Arte de seduzir...Tão natural quanto o mundo conhecido, envolve química, perpetuação da espécie, criatividade e um pouco de magia.
Histórias míticas, deuses encolerizados, enciumados e caprichosos, demostram a temporalidade deste interesse.
Instintivos, estes rituais estão na memória genética, lapidados e inseridos no cotidiano social.
Assim usamos cores, aromas, sabores, texturas e sons para enlevar o alvo dos nossos desejos - fórmulas clássicas com nova roupagem.
Impérios industriais são construídos para atender esta preemente necessidade, pois é inegável: Necessitamos da sedução como o corpo pede oxigênio!
Vestuário e acessórios são armas poderosas, principalmente ele ... O vestido vermelho.
Pode ser interpretado como lingerie, complemento ou jóia desde que rouge, carmim, escarlate profundo e misterioso.
Toda mulher merece um, em escorregadia seda ou murmurante tafetá, a ser usado sabiamente, com requinte, ricamente perfumado.
E tal vestido merece Rouge.
Doce e intenso como um beijo apaixonado.
Começa inebriante misturando as características de chypre e oriental.
Abre-se na pele como sedutora flor desabrochando entre plantas agrestes.Inicia explosivo e chypre.
As resinas pungentes envoltas pelas camadas da baunilha escondem a poderosa dupla rosa e ylang ylang, que caprichosas e sensuais, desabrocham num bouquet encantador, evoluindo em glamour e picante especiaria.
As brumas que o cercam, como a luxuriante emanação de suave incenso, denunciam mirra.
Esta nota suavemente incensada é o laço final a encerrar a experiência do olfato.
Toques de ládano, patchuli, musgo, raízes e madeiras afastam qualquer possibilidade de inocência açucarada transformando a fragrância em inebriante e sensual arma de fascinação. Picante sensualidade!
Um deslizar macio de seda indica a participação de notas ambarinas e polvorosas, talvez íris e sândalo. Desprovida de excessos, apenas atenuando o ardor da especiaria oriental.
Flores, mirra, e acentos apimentados, além da intensa doçura que escapa do gourmand, estão a dominar este cenário purpúreo.
Surpreendeu-me pela sofisticada riqueza da composição, típica da década de 80.Usar o poderoso e tradicional Rouge é "Vestir-se para Matar".
Sobre este perfume, que leva à público uma nova versão do seu antecessor de 1934, algumas opiniões estabelecem paralelos com os clássicos Nahema e Chamade, assim como evocam a similaridade com Le Parfum de Hermés (1986), que mantinha uma composição similar.
Também caberia compará-lo, em linha olfativa, com Mitsouko da Guerlain - doce profundo, intenso e especiado.
Representa bem a inclinação da maison, que desde 1837 trilha pelo caminho da elegância com luxuriantes sedas, couros e fragrâncias.
Certamente agradará quem aprecia aromas exóticos de sillage intensa, exigindo circunstâncias, dosagem comedida... E provocante lingerie.
Família Olfativa: Chypre Floral,2000Notas Olfativas : Rosa, Ylang ylang, sândalo, baunilha Bourbon, âmbar, mirra, ládano, cedro.
VÍDEO: Cell Block Tango from CHICAGO
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