dos filmes mais assustadores de todos os tempos e foi dirigido por F.W. MURNAU. Um exemplo clássico do expressionismo alemão. Isto é, em Nosferatu não há nada de sexual ou bonito. Ele tem a aparência de um rato e é tão mau, sem tréguas, espalhando uma praga por onde passa. O personagem do filme alemão era chamado de Conde Orlok e foi lindamente interpretado por um ator alemão de teatro chamado: MAX SCHRECK, cujo nome por uma incrível coincidência significa “terror” ou “medo” em alemão. E, sem dúvida, de todos os Dráculas da história do cinema, ele é o que mais personifica a repulsa essencial que era a intenção do criador. Bom, além disto, o estúdio PRANA FILMS que produziu Nosferatu acabou sendo processado pela viúva de Stoker pelos direitos autorais da obra. Visto que na época esta questão legal não era muito discursiva. Então, pelo processo, o filme acabou saindo do mercado e virou CULT.
Obviamente BELA LUGOSI possuía um charme do mundo antigo e acabou se tornando o Drácula mais conhecido com certa qualidade misteriosa e sedutora. Com um sotaque húngaro pesado e olhos expressivos com pouca maquiagem, Lugosi conseguiu enlouquecer as mulheres à época e deixar o público masculino nervoso. Sem mais. Também, Lugosi acabou que ficando extremamente associado ao papel a ponto de as pessoas se referirem a ele como Conde Drácula o que o fez fazer papéis semelhantes ao término da carreira que depois viria ao esquecimento, atuando em filmes baratos de ED WOOD até a sua morte. Segundo Bela: “Drácula era uma bênção e uma maldição. Drácula nunca morre”.
Quando o filme foi lançado originalmente era acompanhado de um discurso final, lido pelo professor Van Helsing que levantava a mão e dizia: “Só um momento senhoras e senhores. Uma palavrinha antes de se retirarem. Esperamos que as memórias de Drácula não lhes tragam pesadelos. Portanto, só algumas palavras de consolo: quando chegarem em casa hoje, com as luzes apagadas, e estiverem com medo de olhar atrás das cortinas temendo ver um rosto aparecer na janela, bem,tentem se recompor e lembrem-se, pois afinal: ESTAS COISAS EXISTEM”!
Para mim, o único e verdadeiro Conde Vampiro.
____ EUA – 1931
TERROR
74min.
PRETO E BRANCO
FULLSCREEN
12 ANOS
UNIVERSAL
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
____
Um cientista descobre uma maneira de se tornar invisível, mas ao fazê-lo, ele se torna um assassino insano.
A fita é uma das mais provocantes do estúdio Universal. Baseado no clássico romance de H. G. WELLS (Guerra Dos Mundos) e realizado novamente pelo autoral cineasta JAMES WHALE (FRANKENSTEIN). Além destas apresentações, O Homem Invisível, original de 1933 deu origem a várias sequências e imitações, e apresentava efeitos especiais magníficos, até hoje imitados e inigualados.
RAINS apresenta a sua brilhante voz para causar o medo, e ficou sendo a sua marca registrada. O filme só é uma extensão do fascínio que, desde os primórdios do cinema que, cineastas e o público têm pelos efeitos especiais. Só para exemplificar este histórico, filmes como VIAGEM A LUA de GEORGES MÉLIÈS e os dinossauros de stop-motion da fita O MUNDO PERDIDO (1925). Ou seja, foi o cinema mudo que montou o cenário das trucagens que culminaram nos anos vindouros. Assim sendo, para toda a magia óptica e digital que hoje tomamos por certo.
Certamente os filmes sonoros da época da depressão como KING KONG (1933) e O Homem Invisível que vos falo, deram uma união extraordinária em relação a esta magia do cinema com forte drama emocional. Isto mesmo, O Homem Invisível pode ser um filme de terror tachado, e não ser fiel a obra de Wells, mas é puro drama ao mostrar a insanidade de um homem que não poupa despesas, caprichos e métodos nada ortodoxos, para conseguir o que almeja. Imaginem como é intrigante o poder da invisibilidade. O que fariam se fossem invisíveis? Poder estar em qualquer lugar sem ser visto, assaltar bancos, cometer homicídios, vigiar de perto a privacidade das pessoas. Enfim. Quanto tempo levaria para um homem agir de má fé?
O filme questiona este poder, também com muito bom humor e certa leveza, mas a premissa é um tanto pesada e as loucuras cometidas por Claude Rains é algo realmente perturbador. E, o que o filme tem de precioso é o limite da técnica cinematográfica sem perder o elemento humano, isto é, é saber fotografar os efeitos visuais em meio a inconstância do personagem principal, que é um homem comum e amável, mas também um monstro frio e sádico. Não um vampiro, um cadáver híbrido ou uma múmia amaldiçoada, e sim um homem comum que não é visto e perdeu completamente o juízo.
