Monday, August 17, 2009

ACQUA ALLEGORIA YLANG & VANILLE by Guerlain

Guerlain apresenta uma perfumaria magnífica, densa rica, exuberante, porém confesso que não me animava a experiência desta seleção- Acqua Allegoria.
Talvez houvesse um pequeno receio da decepção, de perder o encantamento.
Assim mantive reservada distância, não procurei; entretanto duas amostras me encontraram e surpreenderam.
Ylang & Vanille tardiamente, pois a Rosa Magnifica parecia mais sedutora.
Realmente foi uma grata surpresa e voilá... Ylang & Vanille também.
Esta não é baunilha de pudins de leite, de cocadas ou aromatizadores de ambiente.
É o casamento ideal com uma flor dulcíssima e requintada- ylang ylang.
Sinérgica combinação sustenta toda a fragrância, aparentemente simples, que revela no evoluir um súbito acorde licoroso como se as duas notas emergissem dum aromático barril de rum ou cognac, junto ao odor levemente incensado das madeiras, arrastado pelo álcool.
Conotação cremosa, densa e embriagante que persiste até o fim alternando com picos de extrema doçura floral.
Enquanto o cravo se faz presente para equilibrar os excessos melífluos, com sua característica apimentada, ylang-ylang tem este mesmo traço acentuado, pela associação com vanille.
Resultam em harmonia saborosa estas forças de nuances diferentes.
Cada uma enaltece na outra o que lhe falta mitigando os possíveis exageros.
O dulcífero extremado poderia transformar o perfume numa fragrância intoxicante, porém cada um destes poderosos acentos atua no conjunto abrandando ou sublimando, como se dotados de maleabilidade e espírito próprio.
Resvala no demasiado algumas vezes, sem ultrapassar limites provando perícia e arte.
Pessoalmente gostaria de quebrar ligeiramente o aromático alcoólico, diminuindo o frenesi da fragrância e sua conotação festiva, entretanto...nem Guerlain criaria a vanille perfeita.

Família Olfativa : Floral,1999
Perfumista:Mathilde Laurent
Gênero: Feminino
Pirâmide Olfativa:
Fotos: Ylang Ylang de Plants of Hawaii.



A BAUNILHA - Gonçalves Dias ( Manaus, 1861)

"...Eu sou da palmeira o tronco,
Tu - a baunilha serás!
Se sofro, sofres comigo;
Se morro - virás atrás!

Ai! que por isso querida,
Tenho aprendido a sofrer!
Porque sei que a minha vida
É tambem o teu viver.

No comments:

Post a Comment