Início especiado e surpreendente que transmuta para final cálido e clássico.Confirma a expectativa sugerida na premissa conceitual, onde percebe-se estar destinado à homens maduros porém jovens, cujo desempenho ainda é arrojado, embora já se façam sentir os freios para arroubos impulsivos da extrema juventude.
A especiara de cedro vermelho aliada ao cítrico das frutas conferem um ar inovador ao início.
Couro e noz moscada suavizam uma visão do mundo, transformando o ímpeto em reflexão.
A fragrância faz eco ao amadurecimento do homem, com toque adequado de notas picantes, suficientes para conservar um lado interessante.
Percorrendo seu caminho, homem e perfume adquirem a doçura contemplativa e criteriosa que acompanha experiências de vida.
Refinado, especiado e doce é o aroma que surge com o passar das horas.
Certamente elegante e insinuante no aspecto melífero do ládano unido à doçura e cremosidade dulcífera da fava tonka.
Patchuli reforça o aspecto especiado dos cedros, que perdem forças, conservando a característica instigante e sensual.
Bem construído, sedutor e harmonioso ...Contudo fica a impressão de dejavu. Parece-me que poderia ousar mais neste final da evolução, atrever-se em notas inesperadas para quebrar um padrão já conhecido.
Ferrari Uomo é fórmula para despertar aplausos dentro de uma previsível zona de conforto, o que é claramente demonstrado no acorde de couro macio, almiscarado e doce.
Para os adeptos desta linha de perfumaria, clássica, tradicional e centrada se revela uma opção de bom-gosto e sofisticação.
Não despertará cumplicidade daqueles que esperam o inusitado.
Perfumista: Alberto Morillas Pirâmide Olfativa:
- Topo - Limão da Sicília, tangerina da Calábria, juniper ou cedro vermelho
- Coração - Couro, noz-moscada, cedro
- Base - Ládano, fava- tonka, patchuli
Em inglês é nomeado por Eastern red cedar, red cedar, Eastern juniper, red juniper, pencil cedar e no françês por genévrier de Virginie.
Oriunda da região Leste da América do Norte, pode ser encontada desde o Canadá até o Golfo do México.
Esta espécie nativa, em alguns locais, é considerada invasora, favorecendo o desenvolvimento de pragas em plantações de maçã, o que desaconselha sua proliferação em áreas agrícolas.
Competitiva, danifica áreas de pastagem, alcaliniza e empobrece o solo.
Suas sementes são rapidamente propagadas pelos pássaros.
A madeira aromática e muito resistente à traças presta-se para os serviços de carpintaria. Igualmente forte, quando exposta ao meio ambiente, é usada para cercas e portões.
Madeira, galhos e folhas fornecem óleo essencial viscoso, amarelo ou ligeiramente âmbar- óleo de zimbro ou de juniper - através da destilação.
Das folhas aciculadas obtém-se um flavorizante para gin e fitoterápico para moléstias renais.
Na perfumaria é apreciado pelo odor fresco, amadeirado e balsâmico.

Fotos : Juniperus virginiana de magnoliabt.hu; folhas de Juniperus virginiana de Stephen M. Seiberling- University of North Carolina/Herbarium
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