Imagino que além do calor das dunas, nos oásis, ou na costa do mediterrâneo, brisas carregadas de sonhos e leveza atravessem dias e noites.
Não os ventos selvagens no encontro de Norte e Sul, mas a branda aragem que transmite delicadamente os aromas de jardins e pomares exóticos.
Nilang é infinitamente doce no seu equilíbrio entre frésias, ylang-ylang e todo um bouquet adocicado volatilizado entre favas de baunilha.
Acorde melífero constante que aprecia o desfilar das especiarias sem abalar seu longo curso.
Afoita e levemente apimentada surge a nota de canela, coquete e volúvel, perseguida imediatamente pelo agridoce de cassis ou groselha negra e pêssegos embebidos de seco amadeirado.
O perfume convida ao mergulho na pele para sentir sua complexidade e o desprender das notas picantes e enfumaçadas declarando o benjoin que emerge do drydown.
Floral, frutado, oriental e exótico são as qualificações encerradas até então.
Entretanto uma nota aerada, aquática e tardia estabelece sua influência de forma branda, apenas suficiente para emprestar diáfana leveza.
Parecem-me ervas frescas e madeiras mentoladas, ou um leve escorrer do sumo de frutas verdes, enquanto cortinas de seda se agitam, murmuram canções, embalam fugidío incenso e flores em melífero frescor... embriagante sensualidade.
No passar do tempo Nilang perde o acento frutal, inclina-se perante as madeiras, abranda seus ímpetos no âmbar e almíscar e reforça a delicadeza feminil em suave madeira de sândalo.
Mutante, revela mil faces, mas não todas ao mesmo tempo.
Se hoje é fresco, quase angelical amanhã pode ser malicioso, denso e gutural na expressão de condimentos.
Depende do momento e disposição com que se usa.Atraente nesta capacidade de transmutar é expressão vívida de encantamento oriental.
Numa análise rápida, anos atrás, me pareceu próximo de Angel. Algumas notas são comuns, mas o aspecto frutal, bouquet e o requinte delicado que acompanham sua evolução afastam dos caminhos do perfume Thierry Mugler.
Contudo pertence ao reino da baunilha, sendo um dos seus mais admiráveis súditos.
Família Olfativa: Oriental baunilha, 1995Gênero: Feminino
Perfumista: Gerard Anthony
Rastro: Intenso
Fixação: Ótima
Pirâmide Olfativa:
- Topo - Cassis ou groselha negra, melão, pêssego, pau-rosa
- Coração - Narciso, fresia, jasmim, rosa
- Base - Baunilha (praline), sândalo, almíscar, benjoim.

SELVAGEM É O VENTO- David Bowie
Ame-me, ame-me, ame-me, você dizDeixe-me voar daqui com você
Porque meu amor é como o vento, e selvagem é o vento.
Selvagem é o vento.
Dê-me mais do que uma carícia, satisfaça esta fome
Deixe o vento soprar através do seu coração
Porque selvagem é o vento, selvagem é o vento
Você me toca e ouço o som de bandolins
Você me beija
Com seu beio minha vida começa
Você é primavera pra mim, tudo pra mim
Você não sabe, você é a própria vida.
Como a folha se agarra à árvore
Oh meu bem , se agarre a mim
Porque somos como criaturas do vento e selvagem é o vento
Selvagem é o vento...
Fotos: Blowing de Bonsay 45.blog.com; Wind de Richard Gordon
VÍDEO: Wild is The Wind - David Bowie- 1981
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