Whale realiza aqui uma narrativa que é muito parecida com sua obra inaugural Frankesntein. Temos um cientista enamorado, uma donzela da alta sociedade preocupada com o noivo, outro sujeito, amigo do cientista interessado na mocinha e uma criação monstruosa em meio a um laboratório químico de experimentação. Só que diferente da obra de Mary Shelly, Wells usa o herói-vilão sendo o próprio monstro, que acaba representando o lado mais sombrio que existe em todos nós.
A cena mais duradoura da fita é quando Rains se revela como o homem invisível, e vai retirando as suas faixas de gaze e dizendo: “Vocês estão loucos para saber quem eu sou não é? Bem, então eu vou lhes mostrar (tira o nariz falso) Eis um suvenir para vocês...” E com sua risada diabólica vai ficando nu aos poucos e desaparecendo diante nossos olhos.
Pois é, realmente é fascinante quando ele tira totalmente as faixas e vai rindo sem parar. Os efeitos deixa até a versão de Paul Verhoeven com Kevin Bacon no chinelo. Acreditem! Nesta parte do filme, Rains já havia assustado o vilarejo local com sua estranheza, quando uma senhora dona da hospedaria 2 estrelas (a ótima UNA O´CONNOR - foto ao lado)
é atacada pelo homem. Una é uma figura tão engraçada, que ao assisti-la rimos até o estômago doer. Sua atuação é tão caricata, exagerada que no final não há escapatória a não ser rir. Bom, quando isso acontece, Una “grita” pelos policiais que tentam agarrar o homem invisível em uma perseguição desvantajosa e impossível. É uma sequência alucinante para um filme de 1933. Ele tira tudo, e fica sem as roupas de baixo quando para provocar, sai correndo pelo ambiente apenas de camisa, que flutua magistralmente. Até que ele sai pela janela deixando um rastro de pavor na pacata cidade, e sempre com sua implacável voz.
Wells apesar de otimista com o cinema, não achava que seus livros deveriam ser adaptados em Hollywood. Isso pelo fato de que um de seus romances A ILHA DO DR. MOREAU, feito na Paramount com outro título ‘THE ISLAND OF LOST SOULS’ com Bela Lugosi, deixou Wells totalmente insatisfeito porque achou que sua obra foi transformada em um simples filme trash de terror e não foi captada a essência da ficção científica na qual Wells foi precursor na literatura. E, O Homem Invisível foi o segundo livro do autor no gênero que lhe deu reputação como “o pai da ficção científica”.
O filme também é estrelado por GLORIA STUART
como a noiva do vilão. Gloria é conhecida hoje pelo seu papel no filme de James Cameron TITANIC, na qual foi indicada ao Oscar como a “Old Rose”. E, sem a indicação nas titulagens quando assisti ao filme pela primeira vez, provavelmente não teria reconhecido à senhora que faleceu com os seus 100 anos.
Teve continuações: THE INVISIBLE MAN RETURNS (1940), THE INVISIBLE WOMAN (1940 – com uma Mulher Invisível), THE INVISIBLE AGENT (1942) e THE INVISIBLE MAN´S REGENGE (1944). Além é claro, de inúmeras outras versões que sempre provocavam com a falaciosa nudez.
Você pensa que está sozinho? Pense de novo e assista ao O HOMEM INVISÍVEL, original!
____
EUA – 1933
TERROR
71min.
PRETO E BRANCO
FULLSCREEN
12 ANOS
UNIVERSAL
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
____
A própria MARY SHELLEY conta a história e revela como os principais personagens sobreviveram depois que o cientista Henry Frankenstein criou um monstro com várias partes de cadáveres, e que culminou numa perseguição que acabou em tragédia em uma noite no alto de uma torre que pegou fogo. Assim, a história continua nesta mesma noite quando o cientista louco é convencido por outro médico lunático (Dr. PRETORIUS) a criar uma parceira para o solitário e incompreendido monstro (KARLOFF) que aos poucos começa a falar e entender a sua existência no mundo.

