Octágono belo e irregular, inspiração art deco, flores em relevo fosco no vidro translúcido, ou opaco e cremoso negro revelam a ambiguidade deste floral, a princípio seco e incisivo na pungência das notas indicadas na descrição olfativa como mistura de pêssego, pau-rosa e mel.Talvez esta presença da preciosa madeira justifique, em determinados momentos, me ocorrer a vaga recordação de Chanel nº 5.
Doçura equilibrada e perceptível no acento frutal não sublima o lado acre das resinas, que evoca a presença de algumas faces de patchuli e vetiver, neste aroma perfeitamente descrito como "datado".
A sensação provocada faz imaginar um frasco repentinamente encontrado entre as dobras de vestidos de cetim, rendas preciosas e adereços de cristal, cuidadosamente escondidos em baú de nobre, rico e ornamentado lenho.Volatilizando entre nuvens empoeiradas da seda desdobrada, embebida de gotas outrora derramadas, o aroma surge, tomado pelas características das resinas amadeiradas.
Entretanto, a medida que a nebulosidade se dissipa aparecem flores secas, preservando a fragrância das pétalas, de quando ainda vívidas, macias e aveludadas.
Doces, suaves e melíferas revelam delicadamente os segredos do passado, do esplendor da juventude apaixonada e romântica.
Não mais a dama amargurada e ríspida, que ocultava suas memórias na obscuridade da meia luz, entre tecidos perfumados, ressurgindo vivacidade e a languidez dos suspiros amorosos, enquanto o floral aldeídico se envolve na doçura da madeira de sândalo, nos algodoados âmbar e almíscar.
Afastada a rispidez inicial o conjunto destas notas transforma baunilhas e flores, como as magnífica ylan-ylang e heliotrópio em lácteo drydon, enquanto ao fundo, tal como nota dissonante e surda, na orquestração de um delicado minueto, se mantém o resinoso acre e seco tentando emergir ocasionalmente, ou enlaçando em vislumbres de realidade as bucólicas recordações.É de tal forma vintage, que poderia ser a fragrância preferida pelas damas da nobreza, anos após fuga bem sucedida, em tempos de revolução, vivendo suas lembranças no exílio distante, com sobriedade e elegância.
Ombre Rose, peca na intensidade aldeídica e característica resinosa inicial, porém cativa na característica retrô de bouquet composto por inflorescência delicada, característico de fragrâncias como Je Reviens by Worth ( 1932) e Tamango de Leonard (1977).
Antecedendo Ombre Rose, a maison do estilista Jean Charles Brosseau lançou a primeira fragrância, Brosseau, seguida por Ombre Bleue em 1978, e pela edição especial Fleurs D'Ombre Bleue.A princípio a composição de Ombre Rose se destinava a função de base para alguma futura fragrância, contudo revelando características tão envolventes se transformou, da maneira inicialmente concebida, sem mamiores modificações, em novo perfume da grife.
Atualmente JC Brosseau oferece na linha feminina os perfumes Ombre Rose, Fleurs D'Ombre - Ombre Bleue, Fleurs D'Ombre Violette Menthe e Fleurs D'Ombre - Jasmin Lilas. Na linha masculina comercializa Collection Homme Thé Brun, Collection Homme Atlas Cedar, Collection Homme Fruits de Bois
Família Olfativa: Floral Oriental, 1981 ( relançado em 2002)Gênero: Feminino
Designer: Jean Charrles Brosseau
Perfumista: Francoise Caron - Roure Perfumers
Frasco: Designer inspirado em Narcisse Bleu by Mury Parfums - 1920
Rastro: Mediano
Fixação: Muito Boa
Pirâmide Olfativa:
- Topo - Pêssego, pau - rosa, mel, ylang-ylang
- Coração - Lírio - d0 - vale, raíz de íris (orris), gerânio,rosa.
- Base - Cedro da Virgínia, baunilha, almíscar, coumarina, madeira de sândalo.
Fotos: Imagens de Elisabeth C, imagens de Jean Charles Brosseau, Imagens de Mury Parfums de cardmine.co,StrawberryNET.com
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