Wednesday, August 19, 2009

ARMANI CODE by Giorgio Armani


Usamos códigos ou eles nos usam?
Provavelmente ambas as situações considerando que ao adquirirmos consciência, enquanto espécie, da realidade que nos circunda, sentimos uma necessidade vital de comunicação.
Expressamos nossos desejos e intenções ou procuramos escondê-los através de sinais, sons, imagens e posturas corporais com intensidade.
A escrita sofisticou-se, as fórmulas matemáticas e químicas proliferaram, códigos binários são usados por máquinas sofisticadas.
A sociedade vive em code.
Nas relações humanas e emocionais é lugar comum, sendo a linguagem corporal estudada e planejada minuciosamente.
Mensagens subliminares
nos circundam e somos por elas dirigidas, sem que percebamos, na ofensiva dos meios de comunicação, nos quais somos literalmente viciados, numa versão atualizada do Big Brother de George Orwell no livro "1984".
Um destes códigos encontrou-me distraída e despreocupada, num passeio pelo shopping, uns dois anos atrás.
Repentinamente levantei os olhos e deparei-me com um painel onde uma linda jovem, sedutoramente vestida, prendia a nossa atenção com olhar eloquente e direto.
Dizia:
-Estou enfeitiçando, dominando, emitindo ondas de fascinação ao meu redor.
E as fisionomias, posturas, cores e contexto masculino a sua volta confirmavam. Fascinava o sexo oposto.
Foi quase automático aproximar-me de uma vendedora para experimentar aquele código sofisticado e envolvente: Armani Code
Gostei de imediato. Passado algum tempo provocou desconforto. Alguma notinha irritava... releguei ao fundo da memória... Reneguei um código.
Recententemente provei, mais e mais... e gostei, mais e mais... e sucumbi.
Armani Code realmente tem para mim um acento irresistível que provoca o desejo de usar.
O acorde que percebemos imediatamente é cítrico doce e elegante cujas características anisadas e apimentadas envolvem completamente.
Constantemente.
Do começo ao fim, instigando os sentidos.
Torna-se sofisticado e trés chic quando abraça o floral, branco, cremoso e doce.
As laranjas transmutadas em flores de laranjeira, adornadas com especiarias a lembrar aniz, toque muito leve de gengibre, adquirem, ao passar do tempo, uma suavidade polvorosa, como se houvesse um pout pourri de almíscar, sândalo e íris em perfeito equilíbrio.
Densidade e sustentação se encontram no aroma discreto e fresco das madeiras.
Uma fragrância original que aposta em cítricos diferentes dos corriqueiros, opondo nota de laranja amarga à laranja doce provocando o equilíbrio percebido na neutralização da acidez, arrematando em doce mel
Sillage encantadora e ótima fixação no lindo frasco em rendilhado azul noite, que evoca mistério e natural sensualidade.
Ouvi comentários sobre semelhança com Classique de Jean Paul Gaultier. Não percebo tanta... Talvez um leve toque frutado, floral e especiado no começo, que logo perde força para o jasmim e tuberosa de Classique que evolui denso, em acento animalic.
Code caminha mais etéreo e leve. Parecem-me distintos.

Fotos: Capas do livro George Orwell edição brasileira e edição britÂnica; Frasco de Armani Code de silmages macy's.


Família Olfativa: Floral,2006
Perfumistas: Carlos Benaim, Dominique Ropion, Olivier Polge
Gênero: feminino
Pirâmide Olfativa:

L'EXCESSIVE - CARLA BRUNI
Eu não tenho uma desculpa,
É inexplicável
Até mesmo inexorável,
Não é pelo êxtase, é que a existência,
Sem um pequeno extremo, é inaceitável...

Música: L'Excessive - Carla Bruni

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