Pode ser mesmo um clichê não apenas em Hollywood, mas na sociedade cinéfila em geral, que o segundo filme nunca é bom como o original, mas se tratando de A NOIVA DE FRANKENSTEIN é um caso até raro, onde a originalidade caminha sozinha nesta continuação, sem ser um apêndice ou dever muito ao filme que o originou. Aliás, eu acho que A NOIVA nem precisa do FRANKENSTEIN de 1931 para levar a premissa adiante, sobre este monstro trágico em um dos filmes mais populares e clássicos do terror. Sim, a sequência foi e ainda é muito aclamada. O lendário BORIS KARLOFF reprisa o seu papel como o monstro, agora com mais destaque e cada vez mais incompreendido. Na verdade é nesta fita que percebemos como o personagem é doce, carismático e que só queria um amigo. Mas ao mesmo tempo ele procura uma parceira quando começa a entender o mundo humano a sua volta, mas claro que ele nunca é bem vindo na comunidade que o teme e querem vê-lo enforcado. COLIN CLIVE também está de volta como o único Frankenstein, menos ambicioso desta vez e assumindo os erros. Todavia, acaba sendo persuadido por um homem lunático, o verdadeiro vilão desta fita, o DR. PRETORIUS (o ótimo ERNEST THESIGER) que se integra ao elenco e se revela como um cientista que também criou inúmeras leis contra a natureza (a criação da vida) brincando de ser Deus. Ainda mais audacioso, cruel e arrogante do que Frank. Ele o convence a criar a noiva para o monstro seguindo a mesma receita de sempre, mas com corpo, partes e cérebro feminino que acaba saindo ELSA LANCHESTER, que além da Noiva, também faz o papel da autora do romance Mary Shelley na introdução da fita.
JAMES WHALE, o mesmo diretor do primeiro, faz este segundo com mais liberdade criativa e muitas das decisões originais que se seguiram nesta continuação, são dele que, além disso, apresenta uma assustadora e linda trilha musical o que o torna como um dos melhores filmes (não apenas do gênero terror), e sim de todos os tempos.
Para época o filme foi muito ousado e criativo, e atrevo dizer que até hoje, provavelmente nenhuma continuação não deveu absolutamente nada ao antecessor como ‘A Noiva’. Isso pelo fato do filme ser auto-suficiente na história que prossegue. Sim, é uma premissa depois da outra, porém mesmo se você não assistiu ao Frankenstein, com a bela introdução que Whale apresenta no começo do filme e o modo como ele estica a narração, é completamente tranquilo poder receber a trama sem problemas. É como um segundo capítulo de uma soup opera. Se não viu o primeiro não tem problema, esqueça e enjoy o seguinte.
O filme é também um dos melhores filmes americanos, perto de CIDADÃO KANE e CREPÚSCULO DOS DEUSES, mesmo para um “filme de terror” o que na verdade, transcende o tempo, e já que a Universal nunca havia dado tanta liberdade artística para um filme de monstro, ‘A Noiva’ acabou se tornando realmente numa obra prima. Tudo acaba sendo mais complexo do que um filme bobo de assustar, há muito mais elementos intelectuais, artísticos e de atuação e que conceitualmente surgiram nesta fita, tudo de militante e genial que um filme de terror já recebeu.
O filme também tem um momento lindo e triste quando o monstro, em meio à fuga, é acolhido por um homem cego que não faz julgamentos com sua aparência e tampouco o monstro à dele. Ambos fumam charutos e tocam música, mas é claro, que no final nada acaba muito bem (melhor não contar).
Também Whale consegue unir agradavelmente humor e terror, extremamente bem combinados, e praticamente na mesma cena, quando aparece a ótima UNA O´CONNOR ( de O HOMEM INVISÍVEL) como a empregada da mansão de Frankenstein, Minnie. Quando ela esta em cena com Karloff é gritos pra todos os lados, caras, bocas e corridas.
O mais legal de ‘A Noiva’ é que não há regras, Whale e Karloff criam tudo. Provavelmente a única regra é a imaginação de um jeito gótico e romântico. E, com um tom dramático e bem conduzido em todos os departamentos artísticos. É mesmo uma super-produção, um bom investimento da Universal, que acreditou em James Whale, um diretor de primeira linha que conseguiu ousar com a obra de Shelley e deu mais vazão ao seu universo literário. No entanto a obra da Noiva é mais criação de Whale do que de Shelley que não escreveu uma continuação.
KARLOFF só fez mais um filme como o monstro em O FILHO DE FRANKENSTEIN (1939) e mais tarde, temendo que a história ficasse exaurida, decidiu nunca mais interpretar este papel e partir para outra e até em filmes diferentes.
E o que dizer da figura da NOIVA? Bom, ela é tão icônica que aparece em inúmeros filmes. Só para exemplificar: A NOIVA DE CHUCKY (1998) é uma deliciosa paródia quando o famoso boneco assassino transporta o espírito de sua ex-namorada no corpo de uma boneca vestida de noiva. Na cena que ele a mata, ela está bebendo emocionada assistindo ao filme numa banheira. O Chucky joga a TV na banheira na famosa cena que a Noiva grita ao ver o monstro, eletrocutando a figura patética de Jennifer Tilly.
O filme é também um exemplo perfeito para um estudante de cinema saber como um autor injeta a sua personalidade no trabalho. Passamos uma “noite com James Whale” assistindo A Noiva de Frankenstein, uma fita mais originada do que adaptada.
“ELA ESTA VIVA”! Para sempre viva, graças a um belo filme que transcende o tempo.
____
EUA – 1935
TERROR
75 min.
PRETO E BRANCO
FULLSCREEN
LIVRE
UNIVERSAL
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
____