Wednesday, August 5, 2009

KENZO POUR HOMME X L'EAU PAR KENZO

KENZO HOMME

Forte determinado, enigmático e previsível parece ser o homem conceitual atrás das notas olfativas de Kenzo Homme.
Aparentemente inabalável e agreste como as notas extremamente picantes e amadeiradas que invadem desde os primeiros momentos.
Este aroma enigmático já foi comparado com salinidade marinha ou maresia, alimentos condimentados, artefatos de borracha...
Realmente existe uma singularidade quase inexplicável no seu cálido acento especiado.
Um misto de ervas intesamente aromáticas, pimentas e flores, alternado com madeiras secas, raspantes como se respirássemos dentro de um local para corte ou serrilhamento de madeira recém abatida.
Pareceu-me sentir a poeira da madeira picante e seca, flutuando pelo ambiente.
O aroma de noz moscada irreverente, especiado, com alguma característica melífera, afirma a evolução na postura deste homem, que começa a demonstrar sensibilidade aliada à força.
O perfume flutua sem que percebamos pelo acorde sêco e ozônico cujo frescor mentolado de tomilho se faz notar, temperado levemente pelos apimentados cravos-da-india, quase indecifráveis, revelando apenas uma discreta provocação.
Esta faceta floral é aldeídica e faz aparições intensas, fulgurantes e fugazes.
Em total incoerência percebe-se nesta construção complexa um toque mentolado, um inesperado frescor que repudia o acalorado das pimentas.

Amadeirado sólido, presente desde o começo, na base expande-se em suavidade de almíscar e sândalo, recebendo entre as madeiras claras o frescor discreto de apimentados pinus e cedro.
Densidade madura e chypre da fragrância aparece através da contribuição mesclada de vetiver e musgo.
Desenrolar lento e duradouro para acompanhar um dia - ou noite - de atividades intensas, revestido de bem-estar, elegância e conforto.
O homem seco e direto do início revela discreta e doce sensibilidade no final.


Fotos: Publicidade- frasco Kenzo Pour Homme 2000; Madeira cortada- árvore de Walter Vanderley

Família Olfativa : Aquático Aromático,1991
Perfumista:Christian Mathieu
Pirâmide olfativa: CHRISTIAN MATHIEU
Além de kenzo Pour Homme este nez é responsável pelas criações de:Jacomo de Jacomo Him e kenzo Parfum d'Ete aromático feminino

VÍDEO:Forever - Chris Brown





L'EAU PAR KENZO


Contemporâneo, refrescante e amadeirado, descontraído e doce. O homem kenzo soma gentileza aos acentos aromáticos que são características marcantes desta perfumaria.
Urbanidade que se expressa na flexibilidade andrógina de sociedade moderna, onde homens e mulheres compartilham e mesclam notas melíferas e aromáticas, nos seu perfumes signature.
L'Eau Kenzo abre-se num leque inebriante sem medo de ser feliz, atingido pela brisa fresca, cítrica e aromática.
Não promete doçura neste começo agreste e agudo onde podemos sentir o aroma fresco e intenso de legumes recém cortados, verdolengos, como se algum chef du cuisine estivesse picando ervas e legumes, embebendo-as de temperos apimentados.
Enganosa premissa.
Esta brevidade dos acordes de topo tranforma-se num evoluir lento entre flores delicadas, especiarias intensas e madeiras.
Uma fase de picante seco e intenso que lembra algo do polvoroso raspante e apimentado, em controvésia com toques de menta, existente em Kenzo Homme.
Percebe-se lugar comum na matéria prima embora L'Eau tenha saída mais cítrica, evolução e finalização mais doce.

Chega ao grand finale e submerge... no duelo entre bambus verdes e flexíveis que curvam seu frescor perante a baunilha constituindo delicado e oriental agridoce.
A quase agressividade do início revela a doçura e submissão da intimidade.
O frescor de L'Eau Par kenzo é temperado e não vem da água mas dos sumarentos frutos verdes.
Arranjo olfativo harmonioso, boa fixação, sem dúvida com o passar dos anos, atingirá o status de perfumaria clássica, característica dos anos 90, uma época de acordes etéreos e abstratos onde reinaram perfumes como Acqua di Gió, L'Eau D'Issey e Polo Blue.


Fotos: Publicidade - frasco de L'Eau Par Kenzo

Família Olfativa: Floral Aquático, 1996
Perfumista: Olivier Cresp
Pirâmide olfativa:
  • Topo - Lilazes, tangerina, hortelã, bambú
  • Coração - Violeta, pimenta, lírio d'água (lótus), amarilis, rosa
  • Base - Baunilha , cedro


Canção de Barco e de Olvido - Mário Quintana


Não quero a negra desnuda
Não quero o baú do morto.
Eu quero o mapa das nuvens
E um barco bem vagaroso.

Ai esquinas esquecidas...
Ai lampiões de fins de linha...
Quem me abana das antigas
Janelas de guilhotina

Que eu vou passando e passando.
Como em busca de outros ares...
Sempre de barco passando,
Cantando os meus quintanares...
No mesmo instante olvidando
Tudo o de que te lembrares

VÍDEO: Leau Par Kenzo

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