Wednesday, January 20, 2010

Uma questão de preguiça ou amizade ao estilo "prêt-à-porter"?


Dei por mim a pensar no seguinte: o Facebook, Hi5 e outras redes de contactos sociais "perguntam-nos" coisas como "Música preferida", "Filme preferido", "Livro preferido", etc, e ainda nos reservam um canto especial para falarmos sobre a nossa pessoa. Como se o nosso perfil devesse ser uma carta aberta ao mundo relativamente ao que somos. Expor tudo o que somos (ou pelo menos informações de relevo) a pessoas que nos são - na maioria - pouco ou nada conhecidas.

É um sistema que, quanto a mim, retira toda a piada ao processo complexo e enriquecedor de "conhecer" realmente alguém. Além do que incentiva os julgamentos e conclusões precipitadas e redutoras em relação a uma pessoa - com a forte tendência de cairmos no campo do estereótipo - pelo simples facto de ali estar um simples resumo, algumas pontas soltas do que é verdadeiramente a pessoa, com tudo o que isso engloba: a personalidade, experiência de vida, gostos pessoais e tudo o mais.

Lembro-me do tempo em que tinha que me esforçar por descobrir o livro ou filme preferido de alguém. Tinha que lhe perguntar, conversar, conviver. Saber a música preferida de alguém ainda era sinónimo de conhecer bastante bem a pessoa em questão. Hoje, basta-me ir ao perfil do Facebook.

Deixo um apelo aos perfis "blackout". Além do mais, há sempre mais encanto no mistério de uma folha em branco do que numa verdade reveladora que nos deixa como que nús, num mundo tão vasto e anónimo como o da Internet.

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