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Saturday, November 28, 2009

PASSAGE D'ENFER by L'Artisan Parfumeur


Intrigante e místico.
Indecisa procurei este perfume mais de uma vez tentando descobrir qua mensagem ele traz.
Certamente algum propósito deveria ter a escolha de nome tão sigular.
Uma provocação ou um conceito ?
Experimentei, uma, duas, tres vezes... e a percepção foi mudando.
A princípio pareceu-me suave e gélido. Acentos florais saltavam da pele. Lírios segundo a pirâmides olfativas. Delicados, quase insossos.
Na segunda vez senti o travo amargo deste lírio logo no início, sobrepujando o doce, acompanhado de nota picante, quente e sedutora que fugia do usual aroma de incenso.
Controvertida impressão que passou rapidamente desvanecendo em acorde fresco e cortante, ligeiramente polido por lúteo e cremoso almíscar.

Com mais algumas gotas enfim pude sentir a sua totalidade.
Afastadas as cortinas enganosas e esvoaçantes de lírios, almíscar, folhas e resinas de madeiras frescas como agar wood, percebi a pureza do incenso.
Quase religioso, como se estivesse a aspirá-lo sobre o mármore frio de um templo.
Está presente do começo ao fim, algumas vezes dissimulado, escondido em alguma penumbra.
Mas, ainda não havia se dissipado a névoa que impedia de ver um significado no instigante nome.
Repentinamente uma idéia assomou!
Que passagem mística poderia ser assim gélida, trazendo o aroma de lírios brancos, de resinas amadeiradas, de incenso queimando em cerimônias religiosas, de sândalo, mirra e almíscares cremosos e puros?

A Travessia de Aqueronte, qual mais ....
Rio cuja nascente estava nos charcos que circundavam as cavernas próximas ao Vesúvio, onde povos antigos acreditavam existir uma passagem para o inferno.
Charcos e lírios, cavernas vulcânicas e sulfurosas. Estranha combinação transformada em perfume.
Caronte, um velho e soturno barqueiro com as vestes impregnadas de incenso, dos que vieram em busca da travessia deste reino para outros, devidamente preparados em cerimônias simples ou suntuosas, embebidos de óleos aromáticos.

Remador incansável destinado a deslizar indefinidamente pelas águas turbulentas que delimitavam uma região infernal, num barco a abrigar de igual forma jovens perfumadas de flores ou guerreiros impregnados do cheiro das batalhas, travadas em florestas úmidas e densas.
Embarcadouro e travessia circundados pelos bosques, recebendo na aragem fria da noite os aromas de folhas e madeiras úmidas.
Eis Passage d'enfer, a expressão aromática de um mito nascido na obscuridade profunda de antigas crenças do homem.
Mitológico.
O perfume que a princípio pareceu insignificante e destituído de atrativos cresceu, a medida que se integrou de forma tão clara às imagens da minha mente.
Praticamente linear cadenciada como o vai e vem interminável do barqueiro, Passage d'enfer é uma fragrância destinada aos prazeres efêmeros do Olimpo.
Peca na fixação.

Família Olfativa: Oriental amadeirado, 1999
Gênero: Unissex
Perfumista: Olivia Giacobetti
Notas Olfativas: Lírio branco, frankincense, aloe, almíscar branco.


Fotos : White Lily - Mandala.imagem de David J. Booinder 2005; Incense de Phil'l Philosophy;La Barca de Caronte- pintura ; Travessia de Aqueronte -pintura; Passage d'enfer sobrepaisagem de Alain Huong-Vietnan.

VÍDEO-Queens Bohemian Rhapsody