Thursday, January 14, 2010

KENZO JUNGLE L'ELEPHANT edp by Kenzo

Se tivesse o privilegio de andar pelas alamedas de um palácio de Maharajá não usaria outro perfume que não Jungle Elephant.
Aroma raro, oscila entre a delicadeza das jovens dançarinas indianas e o exotismo pulsante e conturbado da Índia, em toda sua força selvagem.
Se Jungle Tigre avança como um felino impulsivo e predador, para ser domado em ronronante docilidade, Elephant nos surpreende com uma falsa doçura inicial escondendo sua verdadeira face.
Principia em perolados véus de seda, definitivamente imersos na mais doce baunilha, amparada pelo cominho e amanteigado leitoso da massoia, que também poderia ser o acento artificial de cashemira.
Véus que ondulam hipnotizantes, e subitamente caem por terra descobrindo especiarias atrevidas, inebriantes cravo-da-índia, canela e cardamomo.
As nuvens doces, perduram voláteis e enevoadas, dissimulando o avanço lento das pungentes resinas, das essências de folhas.
Aromático e picante guarda no seu interior um toque mentolado e canforado que entontece.
Percebi esta nota frutal balsâmica das folhas afiadas da artemísia, alimentada pelo herbáceo terroso de vetiver, em alguns perfumes Kenzo como Le Tigre, em Essential de Angel Schelesser - que toma outro rumo evolutivo - entretanto, aqui, no coração da fragrância, a erva canforada está revelada em maior profundidade.

A terra pulsa através de Kenzo Jungle, mostra o colorido das sedas, o inebriante aroma dos mercados, o burburinho das cidades e aldeias, apinhadas sob o sol.
Desvenda os mistérios da noite, o calor dos corpos se confundindo com o ar abafado e denso.
Conheço a Índia apenas através da imaginação, das informações bidimensionais. Todavia Jungle Elephant revela um pedaço quente e vibrante deste lugar colorido, antagônico, revestido ora de miséria, ora de opulência.
Conta os cheiros da terra, exatamente assim, entre contrastes.
Da mesma forma que percebemos cravo, canela, folhas e sutis madeiras podemos aspirar a inebriante baunilha embebendo as mais doces pétalas, de flores exóticas e açucaradas.
Único, cujos acordes não respeitam hierarquias e aparecem alternadamente até diluírem na base amadeirada, ladeados por almíscar e âmbar, ressaltando o aroma de leite de coco da madeira massoia.
Dourada, constante e cremosa é a doçura de Elephant e talvez este seja o segredo da presença inexplicável de manga na sua pirâmide oficial, cujo acento frutal meu olfato não percebe.
Emprestou sua densidade suculenta e o calor colorido da fruta madura, embora tenha escondido o sabor característico.

Elephant é forte, quase avassalador, pois apesar de adormecer a semelhança do Jungle Tigre, em seu plácido e doce ressonar, conserva uma imponência que assusta, como se aquele acorde aparentemente subjugado estivesse a espreita, vigoroso, pronto para reagir à qualquer provocação.
Exacerbada dualidade, consegue um equilíbrio surpreendente entre baunilha e intenso aromas de folhas condimentadas.
É preciso despir a alma e o olfato de resistência convencional para provar Elephant.
Fechar os olhos, embarcando numa viagem ao inesperado, ao desconhecido, visto que não é aroma citadino, caucasiano, de civilidade inglesa.
Instiga, perturba, atrai e repele!
Composição olfativa que merece no mínimo atenção para a sillage intensa e perigosa, requisitando a zona de segurança encontrada nos dias frios e invernais.
Tomada de coragem, um dia experimentarei uma dose generosa, em sufocante dia de verão, para conferir se aquele frescor que acena, escondido atrás de ardidos cravos e sedutora canela, é ou não uma doce ilusão.


kenzo é designer, fashionista, e sua primeira loja na França chamou-se Kenzo Jungle.
Os aromas Jungle evocam suas coleções neste espaço, transmitindo visão de cor, de cyber-nature e da mulher que se enquadra neste contexto.
Seus perfumes Jungle sempre definirão a dualidade dos opostos, seja ela qual for, em que ordem vier.


Família Olfativa: Oriental especiado, 1996
Gênero: Feminino ( compartilhável)
Perfumista: Dominique Ropion
Rastro: Intenso
Fixação: Ótima
Notas Olfativas - Kenzo Parfums : Cardamomo, heliotrópio, cravo-da-índia, manga, ylang-ylang, alcaçuz, patchuli, baunilha.
Pirâmide Olfativa - Osmoz:
  • Topo - Tangerina, cardamomo, cominho, cravo-da-índia
  • Coração - ylang-ylang, alcaçuz, heliotrópio, manga
  • Base - Patchuli, baunilha, âmbar e cashemere


DAVANA-

Artemísia se refere à um gênero de plantas aromáticas que inclui moxa ou mogussá (usada em acupuntura), estragão ou erva dragão, losna e a variedade semen-contra, abrótano, cânfora de jardim e isopo santo.
Davana ou Dhavanam se refere à Artemísia pallens cujos uso medicinal, assim como o de outras espécies é bastante difundido.
A planta aromática inspirou letra de peças musicais e seu óleo serve de base para a fabricação do vermífugo Santorin.
Folhas e flores são utilizadas para ornamentar os altares de Shiva sendo o aroma considerado calmante e antidepresssivo.
Entre as aplicações medicinais está a utilização, na Índia e Iraque, para tratar diabetes. Propriedades emolientes e antissépticas auxiliam nas asperezas e rachaduras da pele, cortes e infecções.
Na Medicina Tradicional Chinesa o óleo é utilizado em massagens abdominais para estimular a energia do ciclo lunar.
Obtido das folhas e flores, de plantas so Sul da Índia, é balsâmico, licoroso e doce, amadeirado, ligeiramente frutado, evocando o cheiro de folhas de cassis ou groselha negra. Contém eugenol, farnesol e geraniol presentes nos relatórios IFRA.
Empregado como flavorizante, na indústria farmacêutica, cosmética e na aromaterapia, relata-se que desenvolve aromas diferentes dependendo da química da pele, o que realça seu valor para a perfumaria, criando notas particulares e únicas.

Fotos : Franz Xaver Winterhalter Maharajah Duleep Singh; Frasco de kenzo Jungle; Dançarina de Indian Dance ; Ramalhete de Artemisia pallens; Elephant Herd de Julia Watkins.

VÍDEO: Wedding hinsi Song - mehndi rachne wali

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