Começo dos anos 70... Década de personagens heróicos - Gene Hackmann em Operação França - ou rebeldes - George Scott em Patton - de vilões memoráveis ou encantadores como Marlon Brando em O Poderoso Chefão e da sensível e charmosa dupla Paul Newmann e Robert Redford em Golpe de Mestre.Em todos cairia com beatitude a colônia Givenchy Gentleman, pois mantinham o lugar comum de sedutora masculinidade.
Entretanto, o personagem de Marlon Brando, na sua dualidade de mafioso capaz de ferir como aço ou amparar com ternura, na postura calma e ponderada, quase amorosa, escondendo a vontade férrea, é o que melhor expressa este aroma.
Saída vigorosa, citrina que rapidamente substitui a aragem fresca por acorde morno e picante, indicando especiarias como a canela e sugerindo uma evolução condimentada.
Contudo, as notas a seguir trazem o inesperado dulcificado de mel e flores numa suavidade que surpreende.
A medida que a doçura atenua os acentos do topo, também desnuda o herbáceo terroso e especiado de patchuli e vetiver, contidos pelo sedoso acento verde da raiz de íris, pelo ligeiro e fresco amadeirado do cedro.
Do fundo emerge o requintado acorde que revela a sensualidade deste espécime masculino clássico, forte e dominante.Acento animalic a predominar até que todo a fragrância volatilize: Couro, apimentado, amadeirado e caliente.
Alguns relatos comparando a fragrância atual ao original de 1974, argumentam sobre possíveis substituições de componentes, como a civeta.
Apesar de não conhecer o perfume da época de lançamento, posso detectar este ardor apimentado e caloroso a indicar almíscar, couro e madeiras, conferindo profundidade.
Talvez originalmente o acorde animalic tenha superado a extensão da fórmula atual, revelando o verdadeiro aroma de couro russo, curtido com óleos de vidoeiro, pinus, salgueiro ou carvalho, porém os ingredientes atuais garantem uma colônia rica e sofisticada.
É composição que reune falsa discrição com acordes cálidos, sensuais doces e estáveis, digna de Don Vito Corleone.
Foto: Marlon Branco como Don Corleone -O Poderoso Chefão; Publicidade de Givenchy Gentleman-couleurparfum.Família Olfativa: Amadeirado
Perfumista: Paul Léger
Pirâmide Olfativa:
- Topo:Bergamota, limão, rosa, canela, mel
- Coração: Patchuli, orris (raiz de íris), jasmim, cedro
- Base: Couro, âmbar, baunilha, almíscar, patchuli, vetiver, musgo de carvalho.
COURO RUSSO
Couro nobre, luxuoso, originalmente exclusivo da Rússia, impermeável e geralmente tingido de vermelho, cuja propriedade como repelente de insetos se deve ao odor agregado pelo método de curtição.Muito utilizado nas encadernações de luxo, por garantir a conservação prolongada dos livros, pode ser obtido na curtição das peles de cavalos, vitelos e cabras.
Tratado com óleos obtidos da casca do salgueiro, pinus e bétula (vidoeiro) ou uma mistura dos três habitualmente conhecida como "óleo russo", este couro é impregnado com matéria proveniente da destilação de madeira de bétula, cozido em sândalo vermelho, madeiras brasileiras e água de cal.
A principal substância a produzir o aroma característico é um princípio ativo chamado betulina.
Imitações oriundas da França, Aústria e Inglaterra alcançam bons resultados em similaridade, desde que os produtos ou espécies utilizados sejam de origem russa.
Outras fragrâncias com acento de couro russo são: Cuir de Russie (Chanel), Cuir Ambre (Prada), Amalfi Flowers (Creed), Ambre a Sade (Nez a Nez), Ambre Russe (Parfum d'Empire), Bogart ( Jacques Bogart), Business Man (Oamouge), H.O.T Always ( Bond N.9), Jules (Christian Dior), Le Parfum D'Ida (Neil Morris), Luciano Pavarotti ( Luciano Pavarotti), XS Extreme pour Homme (Paco Rabanne), Água Brava ( Antonio Puig).
Foto: Vintage book de www.israelbookshop.com
OUVI OS SÁBIOS- Fernando Pessoa

Ouvi os sábios todos discutir,
Podia todos refutar a rir,
Mas preferi, bebendo na ampla sombra,
Indefinidamente só ouvir.
Manda quem manda porque manda,nem
Importa que mal mande ou mande bem.
Todos são grandes quando a hora é sua.
Por baixo cada um é o mesmo alguém.
Não invejo a pompa, e ao poder,
Visto que pode, sem razão nem ser,
Obedece, que a vida dura pouco
Nem há por isso muito que sofrer
Foto : Fernando Pessoa por Almada Negreiro
VÍDEO: Nino Rota - The Godfather Theme
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