Friday, September 30, 2011

UNIVERSAL MONSTERS COLLECTION: CAPÍTULO TRÊS

Após o mega sucesso de FRANKENSTEIN, finalmente BORIS KARLOFF bebeu a fonte da fama em 1932 com o filme A MÚMIA, baseado numa história original de NINA PUTTNAM e RICHARD SCHAYER, mais um veículo à moda dos estúdios da Universal na época dos monstros. E Karloff, o único ator a receber o título de “The Uncanny” se tornou definitivamente um marco nos anais da história do cinema do terror. E, tudo isso para narrar a história do sacerdote egípcio IMHOTEP, cujo amor o condenou à uma morte terrível, ou melhor, uma quase morte. Quando esta criatura, a múmia do título é acidentalmente trazida de volta “à vida” depois de 3 mil e 700 anos, a fita revela em um adorável flashback que ele era um notável sacerdote, que foi embalsamado vivo por tentar reviver, trazer a alma do mundo dos mortos, da mulher que amava ANCK SU NAMUN reencarnada nos anos 1920 em HELEN CROSVENOR (ZITA JOHANN) que na outra vida fora sacrificada. Vivo novamente, e totalmente poderoso, ele sai em busca de seu amor.
Eu sei leitores que a trama lhes é familiar, visto que, o diretor e roteirista STEPHEN SOMMERS levou para as telas em 1999 uma banana-split que ia de encontro aos CAÇADORES DA ARCA PERDIDA de Steven Spielberg e O EXTEMINADOR DO FUTURO de James Cameron, numa aventura de ação moderna com BRENDAN FRASER e ARNOLD VOSLOO (como a múmia) em A MÚMIA propriamente dita e na continuação que bebia um pouco da fonte do original (O RETORNO DA MÚMIA, 2001). Certamente que o original com Karloff é bem mais curioso e prazeroso de assistir, ainda mais que trazia como diretor o alemão KARL FREUD que trabalhou como câmera/fotógrafo no filme DRÁCULA (desta série), e assina a direção deixando um trabalho barroco e artesanal.O sucesso do filme também se explica pelo fato de que na década de 1920, e nos anos seguintes, o Egito era o alto da moda, com sua arte esplêndida e escritas antigas que encantam do mesmo modo como as pinturas em perfis chamam atenção e atraem curiosos do mundo todo. A Universal investiu pesado na fita, que aproveitou a publicidade na época do descobrimento da Tumba do Rei TUT e com todas as lendas sobre a sua maldição fatal. Obviamente quando o estúdio lançou A Múmia, já havia se estabelecido como o único lar dos monstros e do terror em Hollywood, com filmes como Drácula, Frankenstein e também o ótimo thriller de James Whale: A VELHA CASA ASSOMBRADA (The Old Dark House). No entanto, A múmia era algo radicalmente diferente. Afinal, o monstro/vilão era também um apaixonado trágico com perfil de amante, e no final das contas a obra de 32 é uma eterna fantasia romântica do amor que supera o tempo, e que certamente, inspirou vários filmes.


É fascinante poder desenterrar esta fita à você leitor, que ainda nunca assistiu esta maravilhosa obra de arte e poder dizer que quando Karloff deu a sua “caminhada” para fora da tumba, o público já estava familiarizado com os mistérios do antigo Egito através, por exemplo, da espetacular descoberta na década anterior da tumba do famoso faraó TUTANKHAMON, que era repleta de tesouros dourados. Só que mais interessante que os tesouros, era a maldição alimentada pela imprensa que dizia sobre não violar os mistérios deste ser que poderia resultar numa interminável maldição. Basicamente os falatórios e boatos desta fantasia alimentaram a imaginação dos roteiristas e cineastas que procuravam uma história mais original como sendo o próximo projeto da Universal.Originalmente o roteiro escrito pela jornalista NINA WILCOX PUTNAM, um veículo para Karloff, não se passava no Egito, e sim na Itália onde um homem misterioso realizava sessões de hipnoses e magias diversas na orla aristocrática européia do século XVIII. Só mais tarde que o roteiro foi revisado por outros que escreveram a premissa nas pirâmides e escavações arqueológicas. Ou seja, não havia dúvidas de que o Egito representava (e até hoje representa) peças fundamentais da civilização antiga que era mais intrigante do que o proposto por Putnan.De todos os filmes da série monstros do estúdio, a fita que mais me intriga é A Múmia, pelo fato de ter uma brilhante fotografia que trabalha com expressionismo, a marca registrada do diretor e fotógrafo KARL FREUD, que faz aqui a sua estréia na direção. FREUD vem de trabalhos expressionistas do cinema mudo alemão, e além da fotografia principal de Drácula, também trabalhou na mesma função em outra fita do estúdio com BELA LUGOSI: OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE ( The Murders In The Rue Morgue. Também de 1932) baseado em um conto bizarro de EDGAR ALLAN POE. Para A Múmia, Freud mandaria em tudo e não só no visual, o que na minha opinião, acabou se tornando o melhor trabalho artístico de direção, até mesmo melhor que os filmes de James Whale.O filme se chamaria apenas de "IMHOTEP" que para não complicar as platéias foi trocado para “REI DOS MORTOS” que mesmo provisoriamente era um título ruim. Mas, a Universal estava batizando o nome do astro BORIS KARLOFF que era chamado também de “O SINISTRO”, um dos poucos a receber o apelido como sobrenome. Não demorou para fazer a publicidade ideal para o filme: “THE MUMMY starring: KARLOFF – The Uncanny”.A maquiagem é aqui mais uma vez criada pelo lendário JACK PIERCE, em um trabalho bem mais ousado e elaborado, que até mesmo hoje os truques utilizados por computação gráfica ficam no chinelo perto do realismo mágico de Pierce. Mesmo Karloff usando a maquiagem do velho defunto mumificado apenas no começo do filme (ao longo da fita ele já esta regenerado) o trabalho impressiona e o efeito dele saindo da tumba e caminhando com as faixas é mesmo de arrasar!Outro ponto alto do filme é a escalação da estrela ZITA JOHANN, pouco conhecida na indústria cinematográfica. Zita como a donzela em perigo e a princesa sacrificada é uma atriz húngara do teatro, e que no período do projeto, estava se apresentando em Nova York. Johann tem uma força de Marlene Dietrich e Greta Garbo, e apesar de frágil na fita (como era a função de sua personagem) na vida real de bastidores era um furacão de mulher. Falava o que pensava, sem modéstias e atalhos e sim, teve problemas nas filmagens com o diretor Freud. Ela fora uma poderosa atriz dramática na Broadway nos anos 1920 e consegue imprimir, mesmo nesta fita de terror, uma perfeita atuação soberba, com classe e muito romantismo. E, foi a melhor co-estrela de Karloff. Tinham uma ótima química na tela.

É isso, A Múmia é um achado histórico. Assistam!

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