Wednesday, October 12, 2011

DARREN ARONOFSKY | FONTE DA VIDA

O filme já faz aquela pergunta atraente: “E Se você pudesse viver para sempre?” nesta nova aventura cinematográfica de Aronofsky, consagrado anteriormente com Réquiem Para Um Sonho e posteriormente por O Lutador e Cisne Negro. FONTE DA VIDA é um filme que se tornou mais atraente e interessante para mim após longas revisões e análises. Desta vez absorvi melhor comparado a primeira sessão, mas ainda é o filme que menos gosto do jovem e cult cineasta americano. O produtor ERIC WATSON que colaborava com Aronofsky desde então, disse que esta fita seria a que eles estavam querendo fazer desde quando começaram a fazer cinefilia há uns 15 anos. Projetos como PI, "Réquiem", seriam uma espécie de “degraus” para chegar a este projeto mais audacioso e que teria de ser realizado em um grande estúdio de Hollywood. Bom, a Warner Bros. E juntamente o produtor ARNON MILCHAN (ERA UMA VEZ NA AMÉRICA) atenderam ao pedido depois que Darren tornou-se um cineasta comentado. O filme não faturou tanto nas bilheterias com uma história que foi chamada primeiramente de “The Last man” e depois rebatizada de “Fonte Da Vida” já na pré-produção de Réquiem! Rumores diziam a presença de Brad Pitt no papel numa época em que Aronofsky era cotado para dirigir a adaptação de ‘Batman: Ano Um’. A barba de Pitt cresceu, mas ele não embarcou na jornada épica budista de Aronofsky, portanto: HUGH JACKMAN, o Wolverine, assume o papel. Jackman pode ser um ator interessante em três papéis de diferentes tipos para cada período da trama e reforça uma química com sua co-estrela RACHEL WEISZ como uma esposa doente e escritora e uma rainha tirana que deseja encontrar a fonte para a imortalidade e manda o seu conquistador atrás da lenda, mesmo que para isso o cara enfrente a própria morte.
Hugh Jackman no passado fantástico!
Hugh Jackman no futuro ainda mais fantástico!
‘Fonte’ é uma odisséia estilizada sobre a luta eterna de um homem que deseja salvar a mulher que ama. Na verdade o filme passeia em três histórias que se convergem (o que pode atrapalhar alguns espectadores e deixá-los confusos). Essas premissas são de diferentes períodos do tempo, uma no passado numa Espanha esquisita do século XVI em que Tomas (Jackman) é um desbravador guerreiro a serviço de sua majestade, no presente em que o filme é realmente consistente e real, mostra um médico, Tommy Creo (novamente Jackman), totalmente mal-humorado e obcecado para encontrar a cura para um câncer cerebral que esta matando a sua esposa (Weisz), como Isabel “Izzi” e finalmente em um futuro, um milênio depois, onde Tomas o conquistador esta numa “nave bolha” flutuando numa estrela quase morta no espaço. Dentro desta proteção ele medita e cuida da “Árvore Da Vida”. Não vou falar muito dos mistérios da fita e a causa filosófica, espiritual do personagem, senão perde a graça para quem ainda não conferiu o filme, só digo que é uma experiência pessoal que o diretor quer passar para cada indivíduo, mas que segue um protocolo.
A questão da vida e morte esta até boa no roteiro, mas acho que ARONOFSKY pesou a mão ao decidir contar a história em uma metalinguagem própria que pode ser confusa em três diferentes atos. Nem achei que desta vez Jay Rabinowitz fez uma boa edição e Darren boas decisões no script. O que vale é a brilhante fotografia de Matthew Libatique, os efeitos visuais e, sobretudo a trilha musical soberba de Clint Mansell, fiéis colaboradores do diretor. É uma salada mal resolvida com a questão da cultura maia (parecendo um episódio chato de Indiana Jones mesclado com Além Da Imaginação, mesclado com Romeu e Julieta. Ufa!). Por mim, seria de agradável satisfação ver um filme mais típico de ficção-científica com uma história de amor melhor escrita, visto que, é difícil pensar em uma relação de amor profundo e emocional em um cenário como este. O filme oscila para o exagero (com típicas repetições e semelhanças com Réquiem Para Um Sonho – por isso Darren mudou um pouco a narrativa e fez de O Lutador e Cisne Negro algo mais documental). Comparo esses primeiros trabalhos de Aronofsky como com os do diretor alemão Tom Tykwer (“Corra Lola Corra" [1998] e “A Princesa e o Guerreiro” [2000]). Ou seja, um é energético como uma verdadeira montanha russa que sobe e desce a toda velocidade e o outro é mais lento e estéril. Assim, também são respectivamente “Réquiem” e “Fonte”.
Tirana!
De qualquer forma os personagens não são muito bem delineados e a trama quer trazer muitas informações através do manuscrito da mocinha, que conta esta fantasia intitulada “The Fountain”, e que de uma maneira ridícula quer que acreditemos em uma convergência que se estende durante toda projeção e que culmina seriamente perto de seu clímax. Não que Fonte seja um filme impossível de assistir e ou/ruim ou que a trama não seja bonita. Até acho uma lindinha Love story, mas se fosse um filhote de “2001” com uma introdução estilo “A Aurora Do Homem” para um salto gigantesco no futuro contando esta romântica relação que não quer se perder com a morte, também não seria um problema. Só achei o filme excessivo e com uma participação quase invisível de uma excelente ELLEN BURSTYN. Pra mim não ficou cara de sci-fiction. É mais que isso, a fita é do gênero: “Filme de época futurista que também é uma presente história de amor que aprende a sobreviver à vida”. Entende? São muitas coisas, e cada um o tolera como bem entender. Pra mim a vida é o agora, por isso é chamado de presente (essa filosofia oriental aprendi no Kung Fu Panda). Assim, acho um exagero buscar uma resposta óbvia mil anos depois (Jackman mais perdido e obcecado do que outrora).

